30/09/2013

Naquela manhã choveu

Naquela manhã choveu. Com dificuldade se diria que a manhã clareou, tal a espessura de nuvens que ocultavam um sol já de malas feitas para o outro lado do mundo, sem vontade de conceder mais do que os indispensáveis raios, para nos alumiar e aquecer. Consequência disto tudo, naquela manhã choveu e fez frio.

Os acordares em manhãs assim costumam ser difíceis, o corpo quer o aconchego e o ar fora da cama tende a arrefecê-lo por maldade travessa. É por isso que os dias frios favorecem a junção dos corpos debaixo do lençol, mais do que os dias amenos ou quentes. As relações acontecem por necessidade de conforto, de calor, nas noites frias que hão de, invariavelmente, morrer nas manhãs gélidas. Se chover, pior. Ou melhor, se do outro lado da cama houver um corpo quente.


A noite tinha sido fria – demasiado fria para uma noite de início de outono, dirão os doutorados no Borda-d’água – e a manhã… como já sabemos, fria e chuvosa. A cama aquecida de um lado, arrefecida do outro – ali era sempre inverno, mesmo quando o termostato da casa marcava 34º.