29/04/2014

Dia Mundial da Dança

autor desconhecido

Inventei a dança

Sophia de Mello Breyner Andresen


Inventei a dança para me disfarçar.
Ébria de solidão eu quis viver.
E cobri de gestos a nudez da minha alma
Porque eu era semelhante às paisagens esperando
E ninguém me podia entender.

[e o tanto que me apetecia dançar: eu, tu e os nossos quatro pés esquerdos]

28/04/2014

e cantar

A boca
Eugénio de Andrade

A boca,

onde o fogo
de um verão
muito antigo

cintila,

a boca espera

(que pode uma boca
esperar
senão outra boca?)

espera o ardor
do vento
para ser ave,

e cantar.


Dia Mundial do Sorriso

Para comemorar, o meu - que até tem muitas razões para se fazer notar. (:

25/04/2014

Manifesto

tenho os pulmões cansados
do monóxido das palavras
os meus músculos exigem
acções

23/04/2014

Dia Mundial do Livro


Eu queria apenas partilhar contigo a domesticidade sossegada de nós dois. Queria - vê lá tu - sentar-me ao teu lado, numa varanda sobre o mar, e escrever um romance que tu pudesses admirar. 

in Fazes-me Falta, Inês Pedrosa

21/04/2014

Sambinha Clichê

Sambinha Clichê - Couple Coffee



Esta música quase podia fazer parte de A minha vida dava uma banda sonora

Hoje cantarola-se assim

Papoilas.... la la la... festa... la la la... orgulho... la la la... a vibrar... la la la

18/04/2014

Uma só palavra

Cross_Roads_by_christians

Obrigada!


17/04/2014

Tal qual uma abóbora

Parece ser do conhecimento comum que as mulheres têm a capacidade de levar os homens a fazer tudo o que querem. Usam, para isso, técnicas apuradas de jugo e manipulação, jogos de poder, amuos e violências de vários graus que tanto podem ser em forma do tão odiado silêncio gritante como em forma de palavra de agressividade apropriada ao contexto.

Comprovadamente é. Para minha grande infelicidade, sou de momento espectadora de um episódio que gira em torno de eu-mando-tu-obedeces-se-não-o-fizeres-há-chatice. Ser-me-ia indiferente se não me tocasse cá no nervo sensível, motivo que me leva a estar em modo mola com fecho de segurança triplo, não vá sair-me qualquer coisa disparada pela boca, saídinha directamente dos pulmões sem passar pelo cérebro censório.

Parece ser do conhecimento comum que as mulheres são umas manipuladoras de primeira. Menos eu. Tenho a capacidade de convencimento de uma abóbora e, se me preocupo e pergunto tão-só «está tudo bem?», sou maluca, estou-me a passar, não ando bem, vejo coisas que não lembram a ninguém, porque, meus caros, o cérebro masculino em causa pensa pelo cérebro feminino que sabe realmente manipular.

É, eu tenho a capacidade de convencimento de uma abóbora, talvez fosse melhor deixar de ser tão compreensiva, tão não-me-meto-na-tua-vida, tão dar espaço e respeitar. Se calhar, devia começar a bater mais o pé e a fazer fitas e dramas, que abomino, e os joguinhos , que não sei fazer, mas parece que os homens gostam, valorizam e, la crème de la crème, obedecem!



Entretanto fiz bolachas e biscoitos. Não cresceram - talvez tenha batido demasiado na massa.

16/04/2014

Caros compinchas

peço muitas desculpinhas por parecer que não vos leio nem vos acompanho, porém, é só aparência. O Feedley veio a este mundo para separar os seguidores dos blogues que seguem, urge por isso combater este sedutor que tantas visitas tem roubado pela Internet fora - só não será hoje. 

Jorge, não desfaleças! Já vi o teu desafio e prometo que o vou cumprir. (:

Agora ide e portai-vos medianamente. Eu vou ali fazer coisas e não se se volto.

15/04/2014

A minha vida dava uma banda sonora #21

Ao contrário de todas as outras música que de alguma forma me reportam a alguém ou a alguma situação, esta leva-me a mim, ao mais íntimo do que sou - à permanente certeza que é sempre possível recomeçar e que a minha é casa é o lugar que crio primeiro para mim.


How to build a home - The Cinematic Orchestra

14/04/2014

Ontem foi o Dia do Beijo



Vá-se lá saber porquê, esqueci-me.

11/04/2014

É um alívio saber

Jan Scholz

É um alívio saber que não há problemas de maior com o meu intelecto, exceptuando-se uma ignorância galopante que me acompanhará a vida toda; nem que o cansaço é depressivo ou a aproximar-se perigosamente deste território pantanoso. É tão-só anemia.



10/04/2014

07/04/2014

Será num dia de sol

Frank Scherschel
saberás o dia em que partir
será um dia de sol
e o ruído da cidade apagará os
meus passos


(escrevem-se coisas estranhas no estado sono-quase-sonho)

04/04/2014

Por que escrevo eu poemas?

Harold Bloom responde:

De facto, porque é que os homens escrevem poemas? Para coligir tudo o que fica e não para santificar ou apresentar.

em A Angústia da Influência, Ed. Cotovia, 1991, p. 35.

03/04/2014

Universo feminino

Há dias em que me sinto normativa, outros, descritiva. Hoje, por exemplo, acordei agramatical.

Solução fácil para a descoberta

O vento a fazer-me chorar, o vento
Solução fácil para a descoberta
Da desilusão. O vento é a perda
Do corpo arrumado, dos dedos limpos,


A dar-me conta da força que tenho
Em cada fenda nos lábios. O vento
Coisa invisível, macia, letal,
Sopro em mim de fora, desordenado.


O vento é sal, subida, espécie de onda
A cobrir saudades na praia mansa
Em que os pés se enterram na vaga areia.


E muda, o vento, quando agita árvores
De grande porte, de folhas incertas.
Muda para ser o que é, silente.


02/04/2014

Não esquecer

autor desconhecido

Hoje, e nos dias que se seguirem, tem de ser dita a verdade, só a verdade, nada mais do que a verdade. Assim Deus nos ajude a todos a não desfalecer de honestidade.