12/01/2015

Passa das três

Passa das três. Finalmente as malas estão arrumadas. Desde ontem ao fim da tarde. A mala grande está realmente arrumada, chegou ao fim da linha. Há que procurar outra. As fotografias já descansam em pastas. Muitas foram amarrotadas para o fundo do balde do lixo. Está frio, um frio que me arrefece a mão direita e me deixa os dedos hirtos. Apago uma letra a cada duas que escrevo. É difícil escrever com tanto frio na carne. Passa das três. É preciso escolher o saco porque é preciso sair. Há pequenos acertos para que o fim deste ano seja como planeado no papel. O casaco vermelho olha-me da altivez do cabide. Desde que se pavoneou por um Casino que ninguém o atura. Penso naquela noite e nuns olhos sagazes que me perguntaram em francês: porque é que mesmo no meio de tantas pessoas estás tão sozinha? Divisão das partes, respondi. A minha cabeça abandona frequentemente o meu corpo. São as terras distantes que a atraem sem remédio. Passa das três. É hora de voltar a sair.

2 comentários:

  1. Sinto tantas vezes essa divisão.

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  2. São os labirintos que atraem e que separam tanto o nosso corpo :)

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