17/06/2012

Como um barco amarrado ao cais

Como um barco amarrado ao
cais, assim estou eu. Quero perder-me
entre ondas e marés, deixar que me
levem, não ter de decidir. Quero
que o sal me macere a pele e o
sol me doire e eu deixe de ser
como sou. Quero que a água me
lave por dentro e a espuma escorra
pelos meus dedos. Quero afogar-me
em silêncio e vazio. Que caiam as pontes,
que as margens se afastem até ao
infinito e eu não tenha como voltar. Se
perder os remos, melhor, não sei nadar e
ali me perco, sem vontade de me
encontrar. Preciso largar-te na
profundidade dos abismos, bater contra
as rochas e naufragar.




All the rowboats - Regina Spektor

8 comentários:

  1. Quem sabe se não se encontram novos caminhos. Quem sabe...

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  2. Os antigos estão intransitáveis. :)

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  3. O mar é tão grande, e quem sabe não chegas a BOM porto :D

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    1. A questão é que eu não quero chegar a lado nenhum, quero mesmo naufragar. Há alguns portos de abrigo disponíveis, mas não são o suficiente para me protegerem de tempestades mais fortes. Por isso, prefiro perder-me no mar a estar amarrada a um cais.

      Ouviste a música?

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  4. Ouvi, tem uma letra bastante complexa em comparação com normal, mas gostei.

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  5. Além da tua escrita me cativar e eu querer sempre mais, a música também me ficou no ouvido

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    1. O que escrevi foi inspirado na música. Foi paixão ao primeiro ouvido.

      Ah, a minha escrita é coisa simples. :)

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