31/05/2012

Aos meus leitores*

A todos vocês que me seguem despudoradamente, deixando o vosso ícone na secção dos Seguidores (mais não seja para que eu também vos siga);

a todos os que seguem por email (que eu sei que os há);

a todos os que seguem em anónimo (façamos de conta que existem);

a todos os que pesquisam o nome do blogue em motores de busca (tantos ou então são sempre os mesmos);

a todos os que me leem no Google Reader (está reposta a verdade ;);

a todos os que vêm desesperadamente à procura das imagens da Ruth Marlene;

a todos os que andam à procura de nada e esbarram no espaço;


a todos eu deixo um incentivo: comentem, digam coisas, não tenham vergonha, não sejam tímidos. Não entrem mudos e saiam calados. Opinem como se não houvesse amanhã (vernáculo, não, porque eu não gosto), manifestem-se.

Eu sei que isto às vezes mais parece uma folha de uma revista de literatura de3ª categoria, mas não se deixem impressionar com isso. Aquilo é tudo copiado do dicionário.




* notável como eu me dou ares de importante, ao ponto de considerar que tenho leitores. A presunção parece que é como a água benta.

30/05/2012

A censura anda por aí





E tem uma Galeria própria, para quem quiser saber mais.

29/05/2012

Há dias em que tudo o que preciso é de barulho, para me esquecer que o silêncio que me deixaste ainda me ensurdece os sentidos.


INCREDIBOX ou a desculpa perfeita para não fazer nada

Mais uma maravilha descoberta no Facebook.
Vá, ide-vos lá, clicai na ligação e brincai como crianças puras e felizes que sois.

INCREDIBOX

27/05/2012

A rapariga simples quis ser snob

- Então a rapariga simples quer ser snob.
Queria. Da família tinha herdado um traço de altivez que confundia quem a olhava sem a ver. Diziam-lhe que era gelo e, por isso, não lhe tocavam.
- Digo-te que gostas de mim.
Gostava. Não tinha como não gostar de quem era capaz de pronunciar tão incisiva afirmação sem admitir que não fosse verdade. Desconversou, a rendição tinha de ser negociada, nada se quer demasiado fácil. Se é para perder que seja por mil e o tempo cresça e a negação se estenda.
- Tu gostas de homens arrogantes. Como eu.
Gostava ainda mais. Sempre lhe agradaram certas sobrancerias masculinas, quem sabe quem é e o que quer.
Atirou a toalha ao chão. Tinha perdido. 
E ia perder muito mais.

Ruth Marlene revisitada

Há qualquer coisa de errado com os homens e hoje pude confirmá-lo.
Então não é que estão 21 pessoas em linha, de várias partes do país, a pesquisar exatamente a mesma coisa? Não sei se não serão mais, em cerca de 10 minutos foram 90 visualizações à mesma página (desisti de contar, já deve ter aumentado), tudo à procura da Ruth Marlene na Playboy.
Há ou não há qualquer coisa de errado?

25/05/2012

Since you've been gone, all I can do is cry

Perguntam-me porquê.
Respondo que nem eu sei.

24/05/2012

23/05/2012

Tudo verdade

"She's too fucked up. She doesn't want a boyfriend. She's too damaged. Magnum P.I. couldn't solve the shit going on in her head." 


in Friends with benefits (2011)

22/05/2012

O que torna os livros especiais

Um livro não é especial só pelo seu conteúdo, um livro é especial pelas mãos de quem nos chega e no momento em que nos chega.






[ela e ele sabem] 

21/05/2012

A dona da casa azul

Na casa azul do fundo da rua mora uma pessoa estranha. A minha mãe diz que ela é estranha porque não fala com ninguém, eu acho que ela é estranha porque os olhos dela não têm água, são secos como aqueles países em África que no outro dia vi na televisão. Às vezes, ando de bicicleta lá no fundo da rua, para ter uma desculpa para a ver, a minha mãe diz que não é bonito espiar as pessoas, mas ela também diz que não se fala com a boca cheia e às vezes também o faz, por isso eu acho que não faz mal nenhum.

[mais um que anda ali a vaguear num texto .doc] 


19/05/2012

Dúvidas que me assaltam

Senhor Ministro da Economia, do seu ponto de vista, é correto eu dizer que não gosto de 'coiso'?

18/05/2012

Permanente estado líquido


Corri o dedo pelas lombadas dos livros
dispostos na ordem do acaso, separados em grupos
pela estreiteza das prateleiras,
à procura nem eu sei bem de quê.
O meu dedo parou na grossura do livro
verde que me deste, um diospiro amadurecido
pela luz dos olhos que o leram.
No canto superior direito da segunda página,
o teu nome rabiscado a lápis,
desenhando a tua imagem perfeita que ecoa
ainda a modulação da tua voz.

Abracei-te no livro,
correram livremente imagens soltas,
em estado líquido,
e palavras e pedidos
e promessas.

17/05/2012

Luz Indecisa, José Mário Silva

Ontem peguei num livro ao acaso, sacado à estante (nem sei muito bem como lá foi parar) e li-o de um trago. Cada poema de Luz Indecisa fazia-me querer ler mais. Às vezes voltava atrás, lia de novo, avançava, voltava atrás. Peguei num lápis e marquei os versos e os poemas que mais acarinhei. O autor dos mesmos é José Mário Silva. Não sabia quem era, julgava eu que não sabia, mas já tinha deambulado pelo seu blogue muitas vezes, uma das quais para ler um texto que me foi muito caro, embora eu preferisse que ele nunca tivesse sido escrito. Agora já sei quem é e vou deixar-vos a saborear a sua poesia.


espelho retrovisor
Quando olho para
trás, nem sempre
sei que tempo se
esconde nestes
versos.


lagos, 1993 (excerto)
Tão efémera, a felicidade.


atropelamento e fuga
Quando atravessas
a avenida, a realidade
colhe-te. Ficas caído
no asfalto, em pânico,
zonza figura, sem saber
aos certo quantos ossos
do teu corpo se podem
considerar intactos.


o.f. (1967-2007)
Do que não precisamos agora é de brilhos fúteis,
truques verbais, exercícios de lirismo magoado.
As palavras são só palavras, nem coisas maiores
nem mais altas, apenas pedras que lançamos
ao poço para ouvir como se agitam as águas.
Lá fora o vento e os telhados agrestes, o céu
da cidade ostensivamente idêntico ao dos
dias felizes. Empilhamos, melancólicos,
livros que foram mais transparentes.
Conferimos as margens, a mancha gráfica,
os indícios de uma perfeição talvez inútil.

Mesmo olhada de frente, a ausência
continua a ser cruel, o silêncio uma
ignomínia. Descemos à rua, bebemos
café, fingimos seguir em frente. As
palavras são pedras que afinal ficaram
nos bolsos, guardadas para um inimigo
que se ri e só destapa o rosto medonho
quando está fora do nosso alcance.

(porque este poema poderia ter outro título, com outro nome e outra data, o mesmo sentir)

Já olhaste para os teus seios hoje?











Fundação Cristiano Varella

16/05/2012

Arte no feminino - Helena Almeida

biografia
http://www.artnet.com/artists/helena-almeida/


No início era a pintura – enquanto apresentação fiel da realidade, retrato, postal turístico –, depois veio a fotografia e vaticinou-se o seu fim.

Ao contrário das vozes apocalípticas, a pintura não cedeu completamente o seu lugar à fotografia, passou-lhe a tarefa de registar o real e permitiu-se explorar novas composições formais e cromáticas, novas perspectivas, pensar-se enquanto expressão artística, numa metapintura. Os movimentos plásticos do início do século XX só são possíveis pelo corte desta “obrigação”, o realismo ficara para trás, a viragem do século foi também a viragem para novas abordagens.

No entanto, assumir que a fotografia fez repensar a pintura sem que se desse o fenómeno inverso é redutor. Barthes afirma que “a Fotografia foi e é ainda atormentada pelo fantasma da Pintura” (Barthes, 2006:34); do grego φως [fós] ("luz"), e γραφις [grafis] ("estilo", "pincel") ou γραφη [grafê], Fotografia significa "desenhar com luz e contraste", os quais substituem a tela, o pincel e a paleta de cores da pintura.

As máquinas digitais e os novos programas informáticos de manipulação de imagens permitem-nos hoje recriar, reconstruir uma fotografia, pintando-a com outros fundos, retocando cores e pormenores, corrigindo defeitos, revelando uma fotografia plástica e pouco pura, no sentido de muitas vezes estar longe da fotografia realizada no momento do disparo da câmara.

Este diálogo entre pintura-fotografia, tantas vezes íntimo, outras tantas distante, está presente nos trabalhos de Helena Almeida, artista portuguesa contemporânea que se destaca pela abordagem que faz à pintura e à fotografia.

Originalmente pintora, envereda pela fotografia pela necessidade que sente em ser o centro do seu trabalho, “combater a distância que na pintura existe entre ser e representação, a tirania do corpo ausente do pintor que passa a vida a representar outros corpos, ou então, que cai noutra prisão: a do auto-retrato” (Carlos, 2005:8). 

(excerto de um trabalho meu, só porque dava muito trabalho voltar a escrever tudo)



15/05/2012

Deixem os vivos enterrar os seus mortos


The love that cannot be - Dead Can Dance

Desde o dia em que nascemos que lidamos com perdas, com a finidade das coisas.
Desde o dia em que nascemos que deveríamos estar preparados para a morte.
Mas não estamos.
Nunca estamos.
E o correr dos nossos dias vai somando mortos à nossa vida.
Uns morreram.
Outros estão vivos, mas mortos para nós.
A uns diremos Thalita Kum.
A outros poremos uma pedra em cima.
Quer uns quer outros vão levando pedaços da nossa vida com eles, vão-nos deixando menos vivos e mais mortos, até estarmos mortos de vez.

Hoje enterrei o meu morto.
Pus mais uma pá de terra.
Pus-lhe uma pedra em cima.
Nunca mais lá voltarei.
O meu morto não terá flores.
O meu morto não terá visitas.
O meu morto terá apenas o meu dolorido luto.

Hoje comecei a prantear o meu morto.
Muitos dias virão para o prantear.
Até ao dia em que não haja mais nada para lamentar ou sentir falta.
Até ao dia em que outros vivos vão entrar na minha vida, mesmo que se tornem, também eles, os meus mortos.

Desde o dia em que nascemos que lidamos com perdas, com a finidade das coisas.
Desde o dia em que nascemos que deveríamos estar preparados para a morte.
Mas não estamos.
Nunca estamos.







[este texto foi escrito pela primeira vez a 23 setembro 2008, publicado neste espaço a 13 de maio de 2009, mas nunca me fez tanto sentido como agora, porque nunca esta morte tinha sido física. contra todas as expectativas, hoje foi dia de prantear.]

14/05/2012

Não me fales da morte

Não me fales da morte. Não quero que me fales da morte, que digas que fulano morreu, sicrano já não está entre nós, beltrano acabou de partir. Não te consinto que me informes da necrologia. Deixa-me viver com a ilusão de sermos todos eternos, deixa-me continuar a acreditar que o fulano e o sicrano e o beltrano ainda respiram e riem e choram e vivem.
Não quero que me fales dos mortos. Eles não estão mortos, eles estão vivos. Se pudesses olhar-me o coração saberias que assim é. Se pudesses sondar-me o pensamento, não duvidarias. Os meus mortos estão vivos, todos eles, nem um esquecido. Estão-me nas mãos, eu não os deixo ir. Estão-me no sangue, respiram comigo.
Não me fales da morte. Não quero que me fales da morte. Não to consinto.

12/05/2012

Jogo do esconde


Jogo ao esconde com a memória,
escondo aqui, escondo ali,
passo um pano, limpo-te daqui.

Mas ela, triunfante, encontra-te sempre.
abre os armários, revira as gavetas,
espalha pelo espaço as coisas obsoletas.

Em todos os lugares, pedaços teus,
marcas do passado, bandeira hasteada,
escarninho gozo da vida abandonada.

11/05/2012

Com o girar do relógio

a cabeça conforma-se e ocupa-se de afazeres,
os olhos às vezes ainda lacrimejam nos espaços.
o coração esse já não se altera,
bate no ritmo constante da saudade que não acaba nunca.



10/05/2012

Mas ainda tenho em mente uns cacos de ti

Foram um boa descoberta, pelo menos uma consciente, ontem na Queima em Coimbra. O concerto foi fenomenal e trouxe comigo um CD desta banda de São João da Madeira (pelos vistos, não é normal que os de Santa Maria da Feira gostem dos vizinhos, mas eu só fui lá ver a bola mesmo :).
As letras são muito interessantes e a música suficientemente complexa, para eu gostar. Lá pelo meio, mais uma música para a banda sonora oficial da minha vida.





Etanol - Prana
Há quem beba e não saiba o que faz.
Há quem olhe em frente e não olhe pra trás,
mas ainda tenho em mente uns cacos de ti


De uma garrafa bebo o que ela não tem
e vejo no fundo o difuso alguém
E lembro tudo aquilo...
Tanto que eu perdi.


Tento matar a sede que não quer morrer,
Mais um copo e outro, e então pode ser
que adormeça e pareça que sim.


Bebo, a tudo o que a vida tirou
e a tudo o que hoje eu não sou
e o que eu dava pra te ter.


Bebo, porque ao beber não sinto a dor,
brindando ao diabo e ao amor
e à hora que falta para amanhecer.



09/05/2012

Arte no feminino - Liliana Lourenço

Não vos sei explicar muito bem o impacto que o trabalho desta ilustradora tem em mim, mas de há uns meses para cá que ando fascinada com ele.
Não sei se é das figuras que parecem fotografias, se é por me identificar com as rosetas vermelhas que são a sua imagem de marca, se da delicadeza e inocência com que ilustra, se da poesia que acompanha cada trabalho.
Enquanto descubro e não descubro, vou-me deleitando no Vai mas volta... e onde a puder encontrar.


E é assim que todos os dias esqueço, o que todos os dias não mereço. 
(Tu falas.. e a olhar para ti eu adormeço). **

08/05/2012

A minha casa

Não sei o que vim fazer a casa. Não sei o que vim fazer aqui. Vim levada por um qualquer impulso de encontrar o que me falta e o que me falta és tu. Não posso não rir com este pensamento que é em si mesmo tão certo como esta necessidade de voltar geograficamente a este lugar e rio porque tentar encontrar-te na minha casa é como querer neve em pleno agosto.
Ainda assim, percorri os quilómetros que se intrometeram entre o lugar para onde fugi – de ti, do passado, de mim –, e o espaço físico que delimita a minha casa, a casa que moldei com as minhas mãos e onde desejei albergar-te. 



[ continua num ficheiro .doc, numa pasta do meu PC ]

07/05/2012

Do meu traje, a única coisa que ainda me serve é a capa


Faz este mês 10 anos que o vesti pela última vez.
É, meus caros, estamos velhos.





04/05/2012

A morte de alguém nunca nos compensa da falta que nos fará

valter hugo mãe, "Autobiografia Imaginária", in JL 1079

02/05/2012

A melhor juventude ou filmes que nunca deveria ter visto

Há muito poucas coisas na vida que podemos controlar. Arriscaria a ousadia de dizer nenhuma, porque, em abono da verdade, mesmo os planos feitos ao milímetro são ajustados a todo o passo. Claro, há decisões que tomamos que excluem opções, a 'perda' está sempre implícita na escolha. Eu podia ter decidido não ver o filme. Podia. Mas não decidi e vi-o. Podia ter decidido parar de o ver num qualquer ponto. Podia. Mas não o fiz. Por isso, volto a uma das minhas citações preferidas, "a Vida imita a Arte muito mais do que a Arte imita a Vida" (Oscar Wilde), porque, meus caros, ali, naquele filme, eu vi um pedaço da minha vida contado em italiano.


La meglio giuventù, 2003