19/02/2014

Neste post há gajas quase nuas

Não é novidade para ninguém, homem ou principalmente mulher, que há dias em que nos sentimos feios. Se não feios, pelo menos diminuídos. Ou é mais um cabelo branco a juntar-se à revolução dos cabelos por um mundo mais sénior, ou são os papos nos olhos, ou uma borbulha no meio da testa precisamente no dia em que se vai almoçar com alguém importante, ou as calças não apertam tão bem, ou parece que nenhuma peça de roupa nos assenta em condições, o cabelo está colado à cabeça, a unha falhou, as meias romperam-se, o telefone é do tempo dos avós, o sapato descolou-se ou perdeu uma capa, o carro está na reserva e não há tempo de passar pelas bombas, um sem número de situações que podem contribuir para que o dia comece connosco a sentirmo-nos miseráveis.

Entretanto, os idiotas estampados nos cartazes da publicidade olham-nos do alto do seu mundo fresco e fofo, com sorrisos perfeitos, cabelos alinhados e sem vestígio de brancos - a menos que seja o Clooney e aí até os brancos dele são de invejar -, roupas giras que lhes assentam qual luva, com sapatos a brilhar e um humor de raiar a imbecialidade.

É todo um mundo de perfeição que, embora lá no fundinho de nós saibamos que não existe, tendemos a invejar, pelo menos, a desejar na proporção em que nos sentimos uma valente... treta.

A nosso favor temos a capacidade de relativizar as coisas, num certo ponto, e de aceitar a nossa condição humana, remetendo a idealização da publicidade para o quarto escuro da nossa cabeça.  O assustador no meio disto tudo é saber que há cada vez mais gente impressionada com as habilidades da manipulação da imagem e a deixar-se convencer por todo um sem-fim de patranhas ilusórias.

São conhecidas as campanhas da Dove (aqui e aqui) contra os insensatos padrões estéticos que a moda exige, ou da agência de modelos brasileira Star Models que criou a You are not a sketch. Say no to anorexia.

Não sei de que campanha será este trio, mas posso dizer-vos que esta que vos escreve está ali retratadinha e não é no mais à direita. É uma chatice muito grande, mas a minha médica diz que eu tenho ossos largos e sou linda por dentro e por fora (suspiro) e como ela é que é a doutora, ela é que sabe.

Vem isto tudo no seguimento (estive quase a escrever a propósito de, mas resisti) de uma ligação partilhada no Facebook sobre quatro mulheres que foram fotografadas e polidas pela lixa fina do Photoshop e a sua reacção ao perceberem que estavam como as deusas das revistas de moda.

Neste artigo, foi feita uma referência a uma música de uma cantora que desconhecia, Boogie, sobre a sua resistência a ser considerada um produto manipulável ao gosto de «quem manda». O interessante é que o vídeo acompanha todas as transformações digitais que a sua imagem sofre, enquanto canta versos como Je ne suis pas leur produit.


9 comentários:

  1. Nestes casos, não há nada como fazer das fraquezas forças Não há protuberância abdominal, cãs ou papo de olheira que me desanimem.
    "A propósito" da doutora, ela estudou, ela é sábia :)

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    1. Vou-te confessar uma coisa, ando de certo modo contente por vislumbrar já um cabelo branco ou outro. É como se sentisse que estou a atingir um patamar da minha vida que se afasta da infantilidade que se estende em muito até quase aos trinta - isto se não for mais. Embora tenha decidido que é este ano que pinto o cabelo pela primeira vez na minha vida, vem mais pela vontade de mudança que do medo da alvura capilar.

      A doutora, se fosse homem, era o homem da minha vida. :D

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    2. Eu, se fosse mulher, não pintava. Um cabelito monocromático, enfraquecido pela tintagem, não vale uma cabeleira farta de mulher. Mas isso digo eu, que sou homem, mas não sou médico :)

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    3. Vai ser para experimentar, antes que os brancos me assaltem quais cruzados a reconquistar Lisboa aos mouros. (;

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  2. This is a video response to Carla.
    http://www.youtube.com/watch?v=ghfxlT0n-z8

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  3. Carla, deixa-me tentar explicar isto sem me atirares às piranhas. pegando na foto onde tem 3 miúdas, a da direita não dá tesão nenhum a um gajo. a da esquerda não é huge, é mais atraente do que a da direita, o problema é que há mulheres HUGES mesmo que se vêm só largas de ombros (isto não e contigo, não te conheço sequer), a da esquerda, mas na realidade elas são bem maiores.

    bjim

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    1. Eu lá te ia atirar às piranhas! Era logo aos tubarões!!

      :D

      Estou a brincar...

      Isto de como nos vemos e como parecemos e como somos é tudo muito relativo, até porque os gostos variam, quer no que se oferece quer no que se procura.

      Acima de tudo, deve haver saúde e que a pessoa goste do que vê - e esta pessoa é a que «oferece», porque a que procura nem sabe sabe o que quer.

      Posso dizer-te que não sou uma pessoa magra, mas já quase fui e detestava olhar para mim, nada me ficava bem, não tinha formas nenhumas, enfim... um drama! Também não vou mentir e dizer que adoro a «forma» em que estou, queria realmente perder uns quilos, se não, pelo menos ficar mais firme, mas isto por mim, para olhar para o meu corpo e sentir-me bem, não por qualquer pressão estética ou de terceiros (terceiro, vá, que o uso do plural pode levar a más interpretações. ;)

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    2. acaba por haver sempre alguma pressão. e acabamos a agir por imitação de algo ou alguém que vimos. infelizmente é assim.

      beijinho. eu era igual. tinha problemas por ser magro de mais

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    3. Sabes que mais? Como se diz na minha terra: cada um é como cada qual e cada qual é como a puta que o pariu! E mai nada! ;)

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