11/09/2013

A minha vida dava uma banda sonora #12

Certezas, não tenho. Tive dúvidas - muitas (medos ainda mais) -, de que alguma vez fosse capaz de perder o lastro daquele tempo inteiro. Ryan Bingham era apologista da bagagem prática e leve, em viagem e como modo de vida. Eu fiquei com um velho baú de viagem, sem rodas, nem pegas extensíveis, num cais deserto, a horas tardias. 

De alguma forma, acreditei que tinha sido capaz de continuar, deixando para trás o peso do baú no cais deserto e escuro. Sem arrependimentos.

Hoje, não estou tão certa de o ter conseguido. Uma parte de mim ficou inequivocamente a guardar aquela bagagem, contra os roubos, as traças e o desgaste do tempo.

Talvez a atitude mais sensata, se a sensatez entra nesta história toda, é aceitar de uma vez as circunstâncias, mesmo que o que esteja em jogo seja mais do que tenho agora. Ou então esperar que passe. Tudo é cíclico. Até a História.


Haja o que houver - Madredeus 

Há quanto tempo, já esqueci
Porque fiquei, longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento por favor

4 comentários:

  1. ficaste longe de mim porque preferes lisboa!:p beijo

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  2. Insistes em dar-nos música... e da boa.
    :)

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  3. Desculpar-me-ás a frontalidade, mas não sou do género de "dar lustro ao cágado". Ultimamente os teus posts são variações sobre um tema, a memória, o que foi e poderia ter sido. Todos temos direito a um período de nojo, mas não estará na hora de arrumar as memórias e avançar?

    Abraço.

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    Respostas
    1. Estás desculpado. (:

      Bem, eu sei que era mais fácil escrever uns textos mais explicativos, menos vagos, para não deixar uma ideia errada - é muito difícil, não sou capaz.

      Tenho falado sobre a memória, sim, mas têm sido várias faces da memória, não só da minha como da dos outros, porque nem tudo está directamente relacionado comigo. Tenho falado da memória em relação a várias pessoas - aliás, esta rubrica abarcou o tempo largo de incluir quatro pessoas, numa baliza temporal de muitos anos, e às vezes não é mais do que conclusões no fim de tudo -, e a situações específicas. É a minha forma de arrumar as coisas, de me pôr em perspectiva.

      O problema é que as postagens ocorrem como consequência de uma ideia, de um sentimento, de uma lembrança pontual, não caracterizam a generalidade de como me sinto. Por exemplo, num dos posts falei de uma pessoa que me fez falta num espaço e tempo delimitado, não que o sentimento seja constante ou eu viva esmagada por ele, mas naquele dia, naquele sítio, fez, mas foi uma lembrança diferente, já que essa pessoa já morreu.

      Isto agudiza-se quando estou a escrever, de alguma forma tenho de me remexer por dentro para construir qualquer coisa.

      Porém, não temas, destemido homem, que euzinha estou a andar para a frente e estou a pensar avançar tanto que até sou capaz de ir embora do país. ((:

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