14/05/2009

Cativa-me

É engraçado como as coisas que nos foram essenciais acabem por nos ser indiferentes.

Passámos tanto tempo a vibrar com elas, a sonhar com elas, a desejá-las e depois…

Houve uma altura, corria a época de 93/94, o meu Benfica era essencial para mim.
Como esquecer aquele ano louco, o 4-4 com o Bayern Leverkusen, naquele jogo impróprio para cardíacos, a loucura do festival de golos; o 3-6 em Alvalade, com as voltas e as reviravoltas e os golos, tantos golos, belos golos…; ganhar o Campeonato nesse ano foi fantástico!

Mas vieram épocas, demasiadas épocas seguidas e o meu Benfica foi-me dando menos motivos, para não dizer praticamente nenhuns, para sorrir.

Hoje, o meu Benfica já nem meu é.
Desconheço a equipa, desconheço os resultados, não sei quando jogam, não me importo se jogam…
O Benfica hoje é-me indiferente.

Cativa-me!, dizia a Raposa ao Principezinho, se tu me cativares, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E eu também passo a ser única no mundo para ti…

As pessoas, assim como o meu Benfica, vão deixando de me cativar, vão deixando de nos cativar, vão deixando de ser únicas para mim, para cada um de nós.

Começa então o processo:
Recusar a acreditar que esteja a acontecer…
Depois, vem a pontinha da tristeza, mas ainda assim acreditamos (para o ano é que é!)
Depois, vem a pontinha do desapontamento (já passaram muitos anos e ainda não foi!)
Depois, vem a desilusão (parece que vai demorar muito mais)
Depois, já nada nos cativa…
Depois, já não queremos ser cativados…
Depois, pouco nos importa…

Hoje o meu Benfica é uma equipa como outra qualquer, não me abala, não me entusiasma, não arranca de mim emoção alguma.

Se fosse só o meu Benfica!

3 Abril 2008

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