27/11/2014

De guarda ao telefone fixo

Estou desde de manhã de guarda ao telefone fixo. Desde que recebi um email que me alterava uma reserva para horas que não me convêm nada. Preciso, para descanso da minha alma, de saber se posso trocar o Porto por Lisboa. Do lado de quem me trocou as voltas só o atendedor de chamadas e a voz de senhora ausente se interessa por mim, repetindo por largos minutos que não há quem me queira falar em voz presente e que me decida: continuo esperando ou aguardo que me liguem. 

Estou, por isso, desde manhã cedo de guarda ao telefone fixo, à espera que uma voz que seja me confirme que, sim, troque o Porto pela capital, teremos muito gosto em lhe alterar o local de embarque.

Há pouco tocou o telefone - Identidade Oculta. Por norma não atendo identidades que não se mostram, contudo, quem espera sujeita-se:

-- Estou, sim? - perguntei esperançada.

Do lado de lá apenas um grito para alguém que não era eu:

-- Pagas-me um café?

Repeti a pergunta, sem esperança e sem o sim, só com o ponto de interrogação.

Desligaram. Do lado de lá do telefone bateram-me com a tecla vermelha no ouvido sem ao menos lamentar o engano. Melhor assim, não tinha vontade nenhuma de pagar o que quer que fosse a tal pessoa.

Olho para o relógio e suspiro. Só preciso de uma confirmação que não chega.

2 comentários:

  1. ai carla, temo que a confirmação estivesse dependente de um café… ;)

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  2. Em minha defesa: quem queria o café é que desligou! (:

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