19/08/2013

Cuidado para não ires tão longe que não encontres o caminho de volta

Sei por experiência própria que escrever sobre as perdas emocionais ou físicas, a morte de sentimentos ou pessoas, não é simples, não tem nada de fácil. 

Há uma linha ténue que separa a banalidade de uma forma de dizer mais íntima, com sentido mais profundo. Sabemo-lo por instinto mais ou menos aperfeiçoado pelo conhecimento explícito das técnicas do fazer ou do observar. Sabemo-lo, nem sempre o alcançamos.

O como dizer as coisas sem que se ultrapasse a fronteira do piroso, da lágrima fácil, dos lugares-comuns e do sentimentalismo, deixar claro como a água que dói, que dói em intensidades que nos prostram e tiram o ar, pode ser um processo angustiante. 

É este equilíbrio que separa a boa literatura da má, por exemplo, que nos deu um Camões e demasiada poesia aquém. É este equilíbrio que separa uma boa história contada de mais um filme de domingo à tarde que não acrescenta nada.

É este equilíbrio que faz deste filme um filme belo, triste, sem ser banal.

2 comentários:

  1. é ténue de mais a linha entre o divinal e o xunga. e pior, há divinos que são xungas para outros, e etc e tal

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  2. Também gostei do filme. É diferente do que parece ser quando começamos a ver...

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