19/07/2013

Não, sr.a dona Pilar e sr.a dona Dilma, a mulher não pode ser Presidenta

Quem anda minimamente informado sabe que tanto a presidente brasileira, Dilma Rousseff, como a presidente da fundação Saramago, Pílar del Rio, exigem ser tratadas como presidenta, por reclamarem para si uma igualdade de importância feminina num mundo ainda, e  por muito tempo, governado por homens. Vão até mais longe ao desconsiderarem quem assim não procede.

Ora bem, eu, que não sou numa fazedora de opiniões, vou tentar explicar a tolice por detrás desta postura tão pseudo-feminista.

Se a memória não me falha (já lá vão 13 desde a última vez), o latim possuía um particípio chamado Particípio Presente, que significava, lato sensu, aquele que fazia qualquer coisa: cantante – aquele que cantava. Na passagem do latim erudito para o latim vulgar e daí às línguas românicas – português, francês, italiano, castelhano e romeno – este particípio morreu enquanto tal, deixando reminiscências em palavras que usamos amiúde:

amante – o que ama;
docente – o que ensina;
caminhante – o que caminha;
temente – o que teme;
presidente – o que preside.

No entanto, estas palavras – que tanto podem ser nomes como adjectivos – têm uma forma que podemos dizer neutra, logo, não contêm em si informação sobre o género. Precisam, por isso, de um determinante artigo – que se chama assim por esta mesma razão, por determinar género e número – que nos diga se é menino ou menina. Daí:

o amante / a amante;
o docente /a docente;
o caminhante / a caminhante;
o temente / a temente;
O PRESIDENTE / A PRESIDENTE.

É tão simples, tão claro, tão bom para evitar tiros nos pés. Vamos lá a ser um pouco mais humildes, inteligentes e respeitadores da língua que falamos, se não, qualquer dia, exijo que me tratem por docenta e ai do meu homem que arranje uma amanta.

4 comentários:

  1. Clap, clap, clap. (aplauso). De saliente que são mulheres que, independentemente do mérito, são figuras tuteladas por homens (Dilma por Lula e Pilar por Saramago).

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    1. Para mim, o maior absurdo disto tudo é a indignação de ambas contra quem não as trata assim e o desrespeito pela língua que ambas supostamente defendem.

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  2. Não sabia que a Pilar também se denominava presidenta :( A explicação é simples e ambas deviam sabê-la (digo eu...)

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    1. Isto tem tudo a ver com modismos linguísticos, de vez em quando passa uma nuvem e toca de inventar palavras porque as que existem não nos servem.

      Outro exemplo, pelo contrário, é a infeliz «poetisa» que agora é «poeta» à força, como se escrever poesia assumidamente feminina fosse uma tragédia. Juro que não percebo por que não hão-de as mulheres continuar a ser poetisas.

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