06/09/2013

O caminho para o esquecimento

O caminho para o esquecimento é longo e tortuoso. Entra-se nele por um único lado e sai-se pelo oposto. Não se pode abandonar a meio, seguir atalhos, fugir pelas matas circundantes, embrenhar pelos espinheiros. O caminho para o esquecimento é solitário - a companhia acrescenta curvas e inclinações que atrasam o passo. Caminham os pés sem saber onde irão chegar, o certo é que a cabeça começa a esquecer: traços, jeitos, cheiros, vozes, abraços, o bom e o mau. Misturam-se as cores dos cabelos e as texturas das peles, os perfumes criam uma  nova fragrância indistinta, cruzam-se as conversas e o caminho que fica para trás vai-se perdendo na penumbra.
Às vezes o caminho para o esquecimento obriga-nos a voltar ao ponto de partida.
E desse que era eu meu já me não lembro...
Ah! a doce agonia de esquecer
A lembrar doidamente o que esquecemos...!
Florbela Espanca, «Esquecimento»

3 comentários:

  1. O caminho para o esquecimento faz lembrar as terras do sul. Está cheio de indicações erradas.

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    1. Erradas e em línguas bárbaras. Incompreensíveis!

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