07/11/2013

House of no regrets

Sei que o conceito casa está em mim muito enraizado, não só enquanto espaço físico, mas como sinónimo de abrigo, família. Sei também que tenho a necessidade, até há pouco tempo inconsciente, de planear, organizar, arrumar o meu espaço, como forma de me arrumar por dentro. Por isso, a minha casa tem sido um projecto meu - bastante imperfeito na sua execução -, como aplicação prática da metáfora da criação do ninho: pintar, arrumar, restaurar, todos estes trabalhos têm passado pelas minhas mãos e, na verdade, não era capaz de substituir os objectos que lá tenho por outros novos, mas impessoais. É também por isso que vou resistindo a abrir as portas a terceiros, pelo menos, não pelo tempo mais do que suficiente para que a conheçam, sem a conhecerem.

Veio esta divagação a propósito de ontem ter esbarrado com esta música da Dulce Pontes, incluída no álbum Focus que gravou com Ennio Morricone, em 2003.

É uma boa definição de casa. A diferença está nos muitos arrependimentos que guardo nas gavetas e nas prateleiras.


House of no regrets - Dulce Pontes e Ennio Morricone


The house where I was born still stands for who I am
Every stone laid is a bridge made to my past

The house where I grew tall towers over me
Shadows bring everything back in soft light
I wouldn't change yesterday, not in my life
And so I live in a house of no regrets

There are many rooms inside my head
Corridors that wind through time, never end
They are journeys meant to be
Every house is part of me

The house where I found love lingers
Sends me shivers, like the first time
Stairways I climb to the heights

The house where I grow old will be free of ghosts
From what I've done, I won't run, come the dark night
I wouldn't change yesterday, not in my life
The years show, I've lived in a house of no regrets

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