das Comunidades Portuguesas
e de Camões
De Portugal, muito teríamos a dizer, a sofrer, a reclamar; das Comunidades idem; de Camões cada vez menos.
Sobre Camões digo apenas que tenho dois exemplares de Versos e alguma prosa de Luís Vaz de Camões, prefácio e selecção de textos de Eugénio de Andrade, Edição da FCG e executada por Moraes Editores, datadas de 1977, ambas herdadas do meu avô, uma delas com a sua elegante assinatura.
O meu avô amava Camões e isso é um laço que nos liga, mesmo que nunca tivessemos chegado a discutir a lírica camoniana, mesmo que ele nunca tivesse chegado a dizer-me qual o seu preferido.
No livro que tenho em mãos, um talão de venda da Cooperativa Agrícola, passado em 1992, referenciando, entre outros, a venda de duas galinhas, num total de 2.991$50, marca duas páginas. Acredito saber qual era o soneto procurado, o risco feito a caneta tira-me todas as dúvidas.
O dia em que eu nasci, morra e pereça,
Não o queira jamais o tempo dar,
Não torne mais ao mundo e, se tornar,
Eclipse nesse passo o sol padeça.
A luz lhe falte, o sol se lhe escureça,
Mostre o mundo sinais de se acabar,
Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
A mãe ao próprio filho não conheça.
As pessoas pasmadas, de ignorantes,
As lágrimas no rosto, a cor perdida,
Cuidem que o mundo já se destruiu.
Ó gente temerosa, não te espantes,
Que este dia deitou ao mundo a vida
Mais desgraçada que jamais se viu!
Um dos meus preferidos.

Assim Camões deve ser ainda mais especial...
ResponderEliminarJá eu não herdei qualquer livro...
snif...lol
Herdadas do avô?Só eu não herdei nada...
ResponderEliminarPor muito que se diga sempre fica algo por dizer...
ResponderEliminar:)
http://tintacompinta.blogspot.com/2011/06/dia-de-portugal.html
É dia dos defuntos, portanto.
ResponderEliminaro Camões se viesse cá hoje arrancava o outro olho.
ResponderEliminarpara além disse em vez de escrever a epopeia dos portugueses na luta contra os monstros marinhos e os deuses grego-romanos, escreveria sobre a luta que os desgraçados dos portugueses têm todos os dias para aturar a cambada de políticos inúteis que se lembram de vender constantemente o peixe deles, mas sem qualquer solução para os nossos problemas.
bem, pensando melhor, o Camões não arrancaria o olho, arrancaria sim os olhos aos portugueses e mudava-se para Espanha
M. e Cacarol:
ResponderEliminarEu não posso propriamente dizer que foram herdados, na verdade a minha avó queixou-se dos papéis que enchiam uma gaveta e queria atirá-los fora.
FOi então que os achei por lá e trouxe-os comigo.
Juntei a pasta preta do meu avô e a calculadora que ele usava e que me tem dado tanto jeito nos últimos 8 anos.
O que eu queria ter herdado mesmo e a minha avó não me deu era o saxofone dele. :(
Panurgo:
ResponderEliminarE dos mortos-vivos.
Mal Educado:
ResponderEliminarHá muitos portugueses a aproveitarem-se na sombra do que esses políticos, também eles portugueses, fazem.
Camões iria para a Índia de vez, quem sabe. :)