11/12/2014

A tempestade

Os jornais avisaram que a tempestade chegaria. Fecharam-se diques, protegeram-se casas e aguardou-se.

As tomadas foram desligadas durante a noite. Dentro de casa mal se sente o vento lá fora. Desde manhã cedo que parece que vai anoitecer - o Sol neste lugar parece sempre cansado, talvez seja da altitude, da proximidade do Árctico, pode ser que o Sol não goste dos pés frios, nem das mãos dormentes, nem do nariz húmido, e se comporte assim, como uma diva que faz o frete de aparecer aos admiradores, apenas e só pelo tempo necessário. Vive-se à meia-luz, numa vertigem de chuva que ameaça constantemente fazer galgar os muitos lagos em volta.

Na rádio, avisaram que se aproximava uma tempestade. Pela hora do almoço, o Sol tapou-se mais, o céu escureceu mais e as nuvens choraram o lusco-fusco que se precipitava contra a janela, grosso pingos gelados. Pelo ar voam folhas que vão desistindo de estar presas à árvore-mãe. No chão amontoam-se folhas caídas, gotas chovidas e passos marcados na terra.

A tempestade desistiu de chegar.

foto minha

Sem comentários:

Enviar um comentário