22/11/2010

O mundo todo abarco e nada aperto

Do_you_know_the_secret__by_mildhand


Tanto de meu estado me acho incerto,
Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
Sem causa, justamente choro e rio,
O mundo todo abarco e nada aperto.


É tudo quanto sinto, um desconcerto;
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio,
Agora desvario, agora acerto.


Estando em terra, chego ao Céu voando;
Numa hora acho mil anos, e é jeito
Que em mil anos não posso achar uma hora.


Se me pergunta alguém por que assim ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.

Luís Vaz de Camões

8 comentários:

  1. Aqueles que me têm muito amor
    Não sabem o que sinto e o que sou...
    Não sabem que passou, um dia, a Dor
    À minha porta e, nesse dia, entrou.

    E é desde então que eu sinto este pavor,
    Este frio que anda em mim, e que gelou
    O que de bom me deu Nosso Senhor!
    Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

    Sinto os passos de Dor, essa cadência
    Que é já tortura infinda, que é demência!
    Que é já vontade doida de gritar!

    E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
    A mesma angústia funda, sem remédio,
    Andando atrás de mim, sem me largar!

    Florbela Espanca

    http://www.youtube.com/watch?v=asaCQOZpqUQ

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  2. Nem todos têm muito amor, têm o suficiente.

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  3. Do |onge se faz mais perto... Do suficiente se faz um infinito... Do todo também faço o nada.

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  4. Experimenta por uma vez fazer do nada um poucochinho.

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  5. Já penso nisso há uns tempos sim... E assim o farei quando menos se esperar... Notarás a diferença.

    Bjo.

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  6. O mais importante é que tu notes a diferença, gostes e queiras manter-te.

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  7. Não comento

    Camões chega!

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