29/01/2014

Olhos de água

São rios os lábios, correndo suaves pelas margens
do meu corpo.

São ondas as voltas da língua, navegando livre pelo mar
do meu deleite.

São escribas os olhos, escrevendo céleres por dentro
tudo o que sentem.

São mãos espalmadas, apertadas,
cheias, gritando contra o chão as palavras que
se confundem nas margens afastadas
dos lábios meus feitos ilhas
sequiosas dos lábios teus feitos água.

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