14/05/2009

Ele caminhava na areia...

Mote:
No dia seguinte ela esperou.
Ele não apareceu.
Já de noite chega um vulto a correr pelo areal.
É ele.
Ofegante pára no lugar onde ela costumava estar.
Mas no seu lugar apenas restam o casaco que ele lhe tinha emprestado, o desenho que lhe tinha mostrado e os lápis na areia...



Pegou no desenho.
Nas margens da folha, estavam frases escritas e riscadas com violência.
O fundo pintado num negro de carvão furioso...
Pegou no casaco.
Cheirava a ela, aquele perfume simultâneamente suave e forte.
Caminhou pela areia, procurando-a com um olhar ansioso.
A água beijava-lhe agora os pés com suavidade.
Fechou os olhos, talvez por um momento pudesse imaginar que era ela que o tocava assim...
Uma gaivota gritou por cima da sua cabeça, assustando-o.
A mão abriu-se com o susto.
O vento soprou forte, arrancando-lhe o desenho e arrastando-o para longe.
Impetuoso, entrou mar adentro, na tentativa de recuperar a folha que o ligava a ela.
A ondulação era mais forte do que o que pensava.
A maré puxava-o, enrolava-o...
As ondas arrancaram-lhe o casaco de debaixo do braço e lavaram o cheiro do perfume dela.
Encharcado, cansado, espantado, saiu da água.
O peito subia e descia, tentado recuperar da luta com a água.
De costas para a praia, de frente para o mar, olhou as mãos.
Vazias...
Não havia mais nada que o ligasse a ela.
Seria real?

14 Junho 2008

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