19/11/2013

A imensurável medida das coisas

Quanto mede um palmo? Quanto mede a distância daqui para aí? Quanto mede a felicidade? E o amor? Talvez nada disto se meça, talvez só algumas coisas se meçam. Será ao peso? Em medidas pré-estabelecidas ou a granel? Como se quantificam as coisas que realmente importam? E por que há-de ser tão necessário saber valores exactos? O pai e a mãe pesaram o mesmo na balança dos afectos? Porquê a necessidade nauseante de saber de qual se gosta mais?

Qual o volume do coração? E do medo? Vale mais uma dúvida ou uma esperança? De que são feitas as certezas – e por que não podem ser feitas de nuvens e algodão? Como se pesa a saudade? E as cerejas? A balança velha da avó perdeu alguns pesos e a cor vermelha, tem agora muitas lascas e muitos quilos de cerejas pesados. Algumas maçãs. E muitas dores na alma.

Como se aproxima o norte do sul? E as duas margens do rio? Porque é que do perto é tão fácil fazer longe e o contrário custa mais? Como se cose um botão? E quais os melhores fios, para tecer uma teia durante vinte anos? E por que não montou Ulisses o cavalo, para chegar mais depressa a Ítaca? Porque é que o tempo passa depressa quando estamos bem e o amanhã nunca mais chega, quando estamos com pressa?


Por que razão as noites são tão tristes e os dias tão faltos de presença? Por que razão, as perguntas não acabam e as respostas nunca são suficientes?

2 comentários:

  1. E o Domingo, porque tem de ser um dia triste e apagado?

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    1. Não sei... Só sei que muitas vezes dou por mim a suspirar de alívio por ser segunda-feira outra vez - quer esteja a trabalhar ou não.

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