19/12/2012

Correspondência Íntima - VIII

Eu já nem sei o que sou. Sei que estou cansada, que há dias em que me apetecia fechar os olhos e não os voltar a abrir. Pelo menos uma vez na vida as coisas podiam correr bem, sei lá eu. Às tantas estou a ser egoísta, porque haverá gente em situação bem pior, porque as coisas estão como estão e só um grande milagre as fará mudar, porque eu deveria saber melhor. Não sei... Acho que o ano de 2012 vai ficar marcado pelo não sei, desde janeiro que é tudo o que digo. Eu realmente não sei nada.

16 comentários:

  1. E que tal seres simplesmente tu? Mas o que significa seres tu? É seres o que outros acham que és? Será seres o que realmente és? Ou seres aquilo que queres ser?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Tantas perguntas, para uma resposta tão simples.
      Eu sou isto e sou tudo o que lês neste blogue e mais um bocadinho que não trago para aqui. Tenho sido sempre eu, dentro daquilo que eu achei ser o correto. Houve uns tempos que me perdi, exatamente por ter tentado ser o que não era, mas voltei à minha base e agora parto daqui para o que tiver de ser.

      Ser eu é admitir muitas vezes que não tenho as respostas todas e que há perguntas que vão ficar ali penduradas ad aeternum.

      Para te contextualizar estas entradas, estes excertos existem mesmo, foram mesmo escritos a alguém, só posteriormente reaproveitados (com a devida autorização) em jeito de rubrica. Falta-lhes o contexto, no caso as palavras carinhosas, há muitos meses atrás, de um amigo que me lembrava que apesar dos tempos pantanosos, eu ia encontrar-me, porque eu não era de andar à deriva. E mais coisas, que não interessam para agora.

      Eliminar
    2. Eu só agora estou a descobrir o universo que és tu(a parte que vais partilhando por aqui), o teu pensar e o teu blogue.
      Confesso que há algum tempo que não me surpreendia assim.

      Por exemplo, fizeste-me voltar a pegar num livro profundo e intenso que não lia faz uns tempos, mas que reconheci mal li o teu post de ontem, mesmo sem ter olhado para a legenda.

      Há uma altura em que um 'reset' é quase obrigatório.
      Estás bem agora?

      Eliminar
    3. Espero que essa do 'universo' não seja uma piada à minha robustez (!) física... (eu sei que não).

      Sabes, trouxe aquele livro da biblioteca municipal por engano. O que eu queria mesmo era ter trazido o 'Fica comigo esta noite', para acabar de ler, mas baralhei as cores das capas. Sim, meu caro, coisa de homem, frequente em mim. Andei um mês para lhe pegar, não era assunto que quisesse relembrar. Esta semana foi de impulso, também eu precisava de conversar com o meu morto, a diferença é que ele não me responde.

      Peguei na nossa pequena troca de citações e incluías numa entrada sobre o livro, num blogue dedicado às leituras que vou fazendo. No fundo, dizem tudo aquilo que precisava de dizer por mim mesma.

      Há, sim. O meu voltará a acontecer dentro de dias, até lá, esperam-me muitas emoções para arrumar e muita saudade para gastar.

      Ficarei. :)

      Eliminar
    4. Escrevi 'incluías' assim tudo junto!!!!! 'Incluí-as', assim está correto. Shame on me. :(

      Eliminar
    5. O que é a vida sem emoções? Mesmo as mais agrestes fazem-nos evoluir.
      Arruma e gasta para depois teres um 'clean restart'.

      Pelo que vejo, bem que mereces!!!!! ;)

      Nota: Chiiuuuu...ninguém deu pelo teu atropelo ao português...

      Eliminar
    6. Oh, não acredites em tudo o que o POC escreve, o que o salva é ser do glorioso!! :)))

      Acho que tanto quis que a minha vida desse um filme, que me vi presa numa ópera cheia de tragédia e gente a cantar a plenos pulmões e... ok, uma novelita da tvi? Deve ser (o que eu queria mesmo é que fosse um romance do Harlequim! :D).

      E, pronto, quando me dá para o fatalismo e o humor negro, é sinal que já começo a arrebitar.

      Nota: Nem vou mais tocar no assunto. ;)

      Eliminar
  2. A vida tem de sorrir para uma menina tão especial e querida como tu.
    E nestas alturas, é sempre bom lembrar o quão mãe já foste dos teus irmãos. E continuas a ser. E hás-de ser ainda, doutro "mais real".

    E cala-te. Tens bom gosto e estás a fazer uma casa toda catita.

    :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Deixaste-me a tremer o queixo e a fungar. Ah, se não estivesses tão longe, levavas umas valentes beijocas nas tuas bochechas mai' fofas. :D

      Obrigada, meu querido. :)

      Eliminar
  3. Força, miúda! Tu és única e certamente vais encontrar o teu caminho, ainda que te percas nas encruzilhadas! :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, Malena, pelas tuas palavras. Lá chegarei, a primavera não esperará para sempre. :)

      Eliminar
  4. Compreendo-te. Há momentos em que a vida nos parece de pernas para o ar. A diferença é que uns lutam com redobrado entusiasmo pelo que querem e acreditam, outros desistem. Tu és das primeiras.

    Abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ah que bom ter uma cara para associar ao nome! :) E o tratamento por tu também fica muito bem, não há meio de me habituar a que me tratem como uma senhora. ;)

      Este ano tem estado a ser particularmente complicado no que às pernas para o ar diz respeito, já comecei a tocar o chão, mas estes dias reservei-os para acabar como comecei, em estranheza e muita saudade. Daqui a quinze dias não haverá muito mais que lamentar (sou tão mentirosa, haverá sempre).

      Sou? Hoje, por exemplo, desejei ser avestruz. Depois aconteceu uma coisa e já me sinto novamente águia, um pardalito, vá. :)

      A minha sorte é ir descobrindo pessoais reais a moverem-se no virtual, assim cheias de humanidade e prontas a incentivar. Ajuda muito.

      Eliminar
  5. Custa muito quando durante um longo periodo de tempo as coisas são dificeis, requer antes de mais muita energia, questiona-se tudo, duvida-se de tudo . Mas no final umas das conclusoes a que se chega; é que há uma sensação boa na duvida. Quando observo os que tudo sabem, penso, para que vivem eles?
    Se viver na duvida é dificl, viver com certezas é ainda pior.

    "Quando olho à volta e vejo tanta gente entrincheirada em posições tão definitivas, interrogo-me se ainda é permitido não saber. Nós vivemos num mundo em que dizer "não sei" é como sair à rua em pelota. Inventamos respostas para perguntas que não conhecemos e fingimo-nos convictos do que mal compreendemos."
    (José Carlos Fernandes, DN)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O resultado é muito cansaço, às vezes facilmente confundível com pessimismo. Eu que nunca fui pessimista, que acredito que o melhor ainda está para vir, vi-me a braços com acusações deste tipo. A questão boa é que se vai arrumando a cabeça, o pensamento torna-se mais simples e mais preparado para a mudança.

      Essa citação fez-me lembrar Calvino e o seu "Porquê ler os clássicos", quando ele mencionava que os clássicos eram os livros que toda a gente esteva a reler, parecia mal dizer que se estava a ler, porque parece mal assumir a ignorância.

      Por uma questão de integridade, sou a primeira a assumir que a minha ignorância é um poço sem fundo. :)

      Eliminar
  6. não és a única que nada sabe

    ResponderEliminar