23/06/2014

E ainda assim eles crescem

Os nossos filhos não têm o direito de crescer, de se emanciparem. E quem diz os filhos diz os irmãos mais novos, que são uma espécie de filhos fora de horas, quando o relógio ainda não teve corda suficiente por onde se esticar.

Não, os nossos irmãos mais novos não têm o direito de crescer, nem de se emanciparem. Não têm o direito de nos sair dos braços, de deixar de riscar os nossos cadernos e os nossos livros, de deixarem de querer o colo que era nosso, de não nos expropriarem dos nossos pais, de já não vestirem roupas mais bonitas do que as nossas com a idade deles, nem de atirar para um canto os brinquedos com que nunca brincámos.

Os irmão mais novos deveriam ser sempre meninos acabados de chegar da escola, a precisarem da nossa ajuda para fazer os trabalhos, a subirem para a nossa cama a meio da noite quando troveja no céu.

Os nossos irmãos mais novos não têm o direito de crescer. Muito menos o de se casarem, como se de repente fossem crescidos e os anos tivessem passado por eles e os tivessem levado para longe de nós.

1 comentário:

  1. Pois... não deviam... mas crescem! Raios!

    Beijinhos Marianos, Carla! :)

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