18/12/2012

Aspirações sem razão

Eu queria apenas partilhar contigo a domesticidade sossegada de nós dois. Queria - vê lá tu - sentar-me ao teu lado, numa varanda sobre o mar, e escrever um romance que tu pudesses admirar. [...] Porque a História que nos aproximou, espremidinha até ao tutano, não dá senão para romances maus. Telenovelas de chular neurónios apagados.
Inês Pedrosa, Fazes-me Falta 


Blindness - The Gift

12 comentários:

  1. Parece-me algo que poderia ler! E gostar.
    Olá minha querida :P

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    1. Se estiveres com ânimo para ler uma conversa entre um vivo e um morto, aconselho. Ando há um mês a tentar desbravá-lo, hoje, de enfiada, li metade. Deve ser da empatia.

      Olá, minha querida. :)

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  2. Adorei mesmo este excerto e fiquei com curiosidade de ler o livro :)
    Beijinhos*

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    1. O livro é emocionalmente muito violento. Para mim é.
      Fica com outro:
      "Era às vezes muito difícil gostar de ti. Tu fazias de propósito, gostavas que fosse cada vez mais difícil gostar de ti. Continua a ser, ou não estaria ainda no teu caminho."

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  3. "Afogo-me nos livros que me deixaste, nos muitos livros que amei por causa de ti. Livros radiantes onde outros tinham escrito os teus sonhos e pesadelos, as tuas inquietações.[...] Quero dizer-te só isto: se por uma vez pude melhorar a orquestração da tua melodia, quem tem de te ficar grato sou eu."

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    1. "Tu esfumaste-te, já não posso ficcionar-te. És como uma nuvem que me embrulha - não vejo nada para além de ti, nem para dentro de ti. E o que vejo para dentro de mim, não sei que faça disso - matéria descoroçoada, matéria de tristeza e remorso."

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  4. "Talvez pudesse partir desta névoa para um ensaio sobre a fragilidade da vida e a cegueira das ambições - mas isso não seríamos nós."

    "Pensámos escrever textos a meias. Ficámo-nos pelos preliminares: roubávamos textos um ao outro. Mas pouco escrevemos um ao outro. Não precisávamos desse artifício de sedução explicativa. Não é agora que vamos precisar."

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    1. "Não posso fazer nada para alterar o espectáculo do sofrimento, o buraco que ficou no lugar do teu riso. Sabes que começo a esquecer o som do teu riso?"

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  5. "Invento-te pura criação minha, a mais real das amigas imaginárias. Sacudo-te do tempo, faço-te minha amiga antes e depois da cronologia que te marcaram."

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    1. "Sei tão pouco de ti. A nossa amizade era toda feita de presente, de comentários sobre o hoje que se movia à nossa volta."

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  6. "O meu amor por ti atinge agora o auge. Já não possuo nada a que me agarrar. Nem o teu corpo, nem a minha razão, nem a vida, lá fora.[...] Fazes-me falta. Não te consigo inventar."

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    1. "Se ao menos eu tivesse escrito cada um dos nossos dias, anotado a sequência das nossas conversas, agarrado o Tempo que nos foi roubado. Uma narrativa, uma ilusão de ordem que estancasse a fluidez insignificante da vida."

      "Fazes-ma falta, merda - já te disse?"

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