15/08/2013

E pur mi muovo

Houve um momento preciso durante o percurso, em que me lembrei de ti. Ocorreu-me, sem que nada o fizesse prever, que terias gostado de deambular por aquelas ruas, sem destino, vagueando ao sabor das opções do momento. Ocorreu-me que o terias feito com prazer - talvez tivéssemos de parar uma ou outra vez, para que te sentasses e apreciasses a tua bebida, certamente mais refrescante que da última vez, e deambulasses por pensamentos privados que nunca me atrevi a querer conhecer; talvez me contasses outras aventuras de ti menino; talvez me contasses planos para ti mais velho. Haveríamos de andar, isso eu sei, andar por horas e horas, em quase silêncio, sem esforço, sem mostras de cansaço.

Agora, eu ando. Cumpro a minha parte do destino caminhante, calco chão com a convicção de um soldado, sou um romeiro à procura do sentido entre as ruas sem sentido.

O nosso tempo desencontrou-se sem remédio. O meu relógio emocional trabalha num movimento impreciso de lentidão assinalável; o relógio das pessoas normais parece marcar já muitos meses e um aproximar de anos; o teu, não sei - nunca percebi como se mede a eternidade.

De um miradouro apinhado de turistas avermelhados, uma música. Coincidências? 

Tenho de dar corda ao relógio. Vou passar pelo mercado e comprar-lhe um par de asas. Vens comigo?

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