03/10/2013

De sábio e de estúpido, todos temos um pouco

Parlare è da stupidi, tacere è da cobardi, ascoltare è da saggi.
Carlos Ruiz Zafón


Enquanto corro os olhos pela página inicial do Facebook, como se procurasse alguma coisa em concreto sem saber muito bem o quê, talvez uma boa notícia, talvez uma piada, talvez uma música inesperada que me acompanhe por todo o dia, paro os olhos numa entrada do blogue Sul Romanzo, onde leio aquela citação que, pelo que consigo perceber numa rápida pesquisa googliana, pertence ao romance A sombra do vento, um dos muitos que compõem a minha lista de leituras futuras, de carácter obrigatório. Numa tradução livre, uma vez que o mesmo Google não me deu grande resultado, poderia traduzir a frase como «Falar é para os estúpidos, calar para os cobardes, ouvir é para os sábios». Assim de relance, concordei - sei muito bem a espécie de cobardia que muita vezes se esconde debaixo da capa do silêncio, aquela incapacidade pegajosa de dar a cara pelo que se quer, ou não se quer -, porém, à medida que fui baixando a página, num scanning e skimming de fazer inveja ao mais proficiente dos leitores, o verbo que inicia aquele enunciado e o que o termina como que soaram na minha cabeça como a sirene grave de um cais. Para praticar a sábia arte de ouvir, alguém tem de praticar a tola arte de falar; o volume do que se ouve depende do volume que se fala, ou seja, há sabedoria sem tolice.