18/03/2013

Movimentos ondulatórios


Quando o sol chegar e o azul cobrir o céu, abre as janelas da alma, deixa o calor entrar. 

Sacode o cheiro a mofo que habita os papéis rasgados dos sonhos perdidos que ainda guardas religiosamente em caixas de cartão, forradas com o cetim dos vestidos velhos. A muita chuva dos dias cinzentos enegreceu as paredes do coração, pinta-as de branco e permite-te um pouco de pureza. Há pedaços de recordações que se encontram espalhados pelos móveis, pelo chão, pelas gavetas perras. Há um ramo de flores secas dentro de uma bota de cano alto, meia boneca de porcelana caída atrás de uma cadeira e uma chávena do chá que nunca tomaste, quebrada numa asa, ao canto da chaminé. Junta-os todos, não deixes nada, é lixo. 



A vida limpa-se como o chão, despolvilha-se como os tapetes: com energia e um pouco de violência.