13/03/2013

E assim vai o mundo

A gestão do nosso espaço virtual pode, por fraco domínio e perceção do quão grande é a rede à sua volta, criar uma falsa sensação de intimidade e familiaridade. O que se passa aqui passa-se aqui e todos os motivos são limpos e claros, porque assim somo nós. Eu, pelo menos.

Ao fim de vários anos no mundo virtual, estou cansada, experimentando um sentimento em muito semelhante ao de Dante quando deu início à sua Divina Comédia:
Nel mezzo del cammin di nostra vita
mi ritrovai per una selva oscura,
ché la diritta via era smarrita. (C I, vv. 1-3)
Já conheci todas as pessoas que me interessavam, tenho já demasiadas histórias e dramalhões em primeira e terceira pessoa para contar. Já me ri bastante, chorei mais à conta do que pelo virtual se passou. Agora não quero mais. Não quero gerir seguidores, nem estratégias de marketing, não quero correr capelinhas por troca de favores. Já me chega.

Tenho as minhas pessoas, as minhas queridas e amadas pessoas com quem sou gente. Basta-me.

Assim, este blogue vai deixar de ter os comentários abertos. Cada um sinta-se livre de fazer o que bem entender. Será atualizado, certamente que sim, mais do que isso não.

Há muitos livros para ler, muitos filmes para ver e coisas para fazer. Há a promessa que fiz a mim mesma em setembro, de voltar ao que era, à minha inocência perdida, ao ponto em que eu não estava sempre de pé atrás com as pessoas. Não aqui, não agora.


É hora de limpar a porcaria e voltar para mim.