29/05/2014

Em gatês maternal

O meu nome é Tica e esta é a minha cria

Nos últimos tempos, tenho aprendido muito sobre a língua dos gatos. Digo língua enquanto sistema de comunicação, não enquanto órgão. Na verdade, há três semanas que frequento um curso intensivo de gatês, desde que a minha gata júnior decidiu parir a única cria na cama do meu irmão mais novo. 

Para a proteger dos outros quatro gatos adultos, dois deles machos, um deles ainda não castrado e respectivo progenitor da cria, trouxe-a para o andar de cima e pus-lhe o cesto no meu quarto. A minha gata júnior tem aversão à solidão, tê-la perto funciona para ambas: eu controlo-a e protejo-a, ela tem companhia e uma dose extra de mimo.

Têm sido, por isso, dias de grande aprendizagem, não de um gatês simples, que esse já eu sabia de cor e salteado: «quero comida», «deixa-me sair», «deixa-me entrar», «faz-me festas», »dá-me água da torneira»; mas um dialecto que só as mães gatas falam.

Aprendi, por exemplo, que o miado constante é a sua maneira simples de atrair a minha atenção e dizer-me: «vê o meu filho!» ou »faz-me festas!». A minha gata júnior que foi mãe de uma cria única tem momentos de muita carência de miminho, de festas, de atenção, de colo -- como qualquer mãe, como eu. Agora mesmo está sentada ao meu colo, a ronronar de satisfação, de olhos fechados em recatado pudor de não querer saber o que escrevo sobre ela.

Também aprendi que quando ela leva a cria única para o meio dos meus lençóis, chegou a hora de lhe mudar a roupa da cama. E de mudar a minha.