16/04/2015

Nada do que temos é verdadeiramente nosso

Gostamos de ter coisas, de poder dizer que somos autónomos e independentes o suficiente para possuir o que acreditamos ser nosso por direito. A este gosto alia-se a imposição social dos medidores de sucesso e felicidade pela quantidade de dados possuídos. 

Enchemos o peito e a boca para dizer: o meu carro, a minha casa, o meu tempo-livre, o meu namorado/marido/amante/amigo colorido(a), os meus filhos, o meu percurso profissional. Tudo meu. Nada meu, na verdade. Compramos um carro e uma casa e andamos a vida toda a pagar ao Estado o direito de os ter; o tempo é cada vez menos livre; o par dançante da relação é-o até lhe dar uma travadinha, ou a nós, e deixar de ser; os filhos não vêem o dia e a hora de ser porem a andar de casa dos pais e o percurso profissional anda cada vez mais na corda bamba. Quanto mais queremos ter, menos temos. Nem um simples telemóvel nos pertence.

Precisamos de um telemóvel, escolhemos uma operadora, um modelo, um tarifário. Pagamo-lo. Usamo-lo segundo as regras que nos impuseram e aceitámos, sem que este telemóvel seja realmente nosso. No dia em que precisamos de o usar com outra operadora, obrigam-nos a pagar um valor estupidamente alto para nos permitirem fazer o uso que bem entendemos de um produto que é nosso.

À conta disto, tenho três telemóveis em casa, que não servem para nada, enquanto eu estou celularmente incomunicável por me ter morrido o aparelho que usava.

7 comentários:

  1. life is hard
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    and then you die

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  2. Subscrevo-te palavra a palavra...já quanto ao telemóvel, penso que, ou saiu ou está para sair legislação sobre essa matéria.
    Um beijinho e bom Domingo!

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  3. Há sempre uma esquina com uma loja de telemoveis que pertence a indianos. Voilá caso resolvido.

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  4. Obrigada, josé luís, as tuas palavras de ânimo foram um verdadeiro bálsamo para a minha alma.

    (;

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  5. Ricardo, essa legislação existe em relação a telemóveis adquiridos com fidelização, não com cartão pré-pago. Uma chatice!

    Outro para ti

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  6. Luís, isso é verdade para a capital; para quem vive na paisagem, paga-se e não se rufa. Lojas só dos chineses e esses só vendem cuecas com enchimento de silicone.

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  7. Acumulamos tralha que julgamos útil, até indispensável. Bichinhos sedentos é o que somos.

    Beijos, Carla. :)

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