31/12/2015

Reciclam-se os desejos (e as imagens)



Bom Ano a todos!!!

30/12/2015

Quando falta só um bocadinho

Depois de ter querido que tudo mudasse, tendo tudo ficado igual, e de ter lançado os foguetes do céu figueirense antes do tempo; depois de ter pedido a 2013 que me deixasse saudades e de ter feito as pazes com ele, por não ter correspondido integralmente; depois de ter esbardalhado os dias; depois disto tudo, chego ao fim de 2015, como Fernando Pessoa chegou ao fim da Mensagem -- «Senhor, falto-me cumprir eu».


somethingtoseeorhear:

Burt Glinn, Ad Reinhardt painting at the MoMa, N Y C, 1964
Burt Glinn, Ad Reinhardt painting at the MoMa, N Y C, 1964

29/12/2015

O dia brilha

O trabalho acumula-se por todo o lado. Cresce como pequenas ervas entre as pedras e espalha-se como as sementes maduras levadas pelo vento. Abro e fecho livros, cadernos, pastas sem corpo, sem saber o que quero encontrar. Minto. O que quero encontrar é a única coisa que não está. Fecho os olhos, imagino como seria, canso-me ainda mais. O vento sopra mais sementes prenhas de tudo menos do que eu queria. O dia brilha com energia renovada, castiga os olhos fatigados em olhar o que poderia estar e não está. Doem-me as mãos. Deixa-me adormecer no teu regaço.


eikadan:

From ‘Pure as snow’ seriesMira Nedyalkova
From ‘Pure as snow’ series
Mira Nedyalkova

27/12/2015

Manhãs

Acordar com vontade de me abandonar ao tempo. Confirmar que ainda sei de cor os caminhos por onde os meus dedos andaram e onde me perdi sem remédio. Fechar os olhos como quem guarda o sonho e aprisiona o desejo que se esvai pelos lábios entreabertos. Sentir o corpo a desfazer-se de saudade, engolido pelo calor da cama sempre vazia.

23/12/2015

Não sei desejar pela metade

Carla Pinto Coelho


Por isso, para todos, desejo o melhor e dias felizes por inteiro.

Lista de desejos natalícios (com atraso considerável)

A pensar nos atrasados (e talvez isto não seja politicamente muito correcto) que me querem encher de prendas este Natal e ainda não descobriram o que me dar, eu dou uma ajudinha.

Lista de desejos natalícios

um descascador
um ralador
um coiso de cortar coisas em fatias
um descaroçador
uma faca de legumes
um quebra-nozes
um copo de medir
uma balança
um tacho que leve mais de 5 kg (não é uma panela, é um tacho)
um cheque-oferta numa gráfica com direito a impressão de 500 000 rótulos
um cheque-oferta numa fábrica de vidro com direito a comprar 500 000 frascos
açúcar, muito açúcar (pacotes de quilo, sacos de 10 ou 25 kg, desde que seja Sidul ou RAR)
sacos de nozes
abóboras menina
sacos de colheres
resmas de sacos de papel
quilómetros de ráfia
berliques e berloques



Enfim, não quero ser muito exigente, nem pedir demasiado.
São só umas sugestões singelas.

22/12/2015

às vezes o tempo fica parado e espera-se. não se sabe muito bem o quê.


21/12/2015

Atar as pontas

Temos a vida transformada num novelo. Entre a parca habilidade em enrolar o fio e o descuido alheio pela meada de que somos feitos, o mais certo é chegarmos a uma altura em que as pontas são mais que muitas e as oportunidades de as atar, muito escassas. Devemos, por isso, aceitar com toda a alegria os momentos em que os enganos do passado possam ser esclarecidos - pelo menos o vislumbre de que seja isto mesmo que venha a acontecer.
E as outras? É esperar com paciência. Pode ser que atinjamos um dia o ponto perfeito de não termos mais passado desarrumado para nos perturbar o resto dos dias.

18/12/2015

Até...


17/12/2015

Perhaps I've done all wrong

a verdade é que fiz o melhor que soube.
 

Wrong way by ~dropoflight

16/12/2015

Se a música não fizer a parte dela...


Seafret - Oceans

15/12/2015

A trapezista

 
 


Começou a subir aos telhados.
Começou a resolver neles muito tempo.

(Primeiro, os dedos na janela mais acima.
Depois, era o cabelo que subia.
Um pulso a içar a alma para outra cidade.)

Daqui vê-se tudo.
Os gatos deitam-se e lambem-me os pés.

Os pés sobem molhados pela chuva.
Os homens congeminam negócios estendidos nas mulheres.

As crianças gritam dentro das casas quando os sonhos
lhes arrancam pedaços das costas.

Os homens caminham com quadros pendurados nos joelhos
As pessoas escrevem artigos nas revistas
sobre o que seria o mundo se alguém do outro lado as ouvisse

E é então que eu saio
e sobre os ombros das árvores disponho a economia
cravando-lhe os dentes ou
roçando apenas o meu sexo
no trapézio

Inclino-me sobre a sua demência particular
neste dia emparedado entre sucessos e crisântemos
e as crises
e ouço as ruas onde lá em baixo uma pessoa
ajeita um pouco melhor os ossos

Aquela mulher fabricou uma cozinha resistente a tudo
atravessou os séculos assoberbada de electrodomésticos
inexpugnáveis – ao fim-de-semana envolvia-os em celofane e espanava
um pouco melhor os filhos.

Mais à frente o parque onde as estratégias se apresentam -
o presidente à frente, seguido pelo hidrogénio ou o hélio
– conforme a posição do sol no buço da democracia –
e o écran reflectindo o écran e a
maresia.

Aqui no alto rodo os pés e alongo mais os braços.
Nos primeiros meses estendia-me com o corpo para baixo e deixava
o sangue inundar a cabeça. Via manchas vermelhas da
menstruação por entre os amigos que prometia esquecer.
Eles traziam-me os seus corpos nus e eu aquecia as suas unhas
cravadas pelo vidro.

Dizem: se os videntes permanecem firmes perante pequenos tiranos
podem chegar a suportar a presença do incognoscível.
Todo o conhecimento é o resultado de uma deslocação.
Se é verdade que todos os caminhos são iguais?
Sim. Pois não te conduzem a lugar nenhum.
Se quiseres fazer como o feiticeiro índio da tribo iaqui,
perguntarás: e esse caminho tem coração?

Perdi a minha agenda de fenómenos electromagnéticos.
Não sei por isso de que lado esperar
este súbito irromper
da melancolia.



rui costa
metphoria
guimarães2012
fundação cidade de guimarães
outubro 2012

 

14/12/2015

Nem este blogue o é

A ideia da exposição da intimidade é enganadora, porque as pessoas presumem sempre que sabem coisas que não sabem, fazem inferências baseadas em nada. Julgo que a intimidade diz respeito aos temas da poesia, todos os temas grandes da poesia são de certa forma íntimos – o amor e a morte são assuntos bastante íntimos. Mas um poema não é um diário

Pedro Mexia, em entrevista no Jornal I



(lido no blogue da Rita Nashe; realce meu)

12/12/2015

Furiosamente

baking:

11/12/2015

E no regresso é isto

Uma pessoa escavaca-se no blogue, esbardalha-se em músicas, letras, imagens, cenas... e passam dias sem que alma vagueie neste espaço. Um dia, tropeça em Hans Bellmer, gosta do que vê, partilha e em dois dias o homem chega às 200 visitações.
 
Sem ter punch line que acabe com isto, é melhor ir secar o cabelo e passar um creme nas mãos.

Viver dói

Percebemos toda a nossa irrelevância quando, no momento em que mais precisamos das nossas pessoas, elas decidem abandonar-nos.

09/12/2015

Hans Bellmer

07/12/2015

A terceira panela

Tenho a terceira panela ao lume. O açúcar desfaz-se na água e, correndo tudo bem, há-de começar a caramelizar e eu hei-de juntar-lhe bananas às rodelas e deixar apurar. Cheira por isso a banana na cozinha, uma banana madura e cheia de pintas. É a terceira panela que ponho ao lume, hoje. As encomendas chegam sem aviso e são sempre em grande, mesmo que sejam de frascos pequenos. O açúcar vai-se desfazendo, a fruta cozendo, os frascos enchendo. A cozinha cheira a banana, mas já cheirou a pêra e a vinho do Porto, a abóbora e há-de cheirar a maçã -- com pequenas notas de limão pontilhadas de canela. São bonitos os frascos que vou enchendo e onde hei-de colar rótulos lilases e atar fitas douradas. A terceira panela ferve no lume. Vejo o açúcar a desfazer-se na água. Não sei se é o açúcar se sou eu.

06/12/2015

O castigo do exilado

é saber que nunca regressará a casa.
 
Cuca, a Pirata*
 
 
 
*Desculpa, Cuca, mas não consegui esperar pela resposta. :)
 

04/12/2015

Speaking of Truth


LALEH

Princesa abandonada





fere-me uma dor na alma feita de cinza e olvido
um saco tropeçado no chão a transtornar-me a alegria

03/12/2015

A resistência dos materiais

Não há como fugir. Nalgum momento específico todos vão exigir, tentar quebrar-te, impor, forçar, dobrar-te à sua forma. Hão-de ficar muito ofendidos quando o material de que és feito resistir. E hão-de dizer que a culpa é tua, és tu que não sabes fazer as coisas -- porque as coisas bem feitas são feitas como eles querem. E hão-de ir embora, batendo a porta com estrondo, com grandes gestos dramáticos e afectados. E hão-de deixar-te sozinho, mergulhado na culpa que te impuseram, a ver se quebras, a ver se cedes. Depois hão-de cansar-se e procurar outras vítimas. O material de que és feito ficará então ainda mais resistente.

02/12/2015

Tenho secretamente guardado mapas das terras que ainda não vi.

E das que vi, também, para que um dia possa voltar. Tenho traçado rotas e marcado lugares, com um marcador de ponta média. Escrevo datas previstas de visitação e planeio passeios que durem vidas. Chapéu na cabeça, mochila às costas, sapatos leves nos pés. Distraio-me. A minha pele ainda não se habituou ao prurido que o chumbo das correntes lhe provoca.

30/11/2015

Declaração de intenção

Tenho a página em branco à minha frente. Penso no que hei-de escrever. Ensaio algumas palavras que escrevo e apago. Considero inspirar-me com alguma música ou imagem. Lembro-me da descontracção do meu passado no seu jeito felino «a palavra que mais identifico com a Rapariga é cansaço». Paro imediatamente os dedos sobre o teclado. Hoje, não escreverei sobre isso!
 
realityayslum:

Hedrich Blessing 
Silhouetted Typist, 1930s
Hedrich Blessing
Silhouetted Typist, 1930s

29/11/2015

Cada vez menos

Não entendo as pessoas que vivem num permanente estado de enamoramento pelos trabalhos que fazem. Não faço o que amo, amo pouco do que faço. Conto pelos dedos de uma mão o que realmente me entusiasma. De resto, é o fazer porque fazer é melhor do que não fazer. Largo livros a meio, esqueço-me das músicas que ouço, ignoro o que já vi. Fui perdendo objectos pelo caminho, e pessoas. Caem-me das mãos todos os dias: os objectos e as pessoas. E eu não faço nada do que amo e amo cada vez menos tudo o que faço. Há palavras de fogo que me queimam a alma. Há o medo de saber se foram raiva ou verdade. E caem, elas caem, tombam, todos eles. Amo cada vez menos. Mas só o que faço.



amespeciale:

Sentire….

28/11/2015

Quando por fim vier o fim

vintage-cf:

vintage blog
autor desconhecido


Quando chegar o fim e eu já não reconhecer as minhas mãos
quando o meu coração se cansar de sentir e os meus olhos de imaginar
quando as folhas de todos os livros ficarem por fim em branco
e as palavras desaparecerem
então pegarei em objectos antigos e inventarei
novas formas de me perder.

27/11/2015

Não sei que se passa comigo

Mas nos últimos dias tem-me dado para ouvir música francesa. Não uma qualquer, daquela mesmo de cortar os pulsos. Na verdade, já fiz as pazes com este meu gosto particular por músicas com letras miseráveis e deixei de parte as análises de divã, querendo ver nisto mais do que é: pancada.

Portanto, caríssimos que me lêem, não há muito mais a dizer. Siga Jacques Brel, para arrancar lágrimas às pedras da calçada (que eu devo estar a ovular).


Ne me quitte pas - Jacques Brel

26/11/2015

24/11/2015

Hoje


 
Pela primeira vez, despedimo-nos sem dizer até amanhã. Adiámos o momento até não podermos mais. Necessariamente efeitos secundários da constipação, já tenho saudades de todos e de cada um.
O que é que faço agora? Quem é que me vai fazer rir? A quem é que eu vou pintar as unhas? E as queixas, Deus meu, as queixas! A quem as faço agora? Quem vai trazer bolachas e tostas para comer com os meus doces? A quem prometo eu limpar o carro a troco de sucessivas boleias? E os almoços e as natas e as fotocópias?
Hoje não houve até amanhã. Os efeitos secundários são já uma tremenda saudade.

23/11/2015

Sem resguardos

lavandula:

kate moss by paolo roversi, 1996
Kate Moss by Paolo Roversi, 1996

Não sei o que é dar-me aos bocados. Nem o que são jogos de intenções, malabarismos de emoções, toca-e-foge. Não sei o que é o largar milimétrico da corda, para a seguir a puxar com toda a força, nem o rodopio insinuante das palavras de pouca verdade. Sei o que é um peito aberto, nu e exposto. Sem resguardos, sem filtros, sem avatares de coisa alguma. Até ao esvaziamento. até ficar com coisa nenhuma nas mãos. Até ao cansaço total.

21/11/2015

São tudo fantasias que o cinema projectou no meu olhar


Márcia + Dead Combo - "Visões Ficções"

20/11/2015

Que fazer?

Quando o desnorte é a única estrela que nos guia?

19/11/2015

Há-de engolir-nos de vez

 
O silêncio impõe-se. Aprenda-se ou não, estará lá -- um nevoeiro surdo a alimentar-se das pequenas vozes que resistem no tempo. Porque hoje não se diz, amanhã também não, no dia a seguir muito menos. O mundo desfila à frente dos olhos um cinema de horrores. A boca muda. Cobre-se a carne de manchas roxas, feias manchas de dor. A boca muda. E os outros falam e riem e cantam e embriagam-se do que têm mais à mão. Muda -- a boca, as palavras, o vago gesto da reacção. O silêncio impôs-se e um dia há-de engolir-nos de vez.
 

Todos os instantes contam

17/11/2015

Morrer de tédio

Os computadores têm os ecrãs abertos como janelas que dão para paredes de cimento. Remexem-se as cortinas, sacode-se o pó, à procura de pequenos póneis escondidos no meio da lama do tédio. A voz embala -- ouve-se sem se ouvir. Medimos o cansaço de forma muito eficiente. Escrevemos planos de processos com a eficácia de pequenas máquinas oleadas rumo ao sucesso. Tudo se passa ao longe. Longe. Longe. Tudo está longe. Os afectos, a vontade, a vida, e o fim dos dias. A seriedade é um manto pesado que esconde as nódoas negras da indiferença. Números contabilizados em nada. Baixam-se os índices do que se mostra - somos perfeitos em todas as coisas. Aumenta-se proporcionalmente o desespero. A voz fala ao longe. Embala. Tudo longe. E nós medidos, nós oleados, nós eficientes, nós eficazes, nós bem certificados na arte de mal gerir, nós aos pedaços em maços de folhas destinadas ao nosso destino. Longe.
 
o-amor-e-a-vida-a-sonhar:

© Angelika Ejtel
© Angelika Ejtel

16/11/2015

Nem rosas




Não segures nada nas mãos
nem rosas
o desalento é uma mancha na carne rasgada.

Não suporto mais ler a verborreia que grassa, por todo o lado, sobre tudo, nada e mais um par de botas

Beethy Photography

14/11/2015

Um desconsolo na alma


Hymn for the fallen - Dead Can Dance

13/11/2015

Tudo o que tenho para dizer é música




Run boy run! This world is not made for you
Run boy run! They’re trying to catch you
Run boy run! Running is a victory
Run boy run! Beauty lays behind the hills

12/11/2015

Mar dentro

Carla Pinto Coelho


Descalçámos as pernas,
como fossem botas,
entrámos mar dentro
à força de braços.

Um é a soma de dois.

Precipitámos gotas de chuva
para fora de nós --
a Ilha dos Amores é já ali
a seguir à curvatura da Terra.

11/11/2015

Pensamentos erráticos

Complica-se a vida sem necessidade.

(virgulo ou não virgulo? )

Complica-se. Houvesse um pouco mais de método, de organização, de sensibilidade, e tudo seria mais fácil.

Morram os rodriguinhos, morram!
PUM!



Hoje procurei a tua morte e foi a coisa mais idiota que fiz.


E depois coisas boas acontecem.

10/11/2015

A prova que faltava para justificar o alucinamento deste espaço

Sanguíneo Melancólico

Sanguíneo Melancólico é uma pessoa altamente emocional, rindo num momento e chorando copiosamente noutro.  Sanguíneo Melancólico tem um grande potencial, mas necessita de se sentir seguro e admirado pelos outros, na realidade isto é o que impulsiona em grande parte as suas realizações.

Sanguíneo Melancólico sente a tristeza do outro

O sanguíneo melancólico sente genuinamente as tristezas das outras pessoas, sendo que para eles é muito difícil ouvir uma história triste ou um acontecimento difícil da vida de outra pessoa sem derramar lágrimas. Muitas vezes uma música melancólica pode fazê-los chorar profundamente.

Sanguíneo Melancólico é perfecionista

Pessoas com esta combinação de temperamentos são bastante perfecionistas, afastando-se das pessoas, isto porque verbalizam frequentemente críticas. Normalmente são voltados para as pessoas e contribuem de forma significativa para as vidas das mesmas, desde que não permitam que o seu ego as torne inconvenientes.

Sanguíneo melancólico é sonhador e inseguro

Pessoas com este tipo de temperamento  são sonhadoras, isto porque tanto o sanguíneo e o melancólico são sonhadores. E isto pode tornar-se uma grande fraqueza, na medida em que o se seu lado melancólico pensar de forma negativista, pode anular por completo o potencial desta combinação de temperamentos.  E a sua tendência é voltarem-se para si mesmos, sentindo-se inseguros e temerosos.

09/11/2015

08/11/2015

Dos dias que acordam cansados

 Embrace, 2001 ©Mona Kuhn/Courtesy of Edwynn Houk Gallery
 

06/11/2015

Rogo, Rogare, Rogavi, Rogatus




escreve-me com os teus dedos
histórias que não podem ser

03/11/2015

São quase dez horas da manhã

São quase dez horas da manhã. Lá fora o tempo parou numa claridade acinzentada. Cá dentro tudo parado numa escuridão de ignorância. Às vezes um murmúrio, lá fora como cá dentro, lembra-nos a todos que há mais vida para além do desconsolo destes dias.

01/11/2015

you're the lucky ones

artizan3:By Pavel Mirchuk
Pavel Mirchuk


And if you're still bleeding, you're the lucky ones.
'Cause most of our feelings, they are dead and they are gone.
We're setting fire to our insides for fun.
Collecting pictures from the flood that wrecked our home,

It was a flood that wrecked this...

Youth - Daughter




31/10/2015

Das recorrências

let_me_sleep_by_karae

 

All I want to do
Is to drift away
Hush-a-bye, baby
All I want to do is go to sleep
To sleep, to sleep, to sleep



Anja Garbarek - Sleep

29/10/2015

E os que não o são perecem

un-air-d-autrefois:



Jean-Philippe Charbonnier ,

Lovers, Paris, 1950′s
Jean-Philippe Charbonnier , Lovers, Paris, 1950′s




Dois amantes felizes não têm fim nem morte,
nascem e morrem tanta vez enquanto vivem,
são eternos como é a natureza.
 

28/10/2015

Talvez eu tenha morrido

e ninguém me tenha avisado.
Ou então preciso de uma cama, uma manta e uma droga potente que me deixe a dormir seis meses. Pelo menos.

27/10/2015

Conspurcação deste espaço com temas políticos

Sou assumidamente uma naba no que à política diz respeito. Aumenta o meu grau de nabice quando passo desta para as intrigas palacianas que, dizem alguns, é outra forma de dizer política. Mas, até eu consegui perceber o grau de irritação de um certo publisher (mania de só usar nomes estrangeiros) de um certo jornal em linha, bastante conhecido (que seria de grande tiragem, caso fosse em papel, estou em crer), por o PS+PCP+BE terem quebrado uma lei não escrita (assim mesmo que li) sobre o Presidente da AR sair do partido com maior representação parlamentar, uma regra que vigorou em 40 anos de democracia (e cito sem aspas nem ligação directa ao local do acidente) e terem escolhido um do outro lado da bancada.

Ora bem, eu que sou uma naba assumida e confessa fico cá a pensar com os meus botões que o que irrita verdadeiramente estes opinion makers (mais uma estrangeirada, só porque é bonito), que de jornalistas têm pouco, é que se quebrem regras não escritas, porque as que estão escritas preto no branco e vigoram pelo mesmo tempo, ou coisa que o valha, podem ser perfeitamente quebradas, se os interesses de alguns ficarem assegurados.

Desejar que mordessem a língua era pouco.





(os posts de martírio emocional seguem dentro de instantes)

25/10/2015

Why do we do what we do


Ghostlight Orchestra - Just




Girl of my nightmares
Leading me blind
From that woe is me island
Never ending in light
I just want to love you
But never see it through
And that's just what it all comes to
Why do we do what we do
Now you...

24/10/2015

Anyway


Anyway - Weloveyouwinona



It's not hard to understand
the reason of his pain
It's not special it's casualty
but not for me


22/10/2015

Oftalmologia sentimental

 
 
É preciso que me leias com a precisão de um olhar arguto.

21/10/2015

Últimos metros

 

O comboio arrasta-se à entrada da estação. Devagarinho percorre os últimos metros da viagem: indiferente, cansado. Como eu.

19/10/2015

Acorda-se assim

 
Acorda-se assim, um cansaço nos ossos que tolda os movimentos. É cedo, horas altas -- não será por isso. A mágoa é uma palavra demasiado forte, mas o desgosto sente-se em casa. Acorda-se assim e assim caminha a manhã. Não se prevêem alterações para a tarde. Talvez a lua traga sobre o assunto uma nova luz.

17/10/2015

so the hours fade


The Hours - The Kays Lavelle


there's something in the way
the way we live our lives
the way we just deny
what can't be denied





16/10/2015

Decisões

Não se vive sem decidir. A recusa da decisão é já uma decisão. A dificuldade está em decidir correctamente.

15/10/2015

Vontades matinais

 


14/10/2015

Um Governo irresponsável

é o reflexo de um povo irresponsável.
Nenhum tem moralidade de exigir o que não dá.

12/10/2015

Outono

una-lady-italiana:

Siebyl Anikeeff by Edward Weston.
Siebyl Anikeeff by Edward Weston
 
 
Gosto das cores desmaiadas que o outono traz,
o recolhimento da natureza, toda
ela em recatada sonolência.
Gosto da pulsão da semente
debaixo da terra
à espera do sol e do calor 
que há de vir,
preparando-se para a explosão
de vida e cor.
Gosto de me saber terra 
e planta 
e semente
e recolhimento 
e recato
e pulsão,
esperando
pelo sol
e o calor
que trarás
contigo.


http://caisdasletras.blogspot.pt/2012/11/outono.html

10/10/2015

Sempre iguais



Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é.
 
Alberto Caeiro

05/10/2015

Em pausa


02/10/2015

Sou feita das cidades que habitei

magiadelsogno:

Angelica Paez
Angelica Paez

01/10/2015

escrevo para dizer o que não pode ser dito
Ana Hatherly

30/09/2015

Há dias em que o deserto parece não ter fim, ser demasiado intenso e ardente para aquilo que um corpo frágil e perecível é capaz de aguentar. Os oásis estão sempre no lado oposto ao desejado. São voltas e voltas e voltas e voltas. 40 anos bem medidos. A Terra Prometida é já a seguir à próxima curva.

29/09/2015

Para dizer que te amo

O rosa e o negro

gacougnol:

Leopoldo PomesMantilla 3 1984
Leopoldo PomesMantilla 3, 1984

Abro a mala e percebo num vislumbre os contrastes de que sou feita. À superfície, sempre preferi a assertividade e a indiferença do preto. Um manto opaco que esconde todo um mundo rosa espalhado pelos pormenores do meu dia-a-dia.

27/09/2015

Não mudando por dentro

muda por fora. Menos dois terços de cabelo na minha cabeça a fazer jus à política de abandono das zonas de conforto, batida a punho ad nauseam, pelo ainda Governo.

26/09/2015

Llevo el Sur como un destino del corazon

Vuelvo al Sur - Gotan Project

24/09/2015

As muitas formas da violência

Num casamento, há poucas coisas piores do que a dependência financeira de uma mulher.
Sempre fui contra a mendicidade.

23/09/2015

Obrigação do dia



No meu jardim 
Miguel Torga


No meu jardim aberto ao sol da vida,
Faltavas tu, humana flor da infância
Que não tive...

E o que revive
Agora
À volta da candura
Do teu rosto!

O recuado Agosto
Em que nasci
Parece o recomeço
Doutro destino:

Este, de ser menino

Ao pé de ti...

20/09/2015

Sabes bem que não minto, tonto



Amor Afoito - Ana Moura

Dou-te o meu amor
se mo souberes pedir, tonto.
Não me venhas com truques,
pára, já te conheço bem demais.

Dou-te o meu amor
sem qualquer condição, por ora.
Mas terás de provar que vales mais
que o que já mostraste ser.

Se me souberes cuidar,
já sei teu destino.
Li ontem a sina,
a sorte nos rirá, amor.

Se quiseres arriscar,
não temas a vida.
Amor, este fogo
não devemos temer.

Dou-te o meu amor
em troca desse olhar, doce.
Não resisto e tu tão bem sabes.
Tenho raiva de assim ser.

Tudo em mim, amor, é teu,
podes tocar, não mordo.
Sabes bem que não minto, tonto.
Meu mal é ter verdade a mais.

18/09/2015

Dúvida

Não sei se o regresso aos poemas é um bom indício ou não.

16/09/2015

É beijo tudo o que de lábios seja

supruntu:

Jindrich Streit
Jindrich Streit


Jorge de Sena

Um beijo em lábios é que se demora
e tremem no abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mais beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.
É dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombras
e nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja.