22/05/2013

No fim, ela saberia

A certeza de que tudo poderia acabar no tempo de um ai dava-lhe a ainda mais firme certeza de que nada a poderia impedir. Sim, haveria de haver gente perdida pelos passeios a atrasar-lhe o passo. Sim, os saltos dos sapatos haveriam de ficar presos entre as enervantes pedras da calçada e o vento haveria de soprar com força, descompondo-lhe o cabelo e a saia. O calor haveria de lhe afoguear as faces e cobrir-lhe a pele com uma fina poeira de suor. Sim, as portas do elevador haveriam de fechar no segundo anterior à sua chegada, retardando-lhe a pressa. Todo o universo se uniria contra si e a sua vontade, a sua firme certeza e a sua mais firme decisão. Mas ela precisava de respostas, de confirmações, de inequívocas verdades, de pontes seguras e chão firme. Sim, ela haveria de contornar a gente, desprender os saltos, prender a saia, compor o cabelo, suportar o calor e esperar pelo elevador. Enfrentaria o universo, mas no fim, por fim, ela saberia.

8 comentários:

  1. E esse só era tudo o que ela precisava. Gostei.
    Um beijinho Rapariga

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    1. Parece tão simples, não parece? E se calhar até é.
      beijinho, Helena

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    1. Acho que não. Eu nem sei muito bem de onde é que ela veio, muito menos para onde vai. :)
      Fazemos assim, ela vai para onde a quiseres levar. Tu e todos os que lerem isto. Vale?

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    2. Tás armada em escritora indie? As coisas são para ter o fim no fim, não é na meia.

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    3. Isso é tão old fashion!!!! O leitor que construa o sentido do texto e use toda a sua vivência para tal - ou seja, não me apeteceu escrever um texto com pés e cabeça e desculpo-me com a teoria da literatura. :D

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  3. O fim é em qualquer altura, desde que seja a certa!

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