31/10/2012

Correspondência Íntima - VI


O tédio instalou-se na minha vida. Não tenho nada de relevante para partilhar em lado nenhum. São demasiadas as redes em que me perco, tanto por onde me expressar e tão pouco para dizer. É um bocadinho diferente do que vejo a maioria fazer. Parece que toda a gente anda embrenhada em projetos aliciantes, como se as suas vidas não pudessem ser outra coisa que não alegria e emoção. É o curso natural: quando a nossa vida é minimamente agitada, gostamos de nos gabar disso e espetar no nariz de toda a gente que fazemos e acontecemos. Tendemos a estar calados quando não há por onde gabarolar. Assim estou eu.

17 comentários:

  1. Só assim podes apreciar o que de bom tem estar ocupado e estar menos agitado. Sorte a tua ;)

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    1. A minha experiência é vasta em ambos dos casos, até porque quando me ocupo é em mil coisas ao mesmo tempo. Não sei ir fazendo coisas, ou tudo ou nada.

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  2. Desculpa não concordar contigo, acabas de partilhar algo de muito relevante, o resto são bazófias...
    Força!

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  3. Eu acho que a maioria da pessoas tem uma vida "normal". No facebook e outros é que a vida se torna mais agitada :P

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  4. É pá, ainda no outro dia te bati palmas e hoje apetece-me dar-te porrada. Olha, eu sei que sou nova e que há coisas de que nem me devo queixar, por isso o meu blog também é o lugar para me puxar para cima. Há algumas coisas, até jeitosinhas, a acontecer na minha vida, mas também há tanto em falta. Como sabes, não estou acasalada (e tenho tanto talento para isso!), tenho trabalho durante os próximos 8 meses e depois disso não faço a mínima ideia e passo por aqueles momentos em que me apetece ir ao cinema, mas depois olho para a lista de contactos e não me apetece convocar ninguém, por muito que existam pessoas boas e bonitas na minha vida and so on. Pronto, acho que chega de exemplos para te mostrar que se quiser "entediar", consigo-o em três tempos, mas mais vale fazer geminar o entusiasmo, nem que seja a começar com uma afirmação como: estava a chover comó caraças, mas agora vejo um azulinho no céu e nem que seja um bocadinho de sol, espevita-me!

    Pronto, sermão acabado, compreendo. Há dias em que parece que todos os caminhos que trilhamos não nos levam a lado nenhum, não é? Mas acredita, temos tudo para chegar. Beijinho grande.

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    1. Oh mulher, tem lá calma! lol
      Tens de relativizar o que escrevo, nem sempre o que aqui ponho tem ligação direta ao meu estado de espírito (quando são de rir, têm, os outros nem tanto). Isto foi uma coisa que escrevi há algum tempo a uma pessoa amiga (daí que seja Correspondência Íntima) e que decidi partilhar, com a devida autorização. Já estava nos rascunhos há muito tempo e, como não tinha mais nada para postar, desenvolvi umas ideias et voilá.

      Outro exemplo, o que vou postar segunda já está escrito, apenas está reservado para aquele dia.

      Depois, também aproveito cada texto para exercitar a escrita e todos sabemos que quem escreve gosta de dramatismos (não que eu me considere escritor, nem lá perto, mas percebeste a ideia).

      Entendo o que me escreveste, eu também tenho tanto jeito para viver acasalada e está difícil vender o meu produto (com tudo de mau que isto possa ter implícito), há dias maus, mas também há os bons e os muito bons. :)

      A questão é que este blogue não é para mostrar o meu estado de espírito ao minuto, é para expressar coisas que às vezes penso e depois passa. Como tudo.

      Estou redimida? :o)

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  5. Tu escreves a pessoas amigas? Tu és claramente de outro nível!

    Pronto, agora está bem contextualizado agora este voilá! E apreciei bastante que me aches uma pessoa capaz de perceber ideias ;) Eu chamo-lhe, mais que drama, colorir as coisas. A boa escrita não nos empolgava tanto se não nos revelasse coisas que estão lá - que nós sabemos perfeitamente que estão lá - mas que até então ainda ninguém exacerbou como deve ser! Passavam indiferentes e vulgarizadas aos nossos olhos.

    Vou considerar a tua redenção!

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    1. Escrevo. Melhor, envio emails de páginas e páginas a divagar sobre tudo: a vida, as perdas, os projetos, enfim, é quase terapia de pares, assim tipo consulta no psicólogo. Destas conversas longas, têm saído muitas ideias para escrever coisas, porque eu escrevo melhor quando estou a interagir, como estes parágrafos soltos que aqui vou pondo.

      Claro que percebes ideias :), só que apanhaste um certo assunto na sua curva descendente e, porque é tema de muitas entradas, o que passa a quem me lê é que vivo um dramalhão constante (já passei essa fase, agora estou a vir ao de cima outra vez). Só começou a ser assim este ano, até ao fim do ano passado, este blogue vivia de citações e eu escondia-me atrás de poetas e cantores para dizer o que não tinha coragem. Mas este ano...

      Acho bem que sim, até porque está a chegar a quadra natalícia e é preciso praticar boas ações. ;)

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  6. Há muita gente que inventa ter uma vida agitada porque tem inveja do tédio dos outros.Espreme-se a coisa e não sai nada de jeito;)

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    1. Nunca tinha visto as coisas por esse lado. É um bom ponto de vista. :)

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    2. Vou um pouco nesta linha, mas não por inteiro.

      Acima de tudo não te iludas e não corras porque vês toda a gente a correr.

      Muitos só correm porque também viram os outros correr. Outros porque têm medo de parar. Quando se para olha-se para as coisas e pensa-se. É assustador. Pode-se reparar que a corrida só serve para correr. E que a competição para se mostrar relevante aos olhos dos outros não é relevante.

      A febre de ganhar aos outros só tem interesse para quem dá valor a ganhar aos outros.

      Para quem olhe para isso com um misto de desinteresse e náusea, não vale nada.

      O valor está em algo mais. Quem não o consegue encontrar corre e foge.

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    3. Escolheste muito mal o exemplo. Eu não corro por ver os outros correr, simplesmente porque não corro. :D

      O valor está em saber lidar com os picos e cavados, sem se deixar corromper, quer por uns, quer por outros.

      Ou então é outra coisa.

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    4. Não disse que corrias, disse para não correres.

      Como dizem os trabalhadores do comércio, tá quétinho ou levas no focinho :D

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    5. O valor não está por defeito na inercia, embora possa estar. A impulsividade também pode ser má conselheira.

      Bem, uma coisa é certa, para tudo tem de haver um equilíbrio. A menos que se goste de levar no focinho. :D

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