29/12/2012

Ainda que tu estejas aí e eu esteja aqui



Ainda que tu estejas aí
e eu esteja aqui estaremos
sempre no mesmo sítio se
Fecharmos os olhos serás sempre tu
e tu que me ensinarás a nadar
seremos sempre nós sob
o sol morno de julho e o véu ténue
do nosso silêncio será sempre o
teu e o teu e o meu sorriso a cair
e a gritar de alegria ao mergulhar
na água ao procurar um abraço que
não precisa de ser dado serão
sempre os teus e os teus e os meus
cabelos molhados na respiração
suave das parreiras sempre as tuas
e as tuas e as minhas mãos que não
precisam de se dar para se sentir
ainda que tu estejas aí e tu estejas aí e
eu esteja aqui estaremos sempre
juntos nesta tarde de sol de Julho
a nadarmos sob o planar sereno dos
pombos no tanque pouco fundo da
nossa horta sempre no tanque fresco
da horta que construíram para nós
para que na vida pudéssemos ser
mana e mana e mano sempre.

em A criança em ruínas, José Luís Peixoto

3 comentários:

  1. Gostei do poema. Embora o vídeo não me atraísse tanto é uma abordagem interessante.

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  2. Os irmãos serão sempre, estranhamente, parte indissociável de nós.

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