28/09/2012

Esta noite

Esta noite,
sonhei-te nas mãos.
As minhas mãos acordaram cansadas.
E tristes.

27/09/2012

O escritório da minha mãe



A minha mãe anda há anos a sofrer por não ter o cantinho dela, para arrumar papéis, os livros, pôr o pc, tratar das suas coisas. Já perdi a conta dos espaços da casa que ela tentou ocupar e das soluções (todas fantásticas, oh! oh!) que inventou, tão só para se frustrar a casa passo. Da última vez, enfiou uma estante velha na sala e só consegui de lá tirar aquilo porque me comprometi a mudar os móveis todos do espaço e a dita tinha de ficar de fora (por acaso a sala ficou muito mais bonita, arejada, luminosa e espaçosa).

Que fazer? Pois bem, como casa da aldeia que se preze, há sempre uma sala e uma cozinha que estão lá para enfeitar, cá em casa há uma cozinha só para inglês ver que está dividida por um balcão e que acaba por criar uma espécie de saleta. Ora, pensei, pensei muito e descobri a solução.

Reuni uma série de elementos que ligassem uns com os outros e tornassem o espaço acolhedor: os cortinados a imitar o antigo, a capa do sofá individual em tons cru, o móvel lacado e pintado à mão com anos e anos, com os livros dela, os cds e tudo mais, o candeeiro do teto que tirei da sala de baixo e pus ali por fazer muito mais o estilo do espaço e o resultado foi um canto muito agradável.

Faltava só a mesa de trabalho. Desviei uma mesa horrenda com camilha, mais os adereços e um candeeiro que a minha mãe tirou do quarto. A minha avó deu-me outra cadeira igual à que tenho em casa, pelo que a restaurei e trouxe para cá. Ainda assim, a mesa, meus caros, aquela mesa dava-me cabo dos nervos.

Ontem, numa inspiração pós-almoço, mandei a camilha larvar-se no programa das lãs e pintei a mesa de branco. Adorei o resultado. A mesa que era tão canastrona ficou elegante e bonita à vista e ao toque. Até um baldinho do lixo lhe fiz. Peguei num balde de plástico, numa sobra de tecido cortada de uns cortinados, forrei o balde, pus aquela fita que andava lá perdida (não sei fica lá, não sei) et voilá!!!

Qual foi a reação da mãe, digam lá? Ah que bonito. Agora vou comer que estou cheia de fome. Eu mereço... -.-

26/09/2012

Correspondência Íntima - III

A minha casa ganhou três velharias novas: a mesa do meu avô, uma cadeira da minha bisa e mais um garrafão de vidro da outra bisa. Tudos coisas a rondar os 100/200 anos, coisa pouca. A entrada já foi mudada outra vez, agora está lá a dita mesa, com a dita cadeira e a minha máquina de escrever em cima. Mesmo a pedir que as pessoas se sentem e escrevam o que lhes vai na alma, ou na ponta dos dedos, às vezes há coisas que precisam de ser escritas e que escapam ao controlo da mente. 

É o corpo a ditar a direção, a emoção a sobrepor-se à razão e a verdade a ser conhecida quando menos se espera.


Et à ton réveil la vie reprend son train

Fondu au noir - Coeur de Pirate


Fondu Au Noir - Coeur de Pirate
Dors, le mal est passé et tu entres dans la danse
Le pire de côté, tes rêves entrent en cadence
Tu sèmes le bonheur à chaque pas que tu fais
Et à ton réveil la vie reprend son train.

Certes tu passe comme de l'air, dans un monde sans musique
Dépourvu de tes nuances, un peu trop spécifiques
Tu nages en douleur et il est presque temps
De fermer les yeux, dans la mort qui t'attend

Et si ça fait mal c'est parce qu'il comprend pas
Qu'une mine loge dans ton coeur depuis longtemps
Et si ça fait mal c'est parce qu'il te voit pas
Alors que ton sourire enfin s'éteindra.

Dors le mal est passé, il te rattrapera pas
Le souffle coupé, tu n'es plus son appât
Ta peine s'est fondue au délire des autres
Qui oublieront bien vite que tu n'es plus des nôtres


As deambulações continuam e as pérolas estão em todo o lado.

25/09/2012

Correspondência Íntima - II

Aquele texto foi uma necessidade de processamento. Precisava de me distanciar do que te escrevi, mudar a perspetiva. Mas não podia escrever tudo literalmente, daí que o resultado tenha sido levemente diferente do que caiu na tua caixa de correio. A segunda parte foi um pouco mais egoísta, na verdade. Assim, ficou a dúvida: é sobre mim, não é? A pessoa existe, não existe? Exercício de escrita? O que é aquilo? É o que quiserem ler, embora esteja ficcionalmente descrito o que é.

Como vês, nem sempre os motivos que nos levam à escrita são puros e nobres. A cobardia também pode ser um bom desencadeador de ideias.

24/09/2012

Correspondência Íntima - I


Andei a mexer mais um pouco nos textos que te mandei, principalmente nos últimos três. É preciso dar-lhes profundidade. Se bem que eu estou a um passo de os destruir, estou cansada daquela prosa. Ainda dói muito voltar ali, é como se as feridas fossem abertas outra vez e esfregadas com sal. Ao mesmo tempo é como se já não me pertencessem e eu não me revisse naquilo. Faz sentido? 

Your silence


Às vezes, deambular pelo Youtube leva-me a descobrir músicas assim, como eu gosto. Esta jovem de 18 anos chama-se Lucia ou Lucia Maria e é romena. Repararam como entendemos algumas palavras ditas antes de ela começar a cantar? Deve-se ao facto de o romeno ser uma língua latina. :)




Silence - Lucia
Stop me
Say you wanna stop me
Say you wanna stop me now
But I’m leaving 
Yes I'm gonna leave you
Yes I'm gonna leave your life
If it's just 'sorry'
I don’t want your sorry 
I don’t want your sorry now
Is too late, you know
Is too late you know
Wasted time 

Say
Do you wanna play for love?
Do you wanna play for love?
Say
Do you wanna play for love?
Do you wanna play for love?

Your silence
Your silence 
Your silence...aaaah
Silence
Your silence
Your silence 

Wake me…
Say you wanna wake me
Say you wanna wake my life
But I know you
Yes I wanna know you
Yes I wanna know your life
If is just teasing
I will be your teaser
I will be your teaser now

Is too late, you know
Is too late you know
Wasted time 

21/09/2012

Hoje é sexta, mas há patifarias

Desde o dia em que esbarrei no blogue do Patife, onde há patifarias às segundas e quintas, que lhe digo (das vezes que não disse, pensei) "Patife, publica uma antologia com os teus poemas." Ora, como a coisa tarda, decidi pôr mãos à obra e criar uma antologia em linha da poesia patifória, ou pachecal, como quiserem.

A dita começa com um elogio que lhe fiz (o senhor não ligou nenhuma, mas eu perdoo-lhe só porque posso, só porque sou magnânima), seguem-se todas as paródias poéticas até hoje escritas por tão ilustre esgrimidor das letras, com as respetivas hiperligações, para que possam ler a entrada original (se ele me pagar bem, eu continuo a acrescentar a lista).


Manifesto Pró-Patife


Ei-lo Pum Ei-lo!
Uma geração que consente deixar-se representar por um Patife é uma geração que sempre o será! É uma alcova de mulheres, de excitadas e de disponíveis! É uma resma de boas e de poderosas e só pode resultar em grandes coitos.
Acima o Patife!
Viva o Patife, viva! Pim!
Uma geração com um Patife a cavalo é uma geração consolada!
Uma geração com um Patife à proa é uma coletânea de ais e uis!
O Patife é um herói!
O Patife saberá grammática, saberá syntaxe, saberá medicina, saberá fazer ceias p’ra meninas, saberá tudo e até foder que é a única coisa que ele faz!
O Patife pesca tanto de poesia que até faz sonetos com as ligas da duquezas!
O Patife é um habilidoso!
O Patife sabe escrever!
O Patife é patife!
Viva o Patife, viva! Pim!


Do Patife

Descalça vem à minha fonte
Leonor pela verga dura;
Vem formosa e sem secura.

Leva com a cabeça no pote,
O testo e as mãos na rata,
Cinta de fina escarlata,
Sainho de chamelote;
Peito a espreitar pelo decote,
Está aberta e ninguém a segura.
Vem formosa e sem secura.

Abre toda a boca e a garganta,
Língua de ouro entrançado
Comprida de cor de encarnado,
Tão linda que o falo espanta.
Chove nela meita tanta,
Que dá graças à verga dura.
Vai-se formosa e sem secura.




Bocassoa
Dizem que finjo ou minto
Em tudo o que sinto. Não.
Eu simplesmente afinfo
Com o sardalhão
Não uso o coração.

Tudo o que faço ou trespasso
É uma queca que nunca finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Mas a mamar é que és linda.

Por isso espeto no meio
E nem sequer olho a quem
Entalo com tal enleio,
Que a todas quero bem
Sentir? Sinta quem se vem!



Em todas as ruas te monto
Em todas as ruas te monto
Em todas as ruas te espeto
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua fissura
que é de pau feito que eu ando
para te mostrar a dita dura
e lambo a mágoa com o nabo a dar
que te atravessa até à loucura
tanto, tão perto, tão real
que nem acreditas na envergadura
que toca no teu próprio elemento
num corpo que já não é teu
num orgasmo que reapareceu
onde o nabo meu te fura

Em todas as ruas te monto
Em todas as ruas te espeto




Não te mamo
Não te mamo, queco-te: o mamar vem d’alma. 
E eu n’alma - tenho a calma, 
A calma – do meu umbigo. 
Ai! não te mamo, não. 

Não te mamo, queco-te: o mamar é íntimo 
E o íntimo - nem sentido 
O trago eu já comigo. 
Ai, não te mamo, não! 

Ai! não te mamo, não; e só te espeto
De um espetar bruto e fero 
Que o tesão te devora, 
Não chega ao coração. 

Não te mamo. És bela; e eu não te mamo, ó bela. 
Quem mama é porque dá trela 
E essa má hora 
acaba sempre em perdição.

E queco-te, e não te mamo, que é forçado, 
Mas antes ter o nabo gozado 
Que esse indigno furor. 
Mas oh! não te mamo, não. 

E infame sou, porque te queco; e tanto 
Que por ti o levanto 
Por mim o espeto com vigor
Mas mamar!... não te mamo, não.



Ser Patife
Ser Patife é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Foder como quem beija!
É ter um nabo para usar como quem seja
Rei do reino do prazer e da dor!

É ter mil orgasmos e provocar ardor
É saber que toda a gente o deseja!
É meter bem dentro este mastro que flameja,
É aviá-las com garras e bico de condor!

É ter fome de pinar até ao Infinito!
Meter o elmo nas bordas de cetim.
E deixá-las loucas num só grito!

E é pinar, assim, perdidamente...
É ter calma e folhos abertos para mim
E não parar enquanto não aviar toda a gente!



Ouvi gemer
Ouvi gemer e o teu tesão acabou...
Pois eu não tive a noção do seu fim!
Pelo que eu já tentei,
eu não vou vê-lo em mim
se eu não tive a noção de ver nascer uma emoção

E ao que vejo, tudo foi para ti
uma estúpida emoção que eu nem senti
E eu fiquei com tanto p´ra pinar
E agora não vais achar nada bem
que eu pape a cona em raiva.

E pudesse eu pinar de outra forma!
E pudesse eu pinar de outra forma!
E pudesse eu pinar de outra forma!

Ouvi gemer e o mundo acaba amanhã,
e eu tinha tantos planos p'ra depois!
Fui eu quem te levantou as saias
na pressa de ficarmos a sós
sem tirar das pinadas seu cruel sentido...
Sobre a emoção estar cega,
resta-me apenas o meu Pachecão
e um dia vais ser tu
ou talvez o teu cu
onde eu já fui
um dia vais assim foder

E pudesse eu pinar de outra forma!
E pudesse eu pinar de outra forma!
E pudesse eu pinar de outra forma!
Sei que vais assim foder
E pudesse eu pinar de outra forma!
E pudesse eu pinar de outra forma!
E pudesse eu pinar de outra forma!

A pachacha está coberta
e alguém me mamou o Pacheco em toda a parte:
nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas.
Em todo o lado essa mamada
repetida ao expoente da loucura!
Ora amarga, ora doce…
Para nos lembrar que o amor é uma doença,
quando o que interessa é ter a picha dura



Soneto do tesão total
Avio-te tanto, com o coração distante
Com tal tesão que nem parece verdade
Avio-te à bruta mas só como amante
Numa sempre diversa realidade.

Avio-te aqui desprovido de prazer prestante
E aviso-te além que não vou sentir saudade.
Afinfo-te, enfim, com grande liberdade
Sem promessas de eternidade a cada instante.

Fodo-te como um bicho, simplesmente
De um tesão sem mistério e sem virtude
Com um mastro maciço e permanente.

E de te aviar assim, muito e amiúde
É que um dia na tua chona de repente
Hei-de morrer de foder mais do que pude.


Bocal Berto
14 de janeiro
todo o santo dia bateram-ma torta. as pálpebras não as abri, não me apetece ver pessoas, ninguém.
fodi muito, de tarde e pela noite dentro.
curiosamente, hoje ouve-se o mamar como se estivesse dentro da alma. o vento deve estar de feição. a ressonância das mamas contra o pacheco sobressalta-me. desconfio que se disser vem-te em voz alta, outra chona entra pela janela.
sou um homem privilegiado, ouço-as a mamar ao entardecer. que mais posso desejar? e no entanto, não estou alegre nem apaixonado. nem me parece que esteja feliz. fodo com um único fim: salvar o dia.



Queria de ti (Cesariny)
«Queria de ti um pipi de vontade e de bruma
Queria de ti um mamar até fazer espuma»


Não Posso Adiar o tesão
Não posso adiar o tesão para outro século
não posso
ainda que o meu nabo te sufoque na garganta
ainda que a tua chona estale e crepite e arda
sob bombadas pingentes
e montadas pingentes

Não posso adiar este marsapo
que é uma arma de dois gumes
ardor e ócio

Não posso adiar
ainda que o meu mastro pese séculos sobre as costas
e a ejaculação massiva demore
não posso adiar para outro século a minha picha
nem o meu fervor
nem o meu grito de satisfação

Não posso adiar o tesão

Amigas

Amigas, cento e dez, ou talvez mais, 
Eu já contei. E com todas eu fodia: 
Todas pus sobre o nabo e não havia
Uma única que não achasse demais.

Amigas, cento e dez! Tão serviçais, 
Tão zelosas com lábios de cortesia 
Que, de tanto os ver, já me escapulia 
Para as suas aberturas vaginais.

Um dia espetei profundamente. Magoei. 
Nas cento e dez o nabo esteve presente
E todas se portaram como marotas

Que vamos nós (diziam) fazer? 
Com aquele bacamarte vai doer. 
Mas lá ficavam com as bordas rotas.


Autopsicopatifaria
O Patife é um fingidor.
Finge tão profundamente
Que chega a fingir que é cu
A cona que deveras sente.

E as que metem ao de leve
Na pachacha sentem bem,
Não uma bigorna que ferve
Mas uma que vale por cem.

E assim nas calhas da foda
Gira, a entreter a emoção,
Este bacamarte da moda
Que se chama Pachecão.


Contemplação

Contemplo o regaço húmido
Que o meu nabo aquece
Não sei se meto tudo
Ou se tudo te estremece.

O teu suco sabe a anis
Já sinto a picha bebê-lo
Não sei se já estás feliz
Ou se ainda desejas lambê-lo. 

Trémula, não me abandonas
Ficas na cama estendida
Por que fiz eu das chonas
A minha única saída?



Nirvana
Pinar assim: sem ciúmes, sem saudades,
Com tesão, sem amor, sem carinhos
Livre de angústias e confidencialidades,
Deixando pelo chão cuecas e pinguinhos.

Poder pinar em todas as cidades;
Poder aviar em todos os caminhos;
Cumprindo com prazer as necessidades,
Confundindo pachachas com rabinhos;

O tamanho pode parecer medonho
E primeiro tem de ser mamado;
Mas ao olhar até parece um sonho;

É preciso ter alma para tal envergadura
E é vê-las ir onde nunca tinham chegado:
Ao extremo da minha picha dura.


Rêve Oublié 
Neste meu hábito surpreendente de te foder de costas 
neste meu desejo irreflectido de te fornicar num trampolim 
nesta minha mania de te aviar como tu gostas 
e depois esquecer-me irremediavelmente de ti 

Agora a pinar em contra-luz para ver na sombra 
agora a encostar-te ao vidro e deixar-te por terra 
agora a enfiar-te na boca esta magnífica tromba 
e depois vir-me de forma eterna.

Continuar a dar pinadas e mudar a posição do mastro 
continuar a foder à bruta e nunca terminar cedo 
continuar a procurar a fenda de uma princesa sem cuecas
e depois fechar a porta e prendê-la no meu enredo 

Contar as quecas pelos dedos e perdê-los 
contar um a um os nomes delas e não lembrar de nada
contar as chonas rapadas e descobrir-lhes o brilho 
e depois fechar os olhos e limitar-me a seguir a estrada.


Queca Apressada
Era uma queca apressada 
depois de um dia tão lento. 
Era uma pachacha encarnada 
aberta nesse momento. 
Era uma boca fechada 
sob a mordaça de um lenço. 
Era afinal quase nada, 
mas o nabo era imenso! 

Imensa, a meita perdida 
no meio do chavascal; 
imensa, a picha da vida
no seu movimento imperial; 
imensa, na despedida, 
a estucada final. 

Era uma chona emproada 
pronta a receber este portento. 
Era a minha picha enfiada 
pronta a dar um aviamento. 
Era uma chona assaltada, 
por um bacamarte sedento 
Era afinal quase nada, 
mas o nabo era imenso! 

Imensa, a boca decidida 
mais parecia uma catedral; 
imensa, a voz diluída 
com a pressão nabal 
imensa, foi toda mordida, 
numa brochada fatal!


Grossa, grossa
Assim papo-te a rata
Ai se eu te espeto
Ai ai se eu te espeto

Felícia, Felícia
Assim papo-te a rata
Ai se eu te espeto
Ai ai se eu te espeto

Sábado pela calada
A galera começou a cantar
Eram os anos da menina mais linda
Tomei coragem e comecei a improvisar

Grossa, grossa
Assim papo-te a rata
Ai se eu te espeto
Ai ai se eu te espeto

Felícia, Felícia
Assim papo-te a rata
Ai se eu te espeto
Ai ai se eu te espeto



Bocantonio Gedeão
Nabo Filosofal 
Elas não sabem que o tesão
é uma constante da picha
tão comilona e decidida
que come uma chona qualquer, 
como essa chona pardacenta 
em que entro com grande avanço, 
como um furacão nada manso 
sem grandes sobressaltos, 
numa gaja de saltos altos 
em que as mamas se agitam, 
como essas vozes que gritam 
em pinadas de alegria. 

Elas não sabem que o nabo
é hino, é espuma, é fermento, 
bicho estouvado e sedento, 
de focinho pontiagudo, 
que espeta através de tudo 
num perpétuo movimento. 

Elas não sabem que o mastro
é tela, é cor, é pincel, 
base, fuste, capitel, 
nabo erecto, imperial, 
pináculo nabal, 
contraponto, sinfonia, 
em chona troiana ou grega faz magia, 
que pina como malabarista, 
vai ao fundo num instante,
bacamarte sempre errante 
para o trepar só uma alpinista.

Elas não sabem, nem sonham, 
que o tesão comanda a vida. 
Que sempre que um homem sonha 
o nabo pula e avia
com fúria atrevida
entre as pernas de uma vadia.


Um fodão na casa dos Capuletos
Se minha mão profana seu relicário,         ROMEU (a Julieta)
em remissão aceito o que serei, 
mas o meu falo é peregrino e solitário, 
e com ele pinar-te-ei.

Ofendeis vossa mão, bom peregrino,       JULIETA
que se mostrou afoita e ardente. 
Com a mão já tenho grande ensino 
Na vulva quero o teu beijo quente

Os devotos não te deixam louca?               ROMEU
Não, só servem para outras orações.       JULIETA
Deixai, então, ó santa! que esta boca        ROMEU
te deixe a cona aos trambolhões.

Aos saltos, a chona exalta o suco.             JULIETA
Então põe a greta a jeito, pois                     ROMEU
o meu nabo já está maluco.
Há Pachachas que Nos Beijam 
Há pachachas que nos beijam
Como se tivessem boca.  
Pachachas de calor, de esperança, 
De imenso ardor, de esperança louca. 

Pachachas nuas que beijam 
Quando a noite perde o rosto; 
Pachachas que ficam húmidas 
para serem lambidas a gosto. 

De repente esbaforidas 
Entre trombadas sem cor, 
Esperadas inesperadas 
Como a poesia ou a dor.

Já o nome de quem se mama 
Letra a letra revelado 
Na memória esquecido
Na cama abandonado.

Pachachas que nos lambuzam
deixam-nos à sua sorte 
Mas no final, para rematar 
Dá-se uma pinada forte.


Coninha pequenina
Coninha pequenina
Já te ouço a chamar por mim
Estejas escachada ou apertadinha
O Patife maluco dá conta de ti

Tu sabes de antemão
Que eu vou estragar a tua reputação
Coninha pequenina
Vou fazer-te as vontadinhas
Ai se vou
Ainda nem me conheceste
E já aprendeste
Que depois de te pinar me vou


Como só eu possuo
Olho em volta de mim. Todas me possuem
Num afecto, num sorriso ou num abraço.
Mas para mim as ânsias só se diluem
Quando lhes enfio o meu calhamaço

Roçam-se por mim nos lençóis da cama fria
Entre espasmos golfados intensamente.
Sonham com as êxtases que eu amansaria,
Mas só quero meter-lhes o nabo a quente

Quando estou em brasa perco-me todo
Não posso afeiçoar-me, só sei ser eu:
Uma máquina ardente enquanto fodo,
Depois saio, nunca alguém me conheceu
Como eu desejo a que ali vai na rua,
Tão ágil, tão intensa, tão cheia de calor.
Por mim emaranhava-a já toda nua,
Metia-a de joelhos a provar o meu sabor

Ah, eu a faria vibrar de forma penetrante,
O seu corpo ficaria com o prazer roubado,
O seu sexo completamente transtornado
Depois de sentir o meu mastro gigante
De embate em embate todo eu me ruo,
Dou-lhes o mundo inteiro numa pinada
Quedam-se sem pensar em mais nada
Ao serem possuídas como só eu possuo.



Se te comparo a um dia de tesão,
Desfaço-me num cansaço ameno
Espalhamos as roupas pelo chão,
Pelas ruas, pelos vales, pelo feno.

A toda a hora cresce o falo em demasia
Enfim, é essa a minha natureza;
Se quiseres só me tens por um dia,
Na constante mutação da picha tesa.

Mas na cama o tesão será eterno,
E de todas as maneiras pinarás;
Faço da minha picha o teu inferno:

Comendo-te pela frente e por detrás.
E quando eu precisar de me entreter,
Minhas mãos profanas te farão foder.

20/09/2012


Todos os dias, por volta da meia-noite, hora em que se deita, o quarto apaga-se, nas paredes dançam as sombras projetadas pelas luzes da rua que entram, sem pedir licença, pelos vidros das janelas de sacada, nuas de cortinas. Umas vezes, entrelaça as mãos sobre o abdómen, outras tapa os olhos com os braços ou cruza-os por cima da cabeça, o corpo estático, os olhos fechados, a audição a elevar-se acima dos outros sentidos – apenas ouve a música, o bater do coração e o seu respirar, no mesmo compasso da solidão. As horas passam-lhe numa cadência lenta, tão lenta que lhe levam a pele, lhe devoram os ossos, lhe queimam o sangue que lhe corre nas veias. O seu interior é em tudo semelhante a uma caverna escurecida, a profundidade de um monturo, onde goteja uma tristeza viscosa e espessa que o cobre com a sua goma lodosa. 

18/09/2012

Correndo o risco de só falar de coisas fofinhas

apresento-vos a Mel. A mamã super vaidosa Mel, que se a visitarmos 300 vezes por dia, 300 vezes faz questão de exibir as crias com orgulho.
É uma gata da cidade, nascida na Figueira da Foz, em casa de boas famílias, mas cresceu e viveu grande parte da sua vida na Covilhã. É muito independente e elegante, mas sabe pedir miminhos e aceita-os até estar satisfeita. Já caiu de um quarto andar e sobreviveu por ter ossos fortes e ser muito saudável. As patas rebentaram, porém já curaram e ela não ficou com sequelas.
É também uma gata de bom gosto, como se pode ver pelo seu benfiquismo - adora ir ao estádio.
Agora tem aqueles filhotes lindos que precisam de novos donos, são 3 gatas (os escuros e um dos castanhos) e dois gatos (o branco e um dos castanhos). Por isso, se és da Figueira, Coimbra, Montemor, Soure, Paião, e wherever..., não te acanhes. ;)




Ponto da situação: o gatinho branco da Violeta já morreu. :( E a Violeta pariu QUATRO gatos!!! (acho que o branco também não se deve safar) Amanhã já vo-los mostro.

17/09/2012

Habemus cattos - parte II

Antes de mais, deixem-me verbalizar um pensamento: NÃO QUERO ANIMAIS DOMÉSTICOS! 
Pronto, mais aliviada. Ui, soube mesmo bem... Onde é que eu ia? Ah, sim, temos mais gatos. Pois que sim, que eu tenho mais gatos, pois que não são vocês e este plural é aquilo que se chama plural majestático e serve só para os fins literários. Mas estava eu dizendo que tenho mais gatos, não de Violeta, a gata, mas de Mel Maria. E é aqui que chegamos ao ponto que me leva a concluir que realmente bichos domésticos em minha casa só se forem de plástico (lembram-se do meu aquário?) ou de loiça.

Comecemos isto por algum lado, espécie in media res, e contextualizemos a dita aventura do degredo. As sô donas gatas andaram doidas com o cio meses e meses. Vai daí que na única vez que a minha mãe se esqueceu de lhes enfiar as pílulas (pírulas, para quem é da aldeia), as assanhadas correram os gatos todos da vizinhança e combinaram de encher a casa de filhotes assim ao mesmo tempo. Isto leva-me à hipótese de ter sido uma orgia e tal, mas não quero imaginar sequer que as minhas gatas se divertem mais do que eu. 

Assim sendo, ontem pelas seis e tal, sete da manhã, a casa acordou com a estridência de Vi, a gata. Emoção, choraminguice da minha mãe e a esperança de uma arregaçada de bichos, tal era a barriga. Nada disso, a menina pariu um, unzinho para amostra. Como era a primeira ninhada (uma ninhada de um...), encarámos a coisa pelo normal. O pior veio ao fim da noite quando nos apercebemos que o bichinho estava mais frio do que quente e chorava de fome... Sim, desde que tinha nascido, não tinha mamado, porque a mãe não tinha leite. 

Aqui começa o drama, ou acontecia um milagre de noite ou a criatura ia ter uma morte daquelas dolorosas. O que aconteceu? Nada. A mãe continua sem mama e o bichinho a sofrer. Decidi, por isso, que alguém tinha de fazer alguma coisa e, depois de uma tremenda choradeira (sim, que eu sofro muito com isto), fui buscar uma caixa de plástico e uns algodões. Mais valia matá-lo de vez. 

Depois de uma chatagenzinha psicológica com o meu irmão a seguir a mim (não me olhem com esses olhos que foi ele que trouxe as duas gatas) e quando eu já estava a embeber o algodão em álcool e acetona, ele resolveu ir procurar a Mel Maria, para ver se ela lhe dava mama.

Eis senão quando, caríssimos, a bichinha já tinha duas bolinhas de pelo com ela, paridas no roupeiro dos papás. Assim que ele pôs o gatito, haviam de o ter visto agarrar-se à mama. Mas, rás parta os mas, há qualquer coisa que não bate certo e eu tenho para mim que o gatito não se salva, porque aposto o que quiserem que ele é prematuro. Nota-se pelo tamanho, mesmo pela cabeça e as patas, comparando com os outros, ainda não estão tão formadas.

Fui buscar um cesto, pus camisolas de lã velhas e fofinhas, com todo o cuidado pus a Mel lá, com os gatinho, e - vá, adivinhem, teve de correr alguma coisa mal -, vi que estava um pequenino morto, encostado à parede. Das duas uma, ou foi o primeiro e ela não soube bem o que fazer (ele estava cheio de placenta) ou, parece-me mais lógica, nasceram dois muito seguidos e aquele ficou esquecido.

Pelo meio, assisti ao nascimento de dois. Um, ainda ela estava no roupeiro, outro nasceu mais de uma hora depois. Acho que não vem aí mais nenhum, até porque foram cinco gatinhos grandes. Nasceu um escuro como ela, outro cinzento tigrado, dois ruivos e um branco (o que morreu).

Quanto ao outro, lá está, não deve passar de hoje. Pelo menos não morre sozinho, já que a desnaturada da mãe já foi laurear a pevide e deixou-o sozinho. É uma tolice, eu sei, estou a humanizar uma morte de um bicho que nem ficaria cá em casa, mas custava-me vê-lo morrer naquele sofrimento gelado, no silêncio de quem já nem força tem para miar.

Agora, vou fazer umas festinhas à Mel - está tãaaao carente! -, pôr mais roupa a lavar e ver se ela já pariu mais algum.

Já vos disse que não quero animais domésticos em minha casa? Pois, parece que sim, foi por aí mesmo que comecei.

16/09/2012

Habemus cattum

E é mesmo só um. Embora em pensasse que ela ia parir uma arregaçada deles. Violeta, a gata, pariu um filhote esbranquiçado como ela. Alguém quer?

15/09/2012

Amanhã, não se esqueçam

quando forem à manifestação...


14/09/2012

O salão de baile


Começa com nada. Não é isto,
começa sempre com alguma coisa.
Começa com um pensamento.
Assim está melhor. Um pensamento,
dos pequenos, na verdade, distraído, que
se insinua discretamente. Não lhe ligo.
Começa, por isso, a deixar pequenos
sinais da sua existência: uma memória
sugerida pelo trivial, um cheiro, uma
sensação. Depois, perdida a timidez inicial,
ei-lo a alma da festa. Traz outros pensamentos,
memórias, sensações. É já uma miríade.
A cabeça toda ocupada por ele que ri e
canta e dança e é rei.
Depois chega ela. Sedutora, atrasada, para
se fazer notar com mais espanto,
os olhos todos nela - desejam-na, temem-na.
A saudade,
diva perfeita, deixando o corpo em cacos.

12/09/2012

O pedido é simples, na verdade


O que eu quero mesmo é apaixonar-me. Quero o coração a bater forte, a ansiedade das horas contadas, a certeza de te saber à minha espera. Quero trocar confidências inocentes e beijos esquecidos, escrever o meu nome em pequenos papéis que espalho pelos teus bolsos, partilhar contigo as gomas, os segredos, os chocolates e as nuvens de algodão que sempre estarão no nosso céu.  Quero caminhar contigo de mãos dadas, contar as estrelas dos teus olhos, aninhar-me na paz dos teus braços.

Não quero estar contigo num dia com hora marcada. Que chegues na pressa, programado para o que tens de fazer e me tomes de assalto e te uses de mim e finjas que sou tudo o que queres e me deixes largada, me vires as costas sem saber o que dizer. Não quero o embaraço da lucidez, os corpos nus que se escondem nas roupas despidas com postiça deferência. Não quero a conversa de circunstância, os mal-disfarçados olhares contínuos para o relógio e a urgência de estar noutro lugar. Não quero voltar para casa, contar "mais um" que foi "mais nada". Não quero sentar-me na cama e lembrar que há mais do que isto.

Quero tardes sentadas em bancos de jardins, mãos que procuram as minhas, ouvir o que os teus dedos dizem aos meus. Quero o coração a bater no compasso da paixão. Quero o que é simples, a ternura que não precisa de planos escritos em agendas, o que acontece pela soma de duas vontades. A+B=C. Quero ouvir os teus segredos sussurrados pela satisfação do teu coração aquecido, contar as riscas da tua camisa enquanto as tuas mãos adivinham os fios do meu cabelo, os nossos pés adormecidos em sereno repouso. Quero que me apertes no silêncio que fala mais alto do que as nossas palavras e é poesia - o céu e a terra, um livro aberto de emoções escritas de olhos fechados pela pontas dos dedos que escrevem letras imaginárias nas linhas das nossas costas.

11/09/2012

Natureza humana

Ando a esforçar-me para este espaço ser mais optimista, mais feliz, mais agradável à vista. Ando a esforçar-me mesmo muito. Ando a falhar redondamente. Porquê? Bem, por uma infinidade de coisas, pelos pequenos cansaços que se vão arrastando, porque se eu for comentar as últimas notícias sobre a minha profissão ainda me fecham o blogue por mensagens de ódio e má-educação, porque repreendemos as crianças por infantis e imaturas e depois, enquanto adultos, amuamos e comportamo-nos da mesma forma, por tanta coisa.

08/09/2012

Face aos últimos desenvolvimentos

Escolham a que mais vos convier.


05/09/2012

Bar do acaso [porque a vida é feita de acasos]

Escrevo, decerto, por qualquer
razão inútil que não vais nunca entender.
Surgem as frases, vês, desconhecidos
que no bar do acaso encontro e são
as tuas mãos a escrever por mim.

Minto-lhes, digo que só te amo
a ti, eles riem e pedem-me pra ficar,
que sim, que a noite ainda é uma pequena
musa no breve altar venal do coração.
Fico. Dou à boca o jeito do cigarro

e é em fumo que transformo o corredor
de imagens, metáforas, pequenos desvios de
ritmo mais pobre ou queda sempre a pique
em sentido nenhum. Às vezes, sabes, é mais
difícil descobrir que o amor, como o cigarro,
quando se acende é que começa
a iluminar o fim.


Rui Costa in "As limitações do amor são infinitas", Sombra do Amor Edições, 2009, p 26.


[continuas a fazer-nos (me) tanta falta]

04/09/2012

Apaixonar-me é que não

Há algum tempo atrás, verbalizei a minha intenção de me apaixonar. Não precisava de ser nada muito complicado ou exigente, só uma paixão que fosse bonita enquanto durasse. Assim aconteceu. Só não contava com que o veio depois.

Agora quero tudo menos apaixonar-me. Não quero que o meu tempo dependa do tempo de um homem, nem que a minha boa disposição se meça pelo retorno que ele me dá. Não quero. Quero, e preciso de manter, esta tranquilidade que espera por qualquer coisa que não sei bem o que é, mas sei estar mesmo ao virar da esquina, prestes a acontecer.

Não quero, por isso, apaixonar-me. Mesmo que, a longo prazo, eu não consiga ser a única coisa que sempre soube que iria ser: mãe. Lembro-me bem do dia em que decidi que, quando fosse grande, ia ser mãe de profissão. Não queria ser rica, nem famosa, nem bem-sucedida num trabalho, apenas mãe. Tinha 3 anos e um bebé careca com metade do meu tamanho.

Por esta altura, pensava já ter uma prole considerável. A minha mãe teve o quarto filho com a minha idade. Se ela conseguiu, então eu também conseguiria. Não consegui. As pessoas simpáticas que conheço lembram-me que estou a ficar velha. Estarei.

Ainda assim, não me quero apaixonar. Não sou a salvadora de pátria alguma. Estou cansada de pessoas mal-resolvidas, de paredes que nunca estão acabadas, da penosa tarefa de pintar a tinta que alguém descascou. Resolvam-se. Cresçam.

Eu fiz o mesmo. Agora sou só eu. Cupido, vai-te embora, a tua pontaria é uma treta. Se voltas aqui, levas chumbo no rabo, em vez de setas na aljava.

Dormir


O ar desprende-se em ritmo lento - 
a cadência da respiração subtil
a vagear pelos dedos em repouso -,
o peito sobe e desce em mansa paz,
o hálito quente acaricia a pele macia,
o corpo semi-oculto no lençol ténue, 
em descanso.

03/09/2012

O adeus diz-se devagar

Descobri num instante que valeu uma vida que o meu coração está na única casa onde não posso voltar. A primeira.



'Cause they say home is where your heart is set in stone  
where you go when you’re alone 
Is where you go to rest your bones  
It’s not just where you lay your head  
It's not just where you make your bed


Descoberta no incrível blogue http://mundocadentro.blogspot.pt/