28/05/2013

Correspondência íntima - XII


As coisas têm uma lógica que não tem a ver com o valor. Que fazer? Abandonar o valor e ir com a lógica, sabendo que sem esse valor, sendo nosso, nos estamos a abandonar e a retirar o prazer que temos em nos reconhecermos no que fazemos? Ou manter o valor e abandonar a lógica, sabendo que o resto do mundo vai atrás dessa lógica?



Hoje entendo melhor os artistas, no verdadeiro sentido da palavra, que criam muito para si, sem grande consideração pelo público, porque o público não passa de uma grande prostituta - contra mim falo, pela facilidade com que ponho coisas de lado.

Ou seja, mantenhamos a lógica do valor contra o valor da lógica. nenhum de nós espera enriquecer à custa destas coisas que faz.

10 comentários:

  1. Fazer pelo gozo que dá, sem dependências, é bonito. Eu tenho algo em comum com Van Gogh... nunca vendi nenhum quadro.
    :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É bonito. No entanto, não será legítimo ter algum retorno financeiro pelo trabalho que dá aquilo que se faz por gosto?

      Eliminar
  2. Sim, fazer porque nos dá prazer e porque não podemos viver sem isso.

    Mas eu gostava de um dia vender um livrinho, ai gostava sim.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Confesso que também. Não pela fama ou reconhecimento, mas pelo facto de me pôr à prova, ver um texto meu publicado e lidar com o facto de que não seria mais meu, seria de quem o lesse e o criticasse - no que de bom e de mau isto possa ter.

      Pode ser que um dia saia uma edição de autor ou assim. :)

      Eliminar
  3. Acho que deves escrever em nome próprio de outra pessoa. E vais mudando.

    Até nos comentários tem piada. Num dia como Lancelot e no outro como Guinevere. E a ir dar sempre ao mesmo sítio.

    Deixei aqui o meu voto porque não está contemplado ali ao lado :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. E quem disse que eu, às vezes, não faço isso? :D

      Eliminar
  4. Por acaso não concordo... Acho que os verdadeiros artistas criam apenas. Nem para si, nem para ninguém. E os outros (alguns bons também) criam sobretudo para os outros. O que para aí se vê disso, basta ver os livros que se vendem. Ou as músicas...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A criação pelo simples ato de criar? E não será a criação o produto e o destinatário do artista?
      É-me difícil de acreditar nisto, mais fácil confirmar a criação sobretudo para os outros.

      Eliminar
  5. O outro está sempre presente numa obra de arte, nem que seja por uma questão de definição de que determinado trabalho é uma obra de arte.

    A concepção do que é um artista e o que é uma obra de arte é feita por avaliadores externos ao criador, externos esses que podem viver na época do artista ou não. Os definidores do que é arte podem ser curadores, críticos, académicos, investigadores e investidores, público etc.
    Onde eu quero chegar é; só existe arte se alguém definir que aquilo é arte e por consequência determinada pessoa um artista, isso implica automaticamente uma opinião externa.

    Fazer um trabalho ou criar algo não é sinónimo de uma obra de arte.Uma obra de arte está directamente ligada a uma avaliação.
    A duvida está se; a consciência que vai existir uma futura avaliação destroi a qualidade de algo e não a definição se é arte ou não porque isso não está dependente do criador.

    ResponderEliminar
  6. Pintas, escreves, fazes escultura ou qualquer outra forma de arte porque te é necessário, intrínseco, libertador, catártico. Se pensas em público - pardon my french - fodeste-te. Já não és tu, apenas um vendedorzinho a impingir a sua banha da cobra.

    ResponderEliminar