20/09/2010

Duas caras

Nunca gostei que as pessoas que lidam comigo tivessem uma má imagem, ou uma imagem pouco correcta, de mim mesma.
Mas houve uma vez que a outra de mim passou e tomou posse do olhar da outra pessoa e eu não posso dizer que fui inteiramente inocente.
Quando me apercebi, o pseudo-eu que projectara estava demasiado enraizado e nunca mais me deixou mostrar a verdade.
Passado o tempo necessário para ver a situação com clareza e objectividade, apercebo-me que essa de mim queria desesperadamente que essa outra pessoa fosse capaz de me ler para além dela mesma, tivesse vontade de ver essências mais do que aparências. Mas a outra pessoa não viu, não quis ver. Se ela tivesse visto, se ela tivesse querido ver, então haveria esperança para si mesma e ela estaria livre daqueles olhos que lhe perscrutavam o fundo da alma e da voz que lhe garantia que mais ninguém a olharia assim.

 two_faces_by_Nigrita

A contra-informação tornou-se assim defesa numa batalha que sabia perdida e justificação mais do que aceitável para a retirada do outro lado.

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