07/05/2014

ninguém sonha a pressa

Dilia Oviedo

Ternura

David Mourão-Ferreira



"Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...


Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!"




in "Infinito Pessoal"

1 comentário:

  1. E, porém, a pressa pode ser melhor do que o nada...

    Beijinhos Marianos, Carla! :)

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