21/10/2012

Nenhuma morte apagará os beijos


Nenhuma morte apagará os beijos
e por dentro das casas onde nos amámos ou pelas ruas clandestinas da grande cidade livre
estarão para sempre vivos os sinais de um grande amor,
esses densos sinais do amor e da morte
com que se vive a vida. 

Aí estarão de novo as nossas mãos. 
E nenhuma dor será possível onde nos beijámos. 
Eternamente apaixonados, meu amor. Eternamente livres. 
Prolongaremos em todos os dedos os nossos gestos e, 
profundamente, no peito dos amantes, a nossa alma líquida e atormentada 
desvendará em cada minuto o seu segredo 
para que este amor se prolongue e noutras bocas 
ardam violentos de paixão os nossos beijos 
e os corpos se abracem mais e se confundam 
mutuamente violando-se, violentando a noite 
para que outro dia, afinal, seja possível.  

Joaquim Pessoa, in Os Olhos de Isa




[este blogue ainda está de castigo. vim só partilhar um poema que podia muito bem ser meu]


26 comentários:

  1. Respostas
    1. Conheço mal Ruy Belo, mas estou a tratar de remediar a falta. :)

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    2. A minha contribuição
      http://www.astormentas.com/PT/selecao/Ruy%20Belo

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    3. Não há como não gostar.

      Obrigada pela tua generosidade constante. :)

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    4. É a minha seleção pessoal. Tentar que os outros gostem do que gostamos, não é generosidade.

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    5. Pois, mas porque é que gostamos/precisamos disso?
      Mas fiquemos por aqui, que não me quero alongar sobre o assunto.

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    6. Porque partilhar coisas boas com as pessoas é bom. Pelo menos com as pessoas de quem gostamos. Se elas gostam ou não, isso é com elas. Não tem de ser impositivo, só partilhado.

      Se assim não fosse, eu teria perdido algumas das melhores coisas que descobri.

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  2. E ainda bem que partilhaste. Gostei muito. Beijo

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    1. Foi descoberto meio por acaso, embora já conhecesse um pouco do autor.
      Quem me dera tê-lo escrito.

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  3. Respostas
    1. Um bocadinho tristonho (para ficarmos por aqui :P), mas ainda bem que gostaste. :)

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  4. Não acredito que ele te tenha feito mal, deixa-o lá ir...
    A gente agradece :)

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    1. Fez. Relativamente. "O bem que me fazes é o mal que me fazes, as contas feitas. O amor morto é uma estranha visita.".

      Estou a deixar, devagarinho, todos os dias mais longe, ainda que sempre perto.

      É o processo de gastar. Está quase. :)

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    2. Não tinha percebido, desculpa. Deixa, então.
      Fazes bem.

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    3. Ohhhh, por que pedes desculpa? Ai, não faças isso. Não peças desculpa pelo que escreves, já te disse isso.

      Esta entrada foi mais envolta em carinho do que em dor. Há uma subtileza no sentir que faz toda a diferença. É bom quando lembrar as pessoas que nos faltam nos faz sorrir ou, pelo menos, não nos faz entrar numa espiral de sofrimento assustadora. :)

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    4. Não sei, a sério que não sei. Ás vezes não consigo ou não quero compreender.
      Talvez mais logo.

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    5. Que foi que fiz, para dar nessa resposta? Na queria!

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  5. Ahhhhhhhhhhh, Luís, sou tão loira!!!!!!!!!!
    É o que dá ler condicionada pelo que se está a pensar.

    Pois, coitadinho do blogue, já saiu do castigo. ;)

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    1. É inevitável o condicionamento.

      Mas, o primeiro passo para qualquer solução é termos consciência disso.
      E teres é muito, muito bom.

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    2. Não há quem saiba melhor as minhas fraquezas e defeitos do que eu mesma.

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    3. Pouco gente se pode realmente gabar disso. A maioria acha que sabe, mas não sabe.
      Só conseguem saber, aqueles defeitos que podem tolerar.

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    4. Já reparaste, que ando a acertar quase sempre nO sitio? :)

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    5. Pois eu sei-os. Só no momento consigo decidir se prefiro que não os descubram, se o melhor é falar logo deles.


      Tu és uma riqueza. Com tanta pontaria seguida, não tarda, sai-te o Euromilhões. ;)

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