18/06/2012

O examinando


A sala no grau aumentativo do bater do coração,
alinhada e correta, tudo a postos: caneta, lápis, borracha,
esperança e concentração.
Na parede, os braços do relógio arrastam-se pelos números,
um adamastor horrendo e louco ergue-se e
rasga as entranhas de um envelope,
rodopia por entre as mesas,
em cada uma deposita um papel animado com letras 
dançantes que fogem como ninfas perseguidas.
O examinando cerra os olhos, suspira,
pensa e esforça-se
escreve e risca,
corre atrás das palavras, pequeno sátiro desafortunado,
o mar do silêncio salpica-o de gotas nervosas.
Rema com força naquele mar,
sem auspiciar terra à vista.
O relógio comandado pelos ventos contrários,
apressa-se a chegar ao destino.
Misturam-se histórias, personagens e episódios,
pronome ou determinante?, a eterna dúvida,
revolve-se o estômago, a cabeça tonta.
Uma campainha grita.
– Poisem a caneta!
O pequeno náufrago em mais um ano à deriva. 



[hoje é dia de exame nacional de LP 9º ano. Vai, D., estamos todos a torcer por ti]

5 comentários:

  1. Descreves-te na perfeição a minha mente aquando de um exame, como amanhã... =/

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    1. Ohhhh, amanhã é dia de exame? Um abraço compreensivo.
      Se te consola, eu também fico assim, cada vez que tenho de prestar provas. :)

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    2. É sim, de Biologia!
      E estou uma pilha :)

      Gracie :D

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  2. Carrega D.! Tenho dito a toda a gente que vais passar!

    Quem é o D.?

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