31/12/2013

30/12/2013

Caro 2013

no início das tuas horas, pedi-te que me deixasses saudades. Não cumpriste integralmente o pedido, mas não me posso queixar. Houve dias tristes, outros muito tristes, dias em que pensei arrumar as botas de vez e dias que compensaram os outros todos. Deste-me horas que valeram semanas inteiras e deste-me céus novos, outro chão para andar, uma nova forma de entender o mundo. Chegaremos ao fim do dia 31 em paz, despedir-nos-emos com cortesia e alguma ternura.

Quando te cruzares com 2014, dá-lhe a lista que te dei, com tudo aquilo que desejo, e avisa-o para ser gentil comigo.

I wonder...








I wonder why it is
I wont let my guard down
For anyone but you
We do it all the time
Blowing out my mind
Like a star - Corinne Bailey Rae

28/12/2013

Quando eu penso que já esqueci tudo

Outra vez te sentas à minha frente, olhando duvidoso a pizza de atum e frango que tu mesmo tinhas pedido. Não era a melhor das combinações, embora à partida tivesse parecido que sim, mas até estava boa. Submergias-te no tinto do copo e perdias-te no mar à tua esquerda, sem que eu tão-pouco sonhasse que te preparavas para partir, para nunca mais voltar.

27/12/2013

A minha vida dava uma banda sonora #17

Porque eu acabo sempre por ir, deixando para trás as coisas que foram, as pessoas que estiveram. Porque eu acabo sempre por largar as malas e tudo o que sobra são bolsos cheios de recortes de memórias, cacos de existências, peças soltas de um puzzle maior.


Terminei indo - A Banda Mais Bonita da Cidade


Eu já sei caminhar em tantas nuvens
E posso visitar de vez em quando o chão
Do alto do parque, por cima das árvores eu vejo você

Antes de bater o vento eu já pensava em voar
Antes do sol clarear eu desapareci
Por cima dos prédios, estrelas vermelhas não brilham no céu

Eu sou das ruas de qualquer lugar
Existo sempre que você pensar em nós
Não tenho tempo pra guardar recordações

Mas o tanto que eu levar de você
Eu deixo um pouco pra me misturar
E não descanso pra você dormir

26/12/2013

É uma música de Natal tão boa como outra qualquer




Conselho de amiga: Evitem a coreografia depois do almoço.

24/12/2013

A um passo do Natal

No Natal, há quem prefira acompanhar a Mariah e espalhar os desejos natalícios a um ritmo dançante. Eu prefiro guardar para mim a vontade de voltar a casa, uma casa que fosse outra, com aromas e ritmos mais meus e um concreto par de sapatos espalhado com os meus saltos altos.


Mais uma vez, os enfeites da árvore cá de casa são as estrelas dos meus postais.

19/12/2013

Correspondência íntima - XV

Talvez até vivamos mais na ilusão - o passado é uma fabricação da memória e o futuro uma fabricação da vontade. Já o presente acontece demasiado depressa para se conseguir situar.

18/12/2013

Universo feminino

Pois há menos peixinhos a nadar no mar,
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca

Perto dos meus braços os abraços hão-de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim,
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim

Que é prá acabar com esse negócio
de você viver sem mim
Chega de saudade - Tom Jobim & Vinicius de Moraes

17/12/2013

É quase Natal outra vez

Lentamente foram deixando de aqui vir, à tua procura. A curiosidade dos primeiros tempos cedeu perante a passagem do tempo e o desvanecimento da memória - não o leves demasiado a peito, o mundo ainda não aprendeu a arte de se silenciar e ignorar as muitas solicitações. Melhor assim, nunca gostei de te ver em pedaços pelo mundo repartido, um nome abstracto a enfeitar um espaço, qual bibelô de loiça a quem não reconheceram a alma, só a função decorativa. Mas eu sei onde anda o rasto dos teus passos por aqui e evito trilhar esse caminho, como tenho evitado ler alguns livros, tocar objectos, lembrar-me demasiado. Tenho uma mala cheia de pequenas saudades que vou colhendo periodicamente, como Blimunda recolhendo as vontades, na esperança de fazer voar até esse sítio, onde estás e que eu tenho medo de definir, todas as conversas que deixámos a meio e as respostas que não sabia e as perguntas que ainda me arranham a garganta. 

Foi com uma certa graça que descobrimos ter um computador igual. A mim morreu-me o portátil, ao teu portátil morreste tu. A vida, às vezes, tem excesso de literatura.

E é quase Natal outra vez.

15/12/2013

Chamem-me Alberta

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

10-7-1930
O Pastor Amoroso”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993).
  - 100.

12/12/2013

Natureza humana

Tenho uma casa plantada no peito, com um gato branco lá dentro. O gato continuará largando eternamente os pêlos brancos que se não esquecem, tão imaterial e distante como quando pulava para me morder a barriga das pernas.

M. J. Marmelo

Oh! pra este blogue a querer ser mainstream


11/12/2013

Natureza humana

Essa era a puta da verdade:
estava só e fodido
e costumava pensar que lhe restava pouco tempo.

Devoção de Roberto Bolaño, trad. Francisco José Viegas

10/12/2013

Como me sinto hoje?

Liliana Lourenço

em canais de vontades
em lagos de rememorações.

08/12/2013

06/12/2013

Em silêncio respeitoso

Porque o muito falar é tolice.



Nelson Mandela 1918 - 2013