31/10/2012

Correspondência Íntima - VI


O tédio instalou-se na minha vida. Não tenho nada de relevante para partilhar em lado nenhum. São demasiadas as redes em que me perco, tanto por onde me expressar e tão pouco para dizer. É um bocadinho diferente do que vejo a maioria fazer. Parece que toda a gente anda embrenhada em projetos aliciantes, como se as suas vidas não pudessem ser outra coisa que não alegria e emoção. É o curso natural: quando a nossa vida é minimamente agitada, gostamos de nos gabar disso e espetar no nariz de toda a gente que fazemos e acontecemos. Tendemos a estar calados quando não há por onde gabarolar. Assim estou eu.

29/10/2012

I love mondays. So what?

Sim, sim, eu sei que o normal é começar a semana (na verdade, a semana começou ontem) com mensagens de ódio às Segundas, escrever posts redundantes com dia marcado a falar de todos os pontos negativos do dia em causa, lamentar o trabalho que começa (atitude bastante ofensiva, tendo em conta o número de desempregados neste país), odiar as aulas que começam (estudar é um privilégio cada vez maior) e todo o dramalhão que leio há anos. Bahh!! Há coisas piores, como nem chegar a acordar para viver este dia.

25/10/2012

Transforma-se este blogue num antro de badalhoquice


Continuando na senda das refeições saudáveis, um anúncio ao fiambre que nos faz positivamente salivar. Pelos vistos foi banido, consideraram-no publicidade enganosa (terá sido problema da perna extra?), mas graças à Internet podemos vê-lo sempre que nos der a vontade.



24/10/2012

Não se esqueçam de tomar o pequeno-almoço

não sei onde a achei :/



Já que eu ando de dieta.

23/10/2012

Realmente, nasci no século errado

Rembrandt Harmenszoon van Rijn - Bathsheba at Her Bath, 1654

Tivesse eu nascido pelos séculos XV-XVII e estaria escarrapachada na parede de um museu famoso.


22/10/2012

Nada mais importa


Samson came to my bed

Told me that my hair was red
Told me I was beautiful and came into my bed

And kissed me 'til the mornin' light, the mornin' light

And he kissed me 'til the mornin' light

21/10/2012

Nenhuma morte apagará os beijos


Nenhuma morte apagará os beijos
e por dentro das casas onde nos amámos ou pelas ruas clandestinas da grande cidade livre
estarão para sempre vivos os sinais de um grande amor,
esses densos sinais do amor e da morte
com que se vive a vida. 

Aí estarão de novo as nossas mãos. 
E nenhuma dor será possível onde nos beijámos. 
Eternamente apaixonados, meu amor. Eternamente livres. 
Prolongaremos em todos os dedos os nossos gestos e, 
profundamente, no peito dos amantes, a nossa alma líquida e atormentada 
desvendará em cada minuto o seu segredo 
para que este amor se prolongue e noutras bocas 
ardam violentos de paixão os nossos beijos 
e os corpos se abracem mais e se confundam 
mutuamente violando-se, violentando a noite 
para que outro dia, afinal, seja possível.  

Joaquim Pessoa, in Os Olhos de Isa




[este blogue ainda está de castigo. vim só partilhar um poema que podia muito bem ser meu]


14/10/2012

o amor é curto e deixa mossa, mas quero voar, por favor!



[este blogue foi considerado supérfluo até provas em contrário. até já]

11/10/2012

Correspondência Íntima - V

O meu afastamento das pessoas tem a ver com a necessidade me proteger. De momento, não tenho capacidade emocional, nem disposição, para lidar com as minhas coisas, muito menos com as dos outros. Assim, estou presente em doses moderadas e deixo que os amigos estejam nessas mesmas doses. Não tenho nada de novo para dizer, não sou capaz de voltar aos assuntos antigos. O silêncio, ou a presença silenciosa, é o melhor que posso dar no momento.

10/10/2012

Está oficialmente aberta a época de acasalamento

das imagens com as palavras.

Lembram-se do pedido que vos fiz? Pois bem, só cinco destemidos, dos cento e quarenta e não sei quantos seguidores, atiraram imagens ao ar a ver se eu as apanhava (isto diz muito da importância deste espaço na vossa vida, o que acaba por ser bom, que aqui não se aprende nada).

O meu novo blogue lá começou com dois textos já publicados, mas com as devidas fotografias a ilustrá-los, não que os tivessem inspirado per se, tão só dão conta dos espaços físicos mencionados.

Ontem, para me inspirar fui dar uma vista de olhos às fotografias do Nuno Ramos (de quem já falei aqui, aqui e aqui) e encontrei umas flores amarelas que deram o resultado que se pode ler.

No entanto, hoje é dia de começar a reagir realmente às sugestões apresentadas. Começo com a reprodução de um quadro de Millais, Ophelia, gentilmente posto em cima da mesa pelo Luis Rodrigues, aquele que anda sempre com tinta no bolso, e que causou um impacto em mim que não contava. Posso dizer-vos que andei o dia todo à volta quer da imagem quer do texto, o processo foi sofrido. Já lá podem ir espreitar o resultado, se assim o entenderem.






(Já agora, aproveitando que este post é pedinchão e queixinhas, alguém pode fazer a caridade de me ensinar como é que se acrescentam páginas ao blogue, para além da Página Inicial? Agradecida)

09/10/2012

O vazio que me deixaste

é uma mágoa sem fim.


[hoje está pesado e chove por todo o lado]

08/10/2012

Tenho um novo blogue e preciso de vocês

Ora bem, meus caros, preciso da vossa contribuição intelectual.
Explicando: criei um blogue só para os meus devaneios poéticos (cof cof cof), mas não queria que fosse uma coisa tão pessoal que ninguém a entendesse. Por isso, gostaria que me deixassem ideias, ou seja, sugestões de pinturas, fotografias ou imagens, vossas ou de outros, para eu poder escrever sobre elas.
Quando postasse o texto, postaria também a imagem e o nome do blogger que a sugeriu.
O pontapé de saída (ando a ler Simão, escuta a mais) está dado, com um poema que escrevi há uns meses, sobre um banco da praia da Figueira. Não é propriamente aquele, mas vocês também não podem ficar a saber tudo.

Agora, vá, digam-me coisas. :)

07/10/2012

Criativa 2012



A Criativa chegou ao fim, foram três dias (para mim, apenas um e meio) de muita atividade cultural.
Já sentia falta de toda esta agitação, viver longe da capital pode ser mesmo uma grande chatice, salvam-se estas iniciativas. Parabéns ao vereador da cultura da Figueira e a toda a equipa da organização, à Comissão de Honra e aos criativos.

De tudo o que aconteceu, posso realçar a conversa com Nuno Camarneiro, é sempre um gosto ouvi-lo; as exposições no Museu e no CAE - aconselho a exposição Sérgio Godinho e as 40 ilustrações -, o vídeo alheava_filme, de Manuel Santos Mais, uma visão muito pessoal e humana da guerra em Moçambique; e as palestras "A indústria artística, o trabalho inventivo e o valor das artes". No fim, quatro minutos de tempo para o filme de animação stop motion, Tito em Sarilho, de Ana Batata e Bruno Lucas.

Ah, definitivamente vou-me inteirar do trabalho do Afonso Cruz.

Muito ficou por ver, ouvir, apreciar. Não deu para tudo. Espero em ânsias pelo ano que vem.

04/10/2012

Terra árida

Dou às coisas uma importância que elas não têm, insisto em querer ter todas as respostas e entender todos os porquês. Às vezes finjo que me esqueço e que não faz mal todo o desconhecimento que me cerca e está ali mesmo no virar da página de um livro que nunca foi escrito. Depois lembro-me e os assuntos anões são agora gigantes. Não tenho pedras suficientes nas mãos para atirar. Eu que nunca matei um urso, nem lutei com um leão. Eu que tenho o meu cabelo castanho e não domino a arte da música. Eu que me afogo no mar do que não sei resolver. Eu que só precisava de entender, de saber um pouco mais de poucas coisas mais. Pegar nos assuntos inacabados, trancá-los em caixas de bronze, com ferrolhos de ferro e perdê-los. Em mim não há força. Quero esquecer que antes de hoje houve outros dias e semanas e meses e anos, num passado que se adensa no calor das horas. Tenho medo de me esquecer. Tenho medo de me esquecer-me. Ainda tenho medo de me esquecer-te. Há um instante de dor aguda que se prolonga num batimento cardíaco sem fim. Saber que não pensaste em mim, que eu não pesei nas tuas contas. As decisões e não-decisões arrasaram-me. Sou um campo de batalha que cheira a morte, carregada de mortos nas mãos. Tombaste. Tiveste mais do que um corpo, mais do que um nome, ainda assim tombaste. Vez após vez, tombaste. Somaste-te ao número das perdas que não recupero e levaste-me contigo. Pedaço após pedaço.  Se ao menos pudesses olhar para mim e ver aquilo em que me tornaste. Um lugar triste, um jardim seco, uma terra árida. 





[hoje é a última vez que me lembro assim. fazes-me falta, todos os dias, não sei bem porquê, mas hoje fico-me por aqui. quase um ano, como é possível...]

02/10/2012

Gastei as palavras


Gastei as palavras, não sei como explicar
o que o meu coração sente. É silêncio
que falo, é silêncio que escrevo. Presa num vácuo
que se dilata à medida que o meu corpo se
movimenta.
As folhas dos meus cadernos estão vazias, nos
dicionários os vocábulos têm cores desmaiadas. Eu grito.
Sinto sentimentos que não sei definir, um cansaço
na alma e um peso nas mãos.
Não sei do que falo.
Eu não falo.
Tudo é silêncio árido, silêncio frio, silêncio
plúmbeo, silêncio que ensurdece.
Gastei as palavras. Não sei como explicar
o que o meu coração sente.
Silêncio.




Para ti, minha querida ilha perdida no meio do oceano.

01/10/2012

Correspondência Íntima - IV

O mês de setembro é como se fosse janeiro para mim, comecei um novo ano. I'm back to basics. Querer ser como toda a gente e agir como toda a gente não me fez mais feliz, só me trouxe deceções e sofrimento, pelo menos, como eu era, era feliz. Quero muito voltar a esse estado de inocência e crença, a essa felicidade. Acredito que vá no bom caminho, tenho-me sentido muito feliz nestes dias. Em resolvendo um último assunto pendente que tenho, fico tranquila.


Nada de paz podre. Odeio guerras frias.