14/05/2009

Elefante Branco e arredores

Nos anos em que morei em Lisboa, sempre que queria dar uma referência da zona onde morava, dizia:
- Moro ao pé do Elefante Branco.
E era verdade!
Primeiro na Luciano Cordeiro, depois na Bernardim Ribeiro, cada vez mais perto do dito cujo espaço.
Nunca percebi por que trocavam olhares estranhos e davam ares de riso.

Acho que aquilo era um restaurante, parece-me que sim, especializado em pratos de carne nacional e estrangeira, mas da boa e da fresca, nada de carne fora de validade.
Os porteiros eram pessoas extremamente simpáticas e atenciosas, diziam boa noite, abriam as portas e fechavam-nas logo, não fosse entregar alguma mosca varejeira e dar cabo da carne.
Era frequentado por mulheres elegantíssimas, altas, esbeltas e perfumadas, o que me leva a crer que era um restaurante fino, até porque que os homens que lá iam faziam-se conduzir em luxuosos carros, alguns com escolta policial. Diziam que eram políticos, como se isso fosse mau. Eu cá acho muito bem que eles frequentem lugares elegantes e bonitos, onde se come bem e comida de qualidade.

Mas esta zona era fantástica. À noite podíamos encontrar na rua inúmeras senhoras que regressavam a casa tarde da noite. Uma vez vinha do Monumental, depois da sessão da meia-noite, e vi as paragens do autocarro cheias delas, até comentei para quem vinha comigo:
- Já viste, estas senhoras são mesmo mulheres honradas. Trabalham até tão tarde para alimentar a família e nós no cinema a gastar dinheiro aos nossos pais!
Algumas deviam de ganhar muito mal porque usavam umas roupas muito pequenas e apertadas. E os sapatos? Coitadas, a trabalhar turno após turno em cima de tais saltos...
Outras eram um bocadinho feias, quase pareciam homens, mas como nós não éramos de pôr em causa que a beleza vem de dentro de cada um, lamentávamos apenas a pouca roupa que envergavam.

Como já disse, era uma zona excelente.
Não fosse a PSP de Santa Marta e eu poderia ter desancado à vontade umas energúmenas que partilhavam o meu apartamento. Hospitais não faltavam para mandar as desinfelizes que fizeram do meu 4º ano um verdadeiro inferno! Entre Santa Marta, Capuchos e São José, era só escolher para onde mandar as flores e o cartão a desejar as melhoras.

Como eu gostava de ir estudar para o jardim do Campo Santana ou Mártires da Pátria - um dos nomes deve de ser, nunca soube qual era o recente e o antigo.

Bons tempos!
Só tenho pena de nunca ter ido jantar ao Elefante Branco, mas acho que não tinha argumentos financeiros para tal.


19 Outubro 2007

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