28/07/2013

A minha vida dava uma banda sonora #9

O desejo concretiza-se numa mistura de sagrado-profano, pureza-devassidão. No fim, faz-se a conta aos prejuízos das partes envolvidas.


Hallelujah - Alessandra Burke

I did my best, it wasn't much
I couldn't feel, so I tried to touch
I've told the truth, I didn't come to fool you
And even though it all went wrong
I'll stand before the Lord of Song
With nothing on my tongue but Hallelujah

26/07/2013

As mulheres são doidas e muito dadas às inutilidades

As pessoas gostam de se perder em discussões inúteis, as que comparam tipos de mulheres conseguem bater a inutilidade de todas as discussões. Como se nascer, digo nascer, com cabelos loiros, castanhos, negros ou ruivos, fosse uma escolha pessoal; como se os centímetros que crescemos fossem determinados pela vontade.

Entre tudo o que se pode comparar, o peso é a única característica que ainda podemos controlar, as outras são heranças. Claro, há heranças mais leves e outras mais pesadas, mas isso já são outros dois euros e meio.

Estou pelas pontas dos cabelos com a converseta mulheres altas vs mulheres baixas. Pois se a mulher se quer pequena como a sardinha, eu sou mais carapau de ir ao forno e não peço desculpa por isso.

25/07/2013

As mulheres são doidas

Sendo mulher, pois que sou doida. Não tenho outra forma de entender as decisões que tomo.
Depois de ter estado três dias e duas noites sem me mexer, noites estas em que não dormi três horas no total, assim que descubro um analgésico capaz de quase me adormecer, o que faço? Coisas simples, como pintar as duas marquises da casa dos meus pais, que estão ligadas por uma escada; converter o ainda meu quarto em quarto de hóspedes, com direito a mudanças de guarda-fatos e camas; e pinturas na sala de baixo e mudança de sofás.
Doida, né? É o mais certo.

Proibição do dia

Não esquecerás jamais o bom que é ser tia.

23/07/2013

Painkillers


Aos pares.
De manhã, à tarde e à noite, sempre com um copo de água.

Em pomada.
Quando dói, devidamente aplicado por mãos inaptas.

Ou eu ou ela.

22/07/2013

A minha vida dava uma banda sonora #8

Continuamos a questionar o nosso papel na geografia humana em que nos encontramos. De alguma forma nos assoberbámos de meios de comunicação e isolámo-nos do gesto banal de dar os bons dias. Somos muitos, excedemo-nos em contactos – a solidão é a grande doença do novo século.


We are – Ana Johnsson


What about the world today
What about the place that we call home
We've never been so many
And we've never been so alone

19/07/2013

Não, sr.a dona Pilar e sr.a dona Dilma, a mulher não pode ser Presidenta

Quem anda minimamente informado sabe que tanto a presidente brasileira, Dilma Rousseff, como a presidente da fundação Saramago, Pílar del Rio, exigem ser tratadas como presidenta, por reclamarem para si uma igualdade de importância feminina num mundo ainda, e  por muito tempo, governado por homens. Vão até mais longe ao desconsiderarem quem assim não procede.

Ora bem, eu, que não sou numa fazedora de opiniões, vou tentar explicar a tolice por detrás desta postura tão pseudo-feminista.

Se a memória não me falha (já lá vão 13 desde a última vez), o latim possuía um particípio chamado Particípio Presente, que significava, lato sensu, aquele que fazia qualquer coisa: cantante – aquele que cantava. Na passagem do latim erudito para o latim vulgar e daí às línguas românicas – português, francês, italiano, castelhano e romeno – este particípio morreu enquanto tal, deixando reminiscências em palavras que usamos amiúde:

amante – o que ama;
docente – o que ensina;
caminhante – o que caminha;
temente – o que teme;
presidente – o que preside.

No entanto, estas palavras – que tanto podem ser nomes como adjectivos – têm uma forma que podemos dizer neutra, logo, não contêm em si informação sobre o género. Precisam, por isso, de um determinante artigo – que se chama assim por esta mesma razão, por determinar género e número – que nos diga se é menino ou menina. Daí:

o amante / a amante;
o docente /a docente;
o caminhante / a caminhante;
o temente / a temente;
O PRESIDENTE / A PRESIDENTE.

É tão simples, tão claro, tão bom para evitar tiros nos pés. Vamos lá a ser um pouco mais humildes, inteligentes e respeitadores da língua que falamos, se não, qualquer dia, exijo que me tratem por docenta e ai do meu homem que arranje uma amanta.

Contra os moinhos, marchar. Marchar!

A entrada da Malena fez-me lembrar de outro Quixote, em todo o seu esplendor dramático.


17/07/2013

A minha vida dava uma banda sonora #7

Todas as promessas implicam uma percentagem de não cumprimento. Desonestidade é prometer o que se tem a certeza de não se poder cumprir.


The treehouse song – Ane Brun



we were gonna live in a treehouse and make babies
and we were gonna bury our ex-lovers and their ghosts
baby we were made of gold

12/07/2013

No silêncio da noite

Ou como se guarda mais um maço de folhas no fundo da gaveta, para memória futura do que não se deve insistir.


No silêncio da noite


Uma arma é disparada na noite escura, o que vem depois disso é
silêncio − o estrondo do tiro, a noite a escurecer de tristeza.
O cão a guiar o dedo, o dedo a fazer recuar o cão, a bala
a atingir o alvo, uma pancada seca a ensurdecer o chão.
Os olhos apertam-se com força para não sentir.
No chão há um pedaço de metal capaz de matar o que mais amamos.
Os vizinhos param os garfos que levam à boca.
Uma criança cala-se. Um grito desesperou a cidade.
A rua é um uivo de sirenes e murmúrios inquiridores:
as perguntas acendem o seu próprio rastilho.
Há olhos que não param de ver,
há ouvidos que ecoam o tiro.
Chove uma chuva miudinha. Inunda-se o chão.
Fotografa-se o circo sem piedade.
Se houvesse respostas, todos iriam embora −
são as dúvidas que atormentam os vizinhos,
não se sabe o porquê. Sabe-se que um partiu.
O outro ficou. No mais do que isto é o silêncio,
sempre o ensurdecedor silêncio. Na cabeça, as vozes não se calam,
uma réstia de culpa. Ninguém saberá nunca o que aconteceu.
Só sabem dele. Que morreu.

11/07/2013

A minha vida dava uma banda sonora #6

O orgulho é o primeiro indício do desastre. Assim que se instala e alastra, o que vem a seguir dificilmente tem solução.

Come back to bed – John Mayer


What will this fix
You know you're not a quick forgive
And I won't sleep through this

A Banda Mais Bonita da Cidade

É esta.
Vá, cliquem na ligação, descarreguem o álbum e ouçam.
Não precisam de agradecer.

Oração - A Banda Mais Bonita da Cidade

10/07/2013

Adieu - o meu Coeur de Pirate exige-me outras navegações

Ser um assalariado nos dias que correm é um privilégio de cada vez menos. São muitas as horas consumidas a procurar empregos/trabalhos/atalhos, a enviar currículos sem qualquer retorno, sem um simples «blá blá blá não serve». Por isso, ao dar de caras com uma oferta de emprego clandestino num barco pirata, nem pestanejei. Por incrível que pareça, fui aceite, sem grandes exigências que não as de ter vontade de ser uma pirata má como as cobras e saber fazer unhas. Salário garantido não há, nem descontos para as finanças ou segurança social, também não há horário de trabalho, nem quaisquer regalias,  o que, vendo bem, não difere assim tanto dos trabalhos ditos oficiais. Mas há a promessa de sol e mar e silêncio e piratas, muito rum e aventura.

Agora, aqui estou. Malas feitas, protector solar factor muito alto, condicionador, faca multi-usos, escova de dentes, chapéu de pirata, o transporte/cama da gata com as taças e a ração, a dita gata, a bateria do telemóvel e um cinto preto giríssimo com caveiras. Não me falta nada, nem a música - com piratas, claro está. Talvez só um pormenor...


Adieu - Coeur de Pirate

09/07/2013

A minha vida dava uma banda sonora #5

Manter a paz e o equilíbrio interior implica um esforço de organização que não admite pontas soltas e situações sem fim concreto. As narrativas pessoais precisam de um fim fechado, mesmo que nenhum dos envolvidos viva feliz para sempre.


A carta que eu nunca te escrevi – Boss AC

Acho que nunca soubeste o quanto gostei de ti
Esta é a carta que eu nunca te escrevi

Falta: Á - esta merda não existe

Pardon my french, mas há coisas que têm de ser ditas à bruta. Já dói na vista e na inteligência ler tanta burrice.



Proibição do dia

Não esquecerás para que foram inventados os sapatos.

08/07/2013

A minha vida dava uma banda sonora #3

O mundo pessoal poderia ser um lugar menos escuro se houvesse a capacidade de aceitar os pequenos gestos de carinho como se não importassem as falhas do desenho original. Mas a realização chega quando todas as peças encontram o seu lugar, as peças soltas acabam quase sempre no fundo de uma gaveta.

Almost lover - A fine frenzy 


Should I known you'd bring me heartache?
Almost lovers always do


Nota: Anónimo, a contagem está reposta e nada é por acaso. 

07/07/2013

Universo feminino - parte 7

A sociedade contemporânea exige das mulheres uma juventude inesgotável. Em rebeldia não escolhida, deitei-me, sentindo-me velha. 

Exercício contemplativo - porque «há metafísica bastante em não pensar em nada»

O espelho devolve-me um reflexo que só a muito custo reconheço: a palidez dourou-se, as bochechas estão agora avermelhadas pelo sol, as sardas alastram-se numa procriação desmedida que aumenta a cada dobrar de estação e o cabelo continua desgrenhado, rebelde, dono dos seus jeitos e reflexos de cobre - o secador ainda está de férias estivais.

06/07/2013

Dica para ser uma dona de casa exemplar

Sem desesperar.

Acabei de tropeçar nesta música

Não conhecia o poema do Ary, pelo menos não me lembro de o ter ouvido na voz da Amália, e não conhecia a Gisela João. Até hoje.


Meu amigo está longe - Gisela João


Nem um poema, nem um verso, nem um canto,
Tudo raso de ausência, tudo liso de espanto
Amiga, noiva, mãe, irmã, amante,
Meu amigo está longe
E a distância é tão grande.
Nem um som, nem um grito, nem um ai
Tudo calado, todos sem mãe nem pai
Amiga noiva mãe irmã amante,
Meu amigo esta longe
E a tristeza é tão grande.
Ai esta magoa, ai este pranto, ai esta dor
Dor do amor sozinho, o amor maior
Amiga noiva mãe irmã amante,
Meu amigo esta longe
E a saudade é tão grande.

05/07/2013

O meu cabelo gosta do hálito quente do verão

A chegada do calor marca o início das férias do secador. Até ao início dos primeiros ventos frios e dos primeiros pingos de chuva outonal, o cabelo seca ao ar quente da tarde e as ondas do mar vestem-se de castanho até à cintura.

A minha vida dava uma banda sonora #4

A permanência da pessoa amada no espesso tecido da memória pode ser entendido como um circuito fechado de fragmentos existenciais que vamos reagrupando e arrumando em realidades paralelas, até que a história esteja escrita em conformidade com a nossa certeza.



Like a song – Lenka


I can't forget you when you're gone.
You're like a song
That goes around in my head.

04/07/2013

Proibição do dia

Não esperarás dos outros mais do que eles podem dar.

03/07/2013

A minha vida dava uma banda sonora #2

A não correspondência de um amor torna a convivência entre as partes, num martírio para o não desejado. A impossibilidade factual de um relacionamento com sentimentos correspondidos não é menos martirizante. Aparentar um estado de espírito casual, como convém à situação, agindo em desvalorização constante: «que tolice a minha ter gostado de ti!», aceitar a preciosa amizade, porque o pouco é melhor do que nada, e amargar por dentro, no espaço dos silêncios.

I get a taste of blood in my mouth when you're near
A feeling that's too painful to bear
Straight to my head

02/07/2013

A minha vida dava uma banda sonora #1

É comum termos como consolo íntimo a certeza de que a nossa vida inspiraria um filme. Quer seja pela quantidade de peripécias cómicas, quer pelos desencontros, quer pelos amores sofridos, quer pelo que for - que na nossa narrativa cinematográfica pessoal somos os únicos críticos reconhecidos e nem por sombras nos daremos menos do que cinco estrelas (os que derem só uma é por mero senso de estilo e culto do alternativo). Basta ver a forma como contamos os episódios marcantes da nossa existência, basta ver como se alimentam blogues.

A minha linha narrativa seria muito chatinha (não vou fazer qualquer comparação com possíveis realizadores) e pouco interessante. Prefiro o consolo íntimo de que a minha vida inspiraria uma banda sonora - músicas combinadas a marcarem os momentos importantes, ritmos e vozes que poderiam ser as minhas, mas felizmente não são.

Esta nova secção no blogue não se pretende cronológica - nem o conseguiria ser -, trata-se apenas de arrumar formas de me contar, sem dizer demasiado, até porque há músicas recorrentes, como recorrentes são sentimentos, reflexões, aprendizagens. Se um escritor está sempre a escrever um mesmo livro, mesmo quando escreve livros diferentes, o mesmo acontece com a música que se repete na repetição dos acontecimentos.

Começo por Claire and the reasons e "Cook for you", uma música já postada, mas que me diz bastante e hoje faz todo o sentido - passei o meu sonho inteiro a tentar voltar àquela cozinha, sem o ter conseguido.



reflections of me
in the pictures of you
makes me forget
that you rest in peace

Resolver problemas é bom, rever textos também


Diz o meu irmão mais novo que um engenheiro é um resolutor de problemas. Fico-me a pensar se não errei a profissão e se não há em mim um engenheiro em potência que não teve a oportunidade de ver a luz do dia.
Gosto de resolver problemas. É um facto. Não é que almeje a perfeição – estou bem consciente das limitações da empresa – tão só gosto de aperfeiçoar coisas. Se há um móvel com ar feiote, por que não dar-lhe um novo ar? Por que não organizar as divisões até encontrar a combinação mais funcional? Por que não arrumar os armários e ter espaço para tudo, de forma ordenada?

Às vezes, esta ordenação compulsiva dos objectos estende-se às pessoas, mas mais no sentido de saber realmente o que elas significam para mim – por isso, situações indefinidas tendem a provocar sofrimento e a técnica máscula número um de resolver quezílias pelo silêncio é capaz de me enfurecer ao nível asiático de Hulk.

Deixando as sentimentalidades de lado, gosto de rever textos. Faço-o por um verdadeiro gosto de pegar num texto com falhas e deixá-lo limpo de excessos, claro, lógico e científico – claro que não estou a falar dos textos literários – de conseguir entender o raciocínio lógico de quem escreveu e dar-lhe a forma pretendida a priori.


Agora, vou viajar no tempo até aos primórdios do Real Mosteiro de Santa Maria de Seiça. Portem-se bem.

01/07/2013

A minha mãe faz hoje anos

O par maravilha decidiu que fazer anos um a seguir ao outro era bonito,  vai daí que é todos os anos esta roda viva. Ora bem, num fôlego:

  • o bolo está no forno;
  • a mousse de limão a ser terminada;
  • as prendas compradas;
  • o jantar a marinar na mente;
  • as minhas pernas a precisarem de descanso.


Para castigo, vai levar 56 velas no bolo. (ai, afinal faltava uma, são 57 e em agosto volta a haver festa, ca senhora faz duas vezes por ano)