28/03/2013

Pensamentos dispersos sobre a cadeia em comando

Quem acredita que é o cérebro que comanda o corpo e as suas mínimas ações ou decisões engana-se. Também não é o coração. Até quando o crerão, ó românticos resilientes? Quem manda, quem assume o verdadeiro comando, quem decide são os dedos. E os meus persistem no silêncio. Coração, cabeça e estômago apresentam sinais internos de preocupação.

Pensamento em looping desde a hora de deitar

As muitas mentiras ouvidas tornam a verdade contada em facto demasiado incrível para ser real.

27/03/2013

Universo feminino - parte 4

Um pano bem bordado pode ser uma tremenda dor de cabeça para qualquer aspirante a decorador, da aldeia. Não raras vezes, o pano fica do avesso.

Universo feminino - parte 3

A primavera costuma fazer-se anunciar com uma ou outra andorinha, umas flores em botão e uns raios tímidos de sol. Já o meu corpo cumprimenta a primavera, enfraquecendo-me as unhas e partindo-as todas. Não é propriamente bonito, mas é um diálogo como outro qualquer.

Universo feminino - parte 2

A maioria das mulheres não encontra qualquer utilidade nos jornais desportivos. Talvez devessem começar a limpar os vidros das janelas.

Universo feminino

Uma mulher que não limpa a sua própria casa abdica de horas de terapia e exercício físico sem custos adicionais e deslocações à hora de ponta.

26/03/2013

Medo do Medo

Não tenho mais a acrescentar.

Medo do Medo - Capicua


Pode ser descarregado gratuitamente aqui


Medo do Medo - Capicua

Ouve o que eu te digo,
Vou-te contar um segredo,
É muito lucrativo que o mundo tenha medo,
Medo da gripe,
São mais uns medicamentos,
Vem outra estirpe reforçar os dividendos,
Medo da crise e do crime como já vimos no filme,
Medo de ti e de mim,
Medo dos tempos,
Medo que seja tarde,
medo que seja cedo e medo de assustar-me se me apontares o dedo,
Medo de cães e de insectos,
Medo da multidão,
Medo do chão e do tecto,
Medo da solidão,
Medo de andar de carro,
Medo do avião,
Medo de ficar gordo velho e sem um tostão,
Medo do olho da rua e do olhar do patrão e medo de morrer mais cedo do que a prestação,
Medo de não ser homem e de não ser jovem,
Medo dos que morrem e medo do não!
Medo de deus e medo da polícia,
Medo de não ir para o céu e medo da justiça,
Medo do escuro, do novo e do desconhecido,
Medo do caos e do povo e de ficar perdido,
Sozinho,
Sem guito e bem longe do ninho,
Medo do vinho,
Do grito e medo do vizinho,
Medo do fumo,
Do fogo,
Da água do mar,
Medo do fundo do poço,
Do louco e do ar,
Medo do medo,
Medo do medicamento,
Medo do raio,
Do trovão e do tormento,
Medo pelos meus e medo de acidentes,
Medo de judeus, negros, árabes, chineses,
Medo do “eu bem te disse”,
Medo de dizer tolice,
Medo da verdade, da cidade e do apocalipse,
O medo da bancarrota e o medo do abismo,
O medo de abrir a boca e do terrorismo.
Medo da doença,
Das agulhas e dos hospitais,
Medo de abusar,
De ser chato e de pedir demais,
De não sermos normais,
De sermos poucos,
Medo dos roubos dos outros e de sermos loucos,
Medo da rotina e da responsabilidade,
Medo de ficar para tia e medo da idade,
Com isto compro mais cremes e ponho um alarme,
Com isto passo mais cheques e adormeço tarde,
Se não tomar a pastilha,
Se não ligar à família,
Se não tiver um gorila à porta de vigília,
Compro uma arma,
Agarro a mala,
Fecho o condomínio,
Olho por cima do ombro,
defendo o meu domínio,
Protejo a propriedade que é privada e invade-me a vontade de por grade à volta da realidade, do país e da cidade,
Do meu corpo e identidade,
Da casa e da sociedade,
Família e cara-metade…
Eu tenho tanto medo…
Nós temos tanto medo…
Eu tenho tanto medo…

O medo paga a farmácia,
Aceita a vigilância,
O medo paga à máfia pela segurança,
O medo teme de tudo por isso paga o seguro,
Por isso constrói o muro e mantém a distância!
Eles têm medo de que não tenhamos medo.

25/03/2013

Diz que estamos no março e que é dia 25

logo, dia de aniversário do meu dentitos de rato.
4 anos, menino T., quem diria! Ainda ontem eras um bicinho pequenino que pegávamos ao colo e que tardou em falar. Agora, ninguém te cala.

No próximo fim de semana haverá beijocas à descrição. ((:


All your sanity and wits, they will all vanish, I promise, it's just a matter of time

Se há muitas músicas que contribuem para o meu estado ensimesmado ou depressivo, poucas há que me provocam o efeito contrário. Esta é uma delas. Porquê? Bem, acho que se explica a si mesma.


Start wearing purple - Gogol Bordello

Dia 10 de Maio estão em Coimbra. Se não é desta que os vejo, nem sei que me faço!

24/03/2013

Cobarde - que ou quem agride à traição

Sempre me indignaram os cobardes. Os que nunca falam, os que não têm opinião, que usam sorrisinhos e encolher de ombros, para se expressarem. Os que se queixam à boca pequena, quando são incapazes de ter uma ideia. Os que transferem a responsabilidade para os ombros alheios e são os primeiros a apontar os dedos. Cobardes, arrogantes, e presunçosos que têm na pequenez do seu espírito a medida de todas as coisas.
Detesto-os!

22/03/2013

Por detrás dos óculos de massa de um tímido, há um furacão em potência

Tenho para mim que a pessoa mais tímida, retraída, complexada ou apática do mundo é capaz de actos de grande desembaraço e ousadia, se a tanto for motivada a isso. E o enamoramento costuma ser um bom desbloqueador do herói arrojado que há dentro de cada um. Serão todos os enamoramentos? Por certo, não. Cada um saberá quem tem direito a essa área reservada. Vive a literatura, o cinema, a música - que me lembre assim de repente - desta capacidade de surpreender o outro e a si mesmo. 
Na vida real nem sempre é assim. São menos as vezes que se alcança a profundidade desta surpresa e mais as que se confunde exceção com regra, expandindo-se o exemplo ao paradigma.

19/03/2013

Pensamentos dispersos nascidos enquanto se preenchem páginas do currículo

O afeto e a admiração pelos nossos familiares e pessoas que nos rodeiam não tem de funcionar na reciprocidade forçada. Há alturas em que é uma pena.

18/03/2013

Movimentos ondulatórios


Quando o sol chegar e o azul cobrir o céu, abre as janelas da alma, deixa o calor entrar. 

Sacode o cheiro a mofo que habita os papéis rasgados dos sonhos perdidos que ainda guardas religiosamente em caixas de cartão, forradas com o cetim dos vestidos velhos. A muita chuva dos dias cinzentos enegreceu as paredes do coração, pinta-as de branco e permite-te um pouco de pureza. Há pedaços de recordações que se encontram espalhados pelos móveis, pelo chão, pelas gavetas perras. Há um ramo de flores secas dentro de uma bota de cano alto, meia boneca de porcelana caída atrás de uma cadeira e uma chávena do chá que nunca tomaste, quebrada numa asa, ao canto da chaminé. Junta-os todos, não deixes nada, é lixo. 



A vida limpa-se como o chão, despolvilha-se como os tapetes: com energia e um pouco de violência.

16/03/2013

As manhãs de sábado

concentram nas suas poucas horas o potencial de dois dias de tempo fora da realidade.
Nem sempre se cumprem. Por isso, as depressões do domingo à noite.

13/03/2013

E assim vai o mundo

A gestão do nosso espaço virtual pode, por fraco domínio e perceção do quão grande é a rede à sua volta, criar uma falsa sensação de intimidade e familiaridade. O que se passa aqui passa-se aqui e todos os motivos são limpos e claros, porque assim somo nós. Eu, pelo menos.

Ao fim de vários anos no mundo virtual, estou cansada, experimentando um sentimento em muito semelhante ao de Dante quando deu início à sua Divina Comédia:
Nel mezzo del cammin di nostra vita
mi ritrovai per una selva oscura,
ché la diritta via era smarrita. (C I, vv. 1-3)
Já conheci todas as pessoas que me interessavam, tenho já demasiadas histórias e dramalhões em primeira e terceira pessoa para contar. Já me ri bastante, chorei mais à conta do que pelo virtual se passou. Agora não quero mais. Não quero gerir seguidores, nem estratégias de marketing, não quero correr capelinhas por troca de favores. Já me chega.

Tenho as minhas pessoas, as minhas queridas e amadas pessoas com quem sou gente. Basta-me.

Assim, este blogue vai deixar de ter os comentários abertos. Cada um sinta-se livre de fazer o que bem entender. Será atualizado, certamente que sim, mais do que isso não.

Há muitos livros para ler, muitos filmes para ver e coisas para fazer. Há a promessa que fiz a mim mesma em setembro, de voltar ao que era, à minha inocência perdida, ao ponto em que eu não estava sempre de pé atrás com as pessoas. Não aqui, não agora.


É hora de limpar a porcaria e voltar para mim.

A noite devia ser dia e a lua brilhar como o sol

Não apagues a luz. É no escuro que as horas mordem.
Não feches os olhos. Ou amanhã acordarás banhada no teu próprio sangue.

11/03/2013

A Rainha de Copas também não foi convidada


Amber Casther Photography


Trouxeste amoras nos bolsos, bolinhas negras que confundiste com as pedras que juntaste para atirares às poças de água, e encheste-me as mãos de segredos. Bebeste o chá de limão que preparei para ti, na minha cozinha de faz de conta, e comeste as minhas bolachas todas. Riste quando viste o prato vazio e, para me consolares,  prometeste que me deixavas brincar com os teus carros de madeira. Entre as tantas brincadeiras, foi com susto que vi os meus sapatos de verniz sujos de lama, mas tu disseste que o teu pé era maior e também estava sujo, por isso, não fazia mal. Os tapetes da sala mancharam-se com os nossos passos, quando atravessámos a casa como pequenos seres alados, para que a Rainha não nos visse. Escondemo-nos atrás da árvore grande do jardim a medir as mãos e o tempo que faltava para ser amanhã.

I don't wanna die alone way before my time

Before my time - J. Ralph Feat. Scarlett Johansson & Joshua Bell


Before my time 


Cold Feet, don't fail me now
So much left to do
If i should run ten thousand miles home
Would you be there?

Just a taste of things to come
I still smile

But i don't wanna die alone
I don't wanna die alone
Way before my time

Keep calm and carry on
No worse for the wear

I don't wanna die alone
I don't wanna die alone
Way before my time

Is it any wonder
All this empty air
I'm drowning in the laughter
Way before my time has come

10/03/2013

Pensamentos dispersos depois do futebol

Não preciso de ir para um ginásio, preciso é de voltar para Lisboa.


Pintar as unhas de vermelho incompatibiliza-me com o lava-louça.


Os homens só cumprem as suas promessas, quando deviam fazer tudo para as quebrar.

Viajar

E num instante o tempo recua dez anos.
Outra vez as pernas cansadas de subir e descer escadas, outra vez os sacos a pesarem nos ombros e o desalinho do cabelo a acompanhar a pressa. Outra vez o estômago a reclamar a refeição saltada e a boca a suspirar, quando todo o corpo se senta enfim no banco do autocarro.

08/03/2013

And it's contagious

Us - Regina Spektor

06/03/2013

É a PDI, minha gente

Em cima da bancada do lavatório, um creme anti-rugas a começar a ser usado com três anos de atraso e um olhos roll-on com colagénio. No cabelo, dois exemplares brancos. Na testa, três pequenos vincos a assinalarem onde o tempo há-de passar. Vai tudo bem encaminhado, não haja dúvida.

05/03/2013

Não há pior divulgadora do meu trabalho do que eu mesma

A divulgação de um produto faz-se de forma aguerrida e constante, procurando destacar-se dos demais na selva que é o mercado de consumo. Corrijam-me lá, caros leitores da área do Marketing, caso tenha dito algum disparato do meu tamanho.

As plataformas virtuais são veículos ligeiros nessa mesma divulgação e quem as souber usar, poderá ter mais sucesso, chegar a um público maior.

Era supostamente isto que eu deveria fazer com o meu cantinho virtual de poesia. Porém, a ideia de andar a pedinchar Likes e comentário e partilhas, entupindo as caixas de mensagens dos amigos e conhecidos com emails desnecessários, causa-me constrangimento. Não sou capaz. Se gostarem, se quiserem ler, se quiserem partilhar, ficarei encantada. Se não quiserem, é um direito que lhes assiste, porque eu também não gosto de ser bombardeada com o que me é relativamente indiferente.

Por isso, as Rimas andam ali a flutuar no esquecimento, não fossem as três ou quatro almas generosas que insistem em as ler e tentar perceber, comentando. 

Mas como aquele espaço continua a ser a minha terapia poética, até provas em contrário, pode muito bem continuar como está.

Entretanto, vou ali criar uma campanha de angariação de Likes e já volto.

04/03/2013

What goes around comes around


I could be foreign forevermore to your promiseland

The depth of self-delusion - RIVERSIDE





Deixada de propósito no meu mural do FB. É para isto mesmo que ele serve. E agora não paro de a ouvir.

03/03/2013

Até quando, Catilina?


"Até quando abusarás, Catilina, da nossa paciência?"

Cícero.


Catilina obstina-se em não querer ouvir.

01/03/2013

O zoo cá de casa tem um novo membro


Este bichano tem cerca de dois meses e foi encontrado na rua, num noite fria, a horas tardias. Quando veio - a minha mãe é um coração de manteiga -, trazia a promessa de ser entregue ao dono, assim que fosse descoberto. Ora o dono não existe, porque a mãe-cadela tinha sido abandonada.

Há quinze dias que mora cá em casa. Tem uma paixão assolapada pelo meu pai e o meu pai por ele. É uma espécie de sombra dos nossos pés, coisa perigosa quando se está em inferioridade centimétrica, e uma ternura de bicho. No início foi corrido pelos gatos, agora é ele que corre atrás dos gatos, o que é grave quando se tem uma gata anti-social.  Já levou as vacinas e os tratamentos necessários, habitando de momento a garagem - espaço amplo que ele decora e perfuma com o excedentário das suas refeições.

Ainda não sabemos muito bem que nome lhe dar. Eu queria Zorbas. A minha mãe chama-lhe cão, o meu pai safadana e os meus irmãos inclinam-se para Zazu. Enquanto as votações decorrem, Cachorro, O Cão continua a perseguir vassouras, esfregonas e tudo o que mexe; continua a enrolar tapetes, a comer a comida dos gatos, a dormir refasteladas sestas no sofá e a dar traques de enjoar a casa inteira.