04/10/2013

Diálogos improváveis

— Não tenho nada para te dar.
— Não te pedi nada.
— Eu sei. Mas queria dar-te alguma coisa.
— Não quero.
— Porquê?
— Porque não quero nada que te pertença.
— Gostava que tivesses algo meu.
— Queres colonizar-me?
— É isso que pensas?
— É isso que parece.
— Não és uma terra virgem.
— És muito simpático em lembrar-mo.
— Preferia que fosses.
— Para me reivindicares perante o teu rei?
— Para saber que és minha?
— E por que não ser uma rês? Podias marcar-me com o teu nome e prender-me num redil. Servia melhor os teus propósitos dominadores.
— Haverias de conseguir fugir. És demasiado selvagem para o gosto polido dos meus hábitos.
— Como se isso fosse mau.
— Não é mau, é inadequado.