Não paro de fazer puzzles, agoniantes puzzles, para entender porquê. Eu não vi, não fui capaz de entender a profundidade do que nos passou. Angustia-me esta certeza de que estava tudo lá, os indícios trágicos que eu não interpretei, espalhados pela música que me deste a ouvir e mudavas constantemente, pela música que tocaste o tempo todo e que nunca terminaste porque se partiu uma corda que te forçava ao recomeço, nas fugas para a varanda, nos cigarros que se sucediam em catadupa, nos olhares demorados pelas coisas, no teu sorriso triste, nos abraços apertados e nas coisas ditas que guardo só para mim.
A nossa sociedade quer sempre saber porquê e às vezes não se sabe, não podemos saber tudo sobre as pessoas.
Nunca vou montar este puzzle, se é que as peças estão bem combinadas, por isso nunca vou saber.
Faltas-me. Logo mais voltamos a falar. O silêncio como resposta.
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