28/02/2013

Só Alice não seria convidada

welcome_to_my_teaparty_by_kellyalicelolicotton-d4irynx


O que eu queria era encolher o mundo. Torná-lo do tamanho de um dedal. Tirar do armário pires e chávenas. Pôr um avental. O que eu queria era ver-te chegar menino, com carrinhos de madeira no bolso e berlindes de porcelana raiada. O que eu queria era um chá ao cair da tarde, com bolachinhas de manteiga e doce de morango, e bonecas nas cadeiras a fazerem-nos companhia. E queria mostrar-te o folho da minha meia e o verniz do meu sapato, rir com muita vergonha e corar de contentamento. O que eu queria era mãos lambuzadas apertadas umas nas outras e beijinhos muito ternos, pequeninos, como nós.

27/02/2013

Falemos de vícios

e deixemos as considerações da alma para dias mais favoráveis.


26/02/2013

Estados de alma

Quando se acorda sucessivamente com a alma despenteada, quais são as hipóteses de tudo correr bem?

Paco Peregrín

24/02/2013

Ambos fazem falta, tanta falta


E o Fernando faz hoje anos!!! \0/ Parabéns!! ainda bem que ele só me conhece no virtual, se não torcia-me o pescoço!! \0/

23/02/2013

Há três coisas que adoro

Deitar tarde, acordar cedo, dormir muito.


Infelizmente, nem todas são compatíveis.

22/02/2013

O pouco que se dá, o muito que se recebe

Nunca precisei de muito para ser feliz - parece frase feita, mas acreditem que é verdade -, ontem tive mais um exemplo de um gesto inesperado que me encheu a alma.

Há uns meses que estou a fazer voluntariado na Universidade Sénior do meu concelho, dando aulas de Inglês. Na verdade, as nossas aulas são terapia de grupo, com muitos risos e partilhas, e às vezes Inglês. São um grupo pequeno de pessoas bem-formadas, muito cultas e atenciosas, onde se fala da língua em causa, mas também de latim e francês e política nacional e local e poesia e netos e filhos, vamos fazer uma camisolinha, as histórias abafadas das instituições conhecidas.

Ontem era dia de mais uma aula. Quando cheguei à sala, lá estavam eles, com uma toalha numa mesa, um bolo, uma garrafa de champanhe, pratos, garfos, copos e uma prendinha, para mim. O que mais me comoveu foi o cuidado com que escolheram a prenda. sabendo que não partilho as convicções religiosas deles, quiseram dar-me algo significativo, mas que não me ofendesse. Ó professorinha, veja lá, olhe que a gente troca! Não trocam nada,  é linda! 

Este foi o primeiro bolo do dia. Ainda lhe seguiriam mais dois. Este ano houve fartura de bolo e beijinhos. Sou uma rapariga feliz. (:





Houve mais coisas que me deixaram feliz, mas isso já seria contar-vos demais. (;

21/02/2013

1980 foi o ano da melhor colheita, mas eu continuo a detestar ser de fevereiro

O bolo do ano passado. A toalha é que é toda catita.

Ando há vários dias a escrever um texto mental para assinalar a data e que tinha como tema qualquer coisa que já não me lembro. Li há uns tempos que as pessoas muito inteligentes são as que esquecem pormenores com mais facilidade, já que o cérebro está sempre ocupado com reflexões maiores. Se não era esta a conclusão do estudo, era parecido, já que, pelos vistos, eu sou muito inteligente e não retenho informação menor. E isto trouxe-me à ideia uma expressão italiana que cai aqui como sopa no mel: Se non è vero, è bem trovato. Ora bem, isto tudo para vos dizer que realmente não me lembro sobre o que andei a pensar nos últimos dias, embora vos garanta que era qualquer coisa muito boa.

Hoje, chegados ao dia, tudo o que me ocorre dizer é que me apetece que o que ainda está para vir seja inesperado, mas em bom, e que eu possa ir dar a volta ao mundo como ando a planear há bem mais de vinte anos; e plante um vaso de roseiras anãs e o ponha finalmente na varanda e transforme o espaço num cantinho a lembrar os jardins franceses; e tire um curso de fotografia e aprenda realmente como é que aquilo se faz sem inventar demasiado e tudo e tudo e tudo.

Acredito que esta é uma das razões por que não consigo escrever livros, as boas ideias somem-se não sem bem para onde…

Para terminar este auto-elogio desbragado, deixo-vos factos sobre a minha entrada no velhinho ano de 1980:
  • Hoje também era quinta-feira;
  • O carnaval tinha sido na terça, dia 19;
  • Estava um frio descomunal;
  • A minha mãe assustou-se quando me viu, pois que o meu desmesurado tamanho, falta de cabelo e boca enorme a deixaram a questionar se eu era mesmo dela;
  • O meu pai foi mais pragmático e disse logo que eu era feia;
  • O meu irmão tinha medo de mim e tocava-me como se eu me fosse partir;
  • Toda a gente queria um rapaz e saiu-lhes a coisa ao contrário;
  • A primeira televisão a cores que tive foi comprada neste ano – é interessante saber destas coisas;
  • Na minha terra só nasci eu e outro rapaz, a maioria da malta adiantou-se para 79 ou esperou por 81.


Posto isto, acho que a cozinha me espera, pois que há bolos que precisam de ser feitos. 


19/02/2013

Acordei de pernas para o ar

Guy Bourdin

Metade de mim ficou presa do outro lado do azul.

18/02/2013

O lado selvagem


Ontem, porque a noite ainda ia pequenina e o programa da televisão não me agradava, escolhi este filme para ver. Meio ao acaso, meio porque gostei do cartaz, meio pelo título. Só agora que olho para a ficha no IMDb é que vejo que o realizador foi o Sean Penn... sim, eu sei, sou um bocado distraída e desligada destas coisas. À parte disso, o filme é lindíssimo, a história muito bem contada, e o fim... bem, o fim é o fim, não vo-lo vou contar.

Tenho pensado muito nas motivações da personagem - conduzir propicia-me o estado reflexivo -, no propósito da viagem que escolheu fazer. O que é que aproveitou, contas feitas? Talvez a recompensa maior tivessem sido as vidas que foi mudando ao longo do caminho.

Para mim, foi pouco. O fim foi demasiado para quem ainda só estava no início.


17/02/2013

Cheguei ao fim da linha

Já tinha partilhado antes esta música em versão acústica. Agora eles voltaram com a versão oficial. Ei-la.


Como esquecer - Mob of God



16/02/2013

Razões por que sou de Letras


em tic-tac decrescente... - ou crescente? Ai, sei lá. Parem o relógio, vá!!

Desconcerto

Diz que a poesia de Camões é, toda ela, feita de tensões entre o que ele queria e o que tinha, entre a perfeição idealizada e a imperfeição realizada, entre o amor espiritualizado à maneira de Petrarca e o amor sensual que sempre lhe cabia em sorte. 

Diz que a lírica camoniana continua a influenciar como escrevemos e sentimos. "Tanto de meu estado me acho incerto...", o resto é desconcerto.

14/02/2013

Porque eu prometi a mim mesma não escrever sobre este dia


A casa está em silêncio. Saíram todos. Cada um tinha que fazer noutro lugar qualquer. Cada um levou a companhia que lhe correspondia. No fim das vezes todas que a porta se fechou, a casa calou-se. Fiquei eu. E o silêncio. Abro livros e leio histórias alheias. Procuro música, é preciso ouvir outra voz que não a que se calou dentro de mim. Vive-se na terceira pessoa o que nos é negado. Há quem diga que é melhor do que nada, há quem diga que é preciso uma alma generosa para apreciar a fortuna alheia. Há quem diga muitas coisas. A maior parte delas para não estar calado. É sempre o silêncio que é preciso emudecer. Batem-se palavras contra a parede, como bolas sem sentido. Enquanto cada uma ecoa no vazio, a casa parece menos triste. São as coisas miúdas que se juntam, como berlindes no bolso, a pesarem e a magoarem a ponta dos dedos, cada vez que se faz pontaria ao buraco. Conto um palmo e meio. Se bater no grande é meu. Falho. O principal do jogo é jogar. Ganhar é um tiro de sorte. E o resto é poesia em folhas de papel amarelado, escrita por quem não percebeu que o futuro eram os jogos de tabuleiro.

13/02/2013

Notas mentais, envolvendo micro-saias

Não sair de casa com uma micro-saia, num dia de vento.

Não perder a chave do carro dentro da mala, num dia de vento, usando uma micro-saia, em frente a pedreiros.

Correspondência Íntima - X

Escrever por escrever não faz parte da minha natureza, as conversas acabam por se esgotar em nadas. Melhor esperar, apanhar balanço e retomar do ponto em que estava.

12/02/2013

Todo o passado é esquecível

até ser evocado em voz alta.



Quite emocional - Madrugada

11/02/2013

Acordei com a cabeça cheia de passado

Comfortable - John Mayer



E ainda não decidi se me agrada.

E assim desgraço tudo


No fim, um chá quentinho e com um travo a limão é tudo o que basta para engraçar as coisas outra vez.

09/02/2013

Coelho verde das mil faces cómicas

Tanto de meu estado me acho incerta...
Enquanto vou e não volto, é isto que me apetece ouvir, com o volume no máximo, só porque pensar é um esforço inglório.


Mentre tutto scorre - Negramaro

Mentre tutto scorre - Negramaro

parla in fretta e non pensar
fala rápido e não penses*
se quel che dici può far male
se o que dizes pode fazer mal
perché mai io dovrei fingere
porque nunca eu deveria fingir
di essere fragile come tu mi vuoi
ser frágil como tu me queres
nasconderti in silenzi
esconder-te em silêncios
mille volte già concessi
mil vezes já concedidos
tanto poi tu lo sai riuscirei
até porque tu sabes que conseguiria
sempre a convincermi
sempre convencer-me
che tutto scorre
que tudo passa

usami, straziami
usa-me, tortura-me
strappami l'anima
rasga-me a alma
fai di me quel che vuoi
faz de mim o que quiseres
tanto non cambia
não muda em nada
l'idea che ormai ho di te
a ideia que tenho de ti
verde coniglio dalle mille facce buffe
coelho verde das mil faces cómicas

e dimmi ancora quanto pesa la tua maschera di cera
e diz-me agora quanto pesa a tua máscara de cera
tanto poi tu lo sai si scioglierà
até porque sabes que derreterá
come fosse neve al sol
como a neve ao sol
mentre tutto scorre
enquanto tudo passa

sparami addosso, bersaglio mancato
dispara sobre mim, alvo falhado
provaci ancora è un campo minato
tenta outra vez, é  um campo minado
quello che resta del nostro passato
o que resta do nosso passado
non rinnegarlo, è tempo sprecato
não o ignores, é tempo perdido
macchie indelebili,  coprirle è reato
manchas indeléveis, cobri-las é um crime
scagli la pietra chi è senza peccato
atire a pedra quem nunca pecou
scagliala tu perché ho tutto sbagliato
atira-a tu porque tenho tudo errado


*tradução minha

08/02/2013

Dias de vento

Se os dias de sol são preferíveis pelo gosto de sentir a pele a ferver, o fresco da bebida a escorregar pela garganta e a aparente alegria que empresta às coisas. Se os dias de chuva são preferíveis pela evocação do aconchego, o calor da fogueira, a serenidade da água a escorregar pela paisagem e a aparente limpeza que empresta às coisas. Eu sempre preferi os dias de vento.

Não sei explicar o tanto que gosto de me sentir enredada no bafo de Éolo. O cabelo fica uma miséria, as bochechas rubras a doer, o peito cansado pelo esforço de respirar, a roupa em desalinho e eu feliz.

Está uma manhã fenomenal de vento. Vou enfrentá-lo com toda a alegria.




hoje, deveria haver mais uma vela para apagar, mas não há. outra festa adiada. ad aeternum...

07/02/2013

Um bacalhau por dia era o bem que me fazia

Há cerca de 30 anos, era comum ir com a minha mãe comprar bacalhau a casa de uma senhora que vendia no mercado. Podia-se comprar na mercearia, mas ali os preços eram mais convidativos e toda a aldeia aproveitava.

A senhora, sempre que eu ia com a minha mãe, costumava dar-me uma apara de bacalhau com que eu me entretinha até chegar a casa. Seriam os salgados da altura, uma espécie de tiras de milho do mar. Lembro-me que uma noite ela deu-me um rabo de bacalhau e aquele pedaço de peixe salgado soube melhor do que os pirolitos de caramelo que a minha mãe me comprava na feira e que eu tão bem espalhava pela cara, cabelo e roupa. Era uma coisa em grande, um bom pedaço para mastigar devagarinho, trabalho para uma noite inteira. Não durou muito a minha alegria. À saída da casa da senhora, um enorme cão vadio abocanhou-me o peixe e levou-o.

Não é que o animal me tivesse feito mal, que não fez, só me deixou em lágrimas e berros o tempo todo do regresso. A minha mãe lá me tentou consolar, sem grande resultado. O bacalhau era meu e o cão tinha-o levado. Lembrar desta história fez-me sempre rir. 

Hoje, quando fui à aldeia fazer umas coisas, vi um papel afixado, dando conta do dia e da hora do funeral da senhora que vendia o bacalhau. Pela primeira vez, ao contar isto, fiquei triste.

05/02/2013

Tem de acontecer. Que seja agora.

A Deolinda é uma mulher simples. Deve ser por isso que gosto tanto dela. Não há ideias nem vontades complicadas, há o dizer das coisas como elas são.
Ela voltou e trouxe esta música que parece feitinha de propósito para mim.



Seja agora - Deolinda

Nós havemos de nos ver os dois
ver no que isto dá
ficar um pouco mais a conversar
Ter a eternidade para nós
Quem sabe, jantar,
Se tu quiseres pode ser hoje

Tem de acontecer, porque tem de ser
e o que tem de ser tem muita força
E sei que vai ser, porque tem de ser
Se é pra acontecer, pois que seja agora

Nós havemos ambos de encontrar
um destino qualquer
ou um banquinho bom para sentar
Vai ser tão bonito descobrir
que no futuro só
quem decide é a vontade

02/02/2013

Encheram-me os bolsos de sol

achei por bem partilhar algum. (:

Pocketful of sunshine - Natasha Bedingfield