07/11/2014

Ligeiramente verde, mas não muito

deadendqueen:

by an-gray (deadendsoul)
An.Gray

Leio blogues. Leio muitos blogues. Ao fim de cinco anos, perdi o constrangimento de não seguir quem me seguia, por razões de cortesia, e passei a seleccionar realmente os blogues que me dão prazer ler, ver, ouvir, contemplar. Gosto, por isso, de blogues que me façam pensar, me divirtam com inteligência, que acrescentem ao meu dia alguma coisa de bom. Os que circulam à volta de actualizações constantes da vidinha como se fossem murais do facebook ou do twitter fazem-me comichão na palma das mãos - não discuto o valor, arrogo-me o direito de não os ler.

Tenho, no entanto, de ser honesta e admitir uma certa nota de inveja nas minhas leituras. Não uma inveja que chegue a ser verde forte, fica-se ali no meio tom entre o amarelado e o esverdeado, que eu também não sou dada a estados biliosos. E que invejo eu? A capacidade que alguns dos autores dos blogues que sigo têm em escrever textos longos, com reflexões sobre acontecimentos do seu dia, bem estruturados, com inteligência e graça, mais do que um por semana.

Não é que eu não reflicta ou que não escreva na minha cabeça tratados sobre as misérias do meu dia, faço-o. Aliás, uma das razões por que sou tão distraída reside nisto, na facilidade com que me ausento para a varanda da minha mente, onde gosto de pensar.

Qual é então o meu problema? A textualização, caríssimos, a textualização. Quando me sento para escrever as minhas conclusões, não sai nada, nem uma frase de jeito, nem uma graça, nem um raciocínio como manda a lei: com tese e antítese. Nada. Já pensei várias vezes que alguém devia inventar uma impressora que imprimisse directamente das ideias. Ah, caríssimos, se assim fosse, isto é que seria despejar pérolas de escrita elevada, para alimento literário dos famintos de boa escrita! Mas não, só parágrafos e poemetos. Tudo muito árido, como convém à manutenção da modéstia.

Mas admiro-vos. Palavra de honra que vos admiro.

6 comentários:

  1. Não tens razões para invejar ninguém. Escreves lindamente.

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  2. para quem diz que não escreve nada de jeito… pffff…

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  3. Timtim, mas eu queria tanto escrever textos longos, bonitos, e não consigo! sniff

    Este foi um achado, nem sei como juntei tanta letra.

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  4. josé luís, este saiu-me assim porque eu tinha bebido/comido/fumado o mesmo que o Pires de Lima! Não fosse isso e só me sairia uma rima foleira. (;

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  5. Parece me que escreves... e muito bem :)

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  6. Não será a tua formação o teu constrangimento? O texto perfeito é algo que não existe. Quando leio, e leio-te, interessa-me muito mais a capacidade de exprimir sentimentos que a forma. Pensa nisso.

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