15/11/2013

Eles comem tudo

Vampiros - Nicolas Jaar e Gisela João - Lux (Lisboa)

No céu cinzento
Sob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada
Vem em bandos
Com pés veludo
Chupar o sangue
Fresco da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada 

A toda a parte
Chegam os vampiros
Poisam nos prédios
Poisam nas calçadas
Trazem no ventre
Despojos antigos
Mas nada os prende
Às vidas acabadas

São os mordomos
Do universo todo
Senhores à força
Mandadores sem lei
Enchem as tulhas
Bebem vinho novo
Dançam a ronda
No pinhal do rei

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

No chão do medo
Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos
Na noite abafada
Jazem nos fossos
Vítimas dum credo
E não se esgota
O sangue da manada

Zeca Afonso

7 comentários:

  1. eles comem tudo o que é da terra
    o resto não me podem roubar

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    Respostas
    1. E estive eu ca tempos da minha vida a tentar descortinar quem era «o gajo das couves»...

      Bem, em teoria, sim. Mas há alturas em que quase nos vencem pelo cansaço. Quase. (:

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    2. a maior parte deles nem sabe que o resto existe

      tens quir á horta pra descortinar o gajo das couves, isto se ele estiver cortinado (que riqueza de trocadilho :D)

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    3. Sabe que é um número que pode ser excedentário.

      Estou cilindrada com o gabarito do trocadilho. :D Se ele estiver cortinado, espero que seja de brocado.

      Ah... quase arranjei aqui uma brejeirice alla Quim Barreiros. :p

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  2. nunca seremos excedentários de nós próprios

    só é preciso conceder à terra o suficiente para não precisar da terra

    é no que dá uma pessoa meter-se nos cortinados

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