22/01/2015

Vento do sul

Tinha o hábito de abrir a janela pela manhã. Cedo, quando o dia mal tinha acordado. Abria a janela para trás e afastava os cortinados. Nos dias frios de Inverno, a geada era uma espécie de neve, cobrindo o chão e os telhados de alvura gelada. Na rua havia ainda o silêncio. Nem bicho nem homem perturbavam a sua espera. Era de janela aberta, cortinados afastados e rua em silêncio que esperava. Por vezes, Noto soprava sobre o seu cabelo, enrodilhava-lhe a roupa e acariciava-lhe a pele. Nesses dias, os dias eram solstício de Verão e ela uma Perséfone a abandonar o Hades.



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Sophie Vlaming by David Bellemere

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