17/12/2013

É quase Natal outra vez

Lentamente foram deixando de aqui vir, à tua procura. A curiosidade dos primeiros tempos cedeu perante a passagem do tempo e o desvanecimento da memória - não o leves demasiado a peito, o mundo ainda não aprendeu a arte de se silenciar e ignorar as muitas solicitações. Melhor assim, nunca gostei de te ver em pedaços pelo mundo repartido, um nome abstracto a enfeitar um espaço, qual bibelô de loiça a quem não reconheceram a alma, só a função decorativa. Mas eu sei onde anda o rasto dos teus passos por aqui e evito trilhar esse caminho, como tenho evitado ler alguns livros, tocar objectos, lembrar-me demasiado. Tenho uma mala cheia de pequenas saudades que vou colhendo periodicamente, como Blimunda recolhendo as vontades, na esperança de fazer voar até esse sítio, onde estás e que eu tenho medo de definir, todas as conversas que deixámos a meio e as respostas que não sabia e as perguntas que ainda me arranham a garganta. 

Foi com uma certa graça que descobrimos ter um computador igual. A mim morreu-me o portátil, ao teu portátil morreste tu. A vida, às vezes, tem excesso de literatura.

E é quase Natal outra vez.

6 comentários:

  1. Pois é... a Vida também se faz de coisas simples.
    Feliz Natal!

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  2. ... queria dar-te um abracinho agora mesmo...

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  3. E às vezes, a vida perga-nos umas partidas chaaataaas... O que vale é que tem outras coisas boas, para compensar! :)

    Beijinhos Marianos! :)

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    1. A vida devia ficar de castigo, volta e meia, a ver se deixar de fazer estas coisas. (:

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